REFLITA NESTA PALAVRAS CARO VISITANTE

Embora o argumento não crie convicção, a falta dele destrói a fé. O Que parece ser provado pode não ser abraçado; mas o que ninguém mostra a habilidade de defender é prontamente abandonado. Argumento racional não cria crença, mas ele mantém um ambiente em que a fé possa florescer. (Austin Farrer em C. S. Lewis.)

EU SOU BOM PASTOR E CONHEÇO VOSSO DINHEIRO.QUÉM ME SEGUIR NUNCA ANDARÁS RICOS, MAIS POBRE E LASCADO

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VINDE AMIM QUE VOSSOS PECADO ESTÃO PERDUADO PELO VOSSO DINHEIRO E APRENDEI DE MIM QUE SOU RICO E VOCÊ CADA VEZ MAIS POBRE HÁ HÁ HÁ.

PEQUENAS IGREJAS E GRANDES & GRANDES NEGOCIOS.

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COM O BISPO PEDI-MÁIS-CEDO

ULTILIZAM A SANTA BIBLIA COMO MAQUINA DE FAZER DINHEIRO

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A PARTIR DE SUAS PREGAÇÕES QUE CONSISTE EM FILÓSOFIA DOS HOMENS MESCLADO COM ESCRITURAS.

terça-feira, 12 de fevereiro de 2013

A Renúncia do Papa Bento XVI e o Apocalipse 17

A Renúncia do Papa Bento XVI e o Apocalipse 17
A Renúncia do Papa Bento XVI e o Apocalipse 17
A Renúncia do Papa Bento XVI e o Apocalipse 17. Na Palavra de Deus, encontramos um texto que deveria ser cuidadosamente considerado por todo cristão, mas que, infelizmente, com raridade é citado ou mencionado entre os que estudam a Palavra de Deus. Encontra-se no livro de Provérbios:
“Não havendo profecia, o povo se corrompe; mas o que guarda a lei, esse é bem-aventurado.” Provérbios 29:18
Cremos que apenas este texto seria suficiente para assinalar a importância do estudo das profecias, ao mesmo tempo em que explica a razão pela qual as igrejas de hoje, em sua esmagadora maioria, estão corrompidas. Na verdade, esta corrupção é tão somente, o resultado natural da falta de estudo de assuntos proféticos, assuntos estes que, se estudados e compreendidos, certamente dariam nova vida espiritual às igrejas e que seriam ainda um escudo contra a mornidão que as arruína. Tão importante quanto este texto, dentro do assunto abordado, é a pergunta que Jesus faz igualmente aos ministros e pregadores. Ela se encontra registrada no livro de Mateus:
“Quem é, pois, o servo fiel e prudente, a quem o Senhor constituiu sobre a Sua casa, para dar o sustento ao seu tempo?” Mateus 24:45
Este texto é dado imediatamente após o chamado sermão profético sobre a vinda de Jesus, registrado no capítulo 24 de Mateus. Sua relação, portanto, com as profecias é inegável. O sustento, ou alimento espiritual dado no tempo certo, é de extrema importância para a vida espiritual da igreja. Para que se possa ter ideia disso, imagine Noé pregando o dilúvio depois que ele já houvesse acontecido. Por 120 anos, Noé, como obediente servo, pregou a verdade presente, deu o sustento ao seu tempo, conforme a missão que recebera de Deus.
Assim, iniciamos nosso estudo das profecias na certeza de que ele salvaguardará as igrejas da corrupção que as arruínam, e lhes dará novo vigor espiritual; e entendendo ainda que esta é nossa missão, como servos e pregadores da verdade presente.
Se você estuda a Bíblia, ou mesmo se é um bom ouvinte da Palavra de Deus, certamente já ouviu sobre a vinda de Jesus e sobre a proximidade dela. Mas a pergunta que cada um de nós deve fazer é: “com base em que posso dizer que a vinda de Cristo está próxima”? Será que existe base bíblica de fato para afirmar a proximidade de tal evento, ou seria essa apenas mais uma entre tantas afirmações futuristas destituídas de amparo bíblico? Você seria capaz de apresentar a vinda do Senhor Jesus como estando realmente muito próxima, mas tendo amparo bíblico para tal afirmação?
Adentraremos o terreno profético-bíblico, e permitiremos que a própria Bíblia seja a sua intérprete, para que possamos defender o que cremos com um “está escrito”, conforme o desejo do nosso Deus. Para tanto, iniciaremos nossa jornada profética pelo capítulo 17 de Apocalipse, do verso 1 ao 12, onde encontraremos uma das profecias mais espetaculares para o nosso tempo, que seguramente abrirá nossos olhos para vislumbrar um universo até então desconhecido. Diz o texto:
1. “E veio um dos sete anjos que tinha as sete taças e falou comigo dizendo: vem, mostrar-te-ei a condenação da grande prostituta que está assentada sobre muitas águas; com a qual se prostituíram os reis da terra;
2. e os que habitam na terra se embebedaram com o vinho da sua prostituição.
3. E levou-me em espírito a um deserto, e vi uma mulher assentada sobre uma besta de cor escarlata que estava cheia de nomes de blasfêmia, e tinha sete cabeças e dez chifres.
4. E a mulher estava vestida de púrpura e escarlata e adornada com ouro e pedras preciosas e pérolas. 
5. E tinha da sua mão um cálice de ouro cheio das abominações e das suas imundícias, e da sua prostituição.
6. E na sua testa estava escrito um nome: mistério a grande Babilônia, a mãe das prostituições e abominações da terra.
7. E vi que a mulher estava embriagada com o sangue dos santos e o sangue das testemunhas de Jesus. E vendo-as eu, maravilhei-me com grande admiração. E o anjo me disse: por que te admiras? Eu te mostrarei o mistério da mulher e da besta que a traz, a qual tem sete cabeças e dez chifres.
8. A besta que viste foi e já não  é, e há de subir do abismo, e irá à perdição. E os que habitam na terra, cujos nomes não estão escritos no livro da vida desde a fundação do mundo se admirarão, vendo a besta que era e que já não é, mas há de vir.
9. Aqui há  sentido que tem a sabedoria. As sete cabeças são sete montes sobre as quais a mulher está assentada. E são também sete reis,
11. Cinco já  caíram, um existe, outro ainda não  é vindo; e quando vier, convém que dure um pouco de tempo.
12. E a besta que era e já não, é ela também o oitavo, é dos sete e vai à perdição. E os dez chifres que viste, são dez reis que ainda não receberam o reino, mas receberão poder como reis por uma hora juntamente com a besta.” Apocalipse 17:1-12
Seguiremos ponto a ponto para podermos entender o que o estudo deste trecho das Escrituras nos reserva.
“Veio um dos sete anjos que tinha sete taças e falou comigo dizendo-me: vem, mostrar-te-ei a condenação da grande prostituta que está assentada sobre muitas águas.” Apocalipse 17:1
O anjo tem o que na mão? Uma taça. Imagine que em minha mão houvesse um celular. Se daqui a alguns anos você lesse uma carta relatando determinada história ou fato, sem ter a certeza da data em que a mesma ocorreu ou ocorreria, e essa história se iniciasse descrevendo um homem com um celular na mão, embora você não pudesse precisar com exatidão o momento do evento, certamente diria que esse homem está vivendo no mínimo após os anos 90, visto que antes disso não tínhamos conhecimento deste tipo de aparelho. Esse anjo tem uma taça na mão, e a informação é dada para nos posicionar quanto ao tempo em que o evento estará ocorrendo. No mesmo livro do Apocalipse, vemos anjos com trombetas e anjos com taças nas mãos. Os sete primeiros anjos têm trombetas, os sete últimos têm taças nas mãos. Esse anjo não tem a trombeta na mão. Uma vez que os sete primeiros anjos com as trombetas representam a advertência a ser dada contra as pragas que vão cair na Terra com mistura de misericórdia, enquanto a porta da graça está para se fechar, e os sete últimos anjos levam as sete taças, que são pragas sem mistura de misericórdia que finalmente cairão sobre a Terra, e visto que hoje vemos apenas as primeiras gotas destas pragas, certamente esse evento está no futuro. Ademais, este anjo vem especificamente para mostrar a condenação da grande prostituta, e isso ocorrerá quando a medida de sua iniquidade estiver completa.
Será  que o anjo está dizendo que veremos a condenação de uma prostituta literal? Não. Precisamos entender quem é a prostituta. A esposa de Cristo é chamada na Bíblia de “virgem”, como vemos, por exemplo, na segunda epístola aos Coríntios:
“Porque estou zeloso de vós com zelo de Deus; porque vos tenho preparado para vos apresentar como uma virgem pura a um marido, a saber, a Cristo.” 2 Coríntios 11:2 (grifo nosso)
Se a esposa do Cordeiro, Sua Igreja, é chamada de virgem, aquela que é chamada de prostituta deve ser esposa de quem? Só pode ser a esposa daquele que é o inimigo de Cristo – Satanás; e isso não é difícil de entender.
Esta prostituta está assentada sobre muitas águas. Seria uma mulher (igreja) assentada sobre um rio, ou sobre o mar? Seria possível que uma igreja permanecesse por sobre as águas sem afundar?
Para saber o que as profecias bíblicas ensinam, é necessário entender primeiro que estas profecias foram dadas em visões simbólicas, ou escritas, na sua grande maioria, em símbolos. Assim, as palavras simbólicas precisam ser corretamente interpretadas, ou substituídas por palavras que a própria Bíblia indica. Não podem ser interpretadas com base no que o homem, o padre, o pastor ou o presbítero acha ou pensa. “Está escrito” será sempre a base para todo e qualquer ensino na Palavra de Deus.
Por exemplo: “Mulher” em profecia, significa “igreja”, conforme vemos em Efésios 5:24 e 25:
“De sorte que, assim como a igreja está sujeita a Cristo, assim também as mulheres sejam em tudo sujeitas a seu marido.Vós, maridos, amai vossa mulher, como também Cristo amou a igreja e a si mesmo se entregou por ela,” Efésios 5:24 e 25
Em profecia, uma mulher simboliza uma igreja. Se pura ou virgem, representa a igreja de Cristo; se prostituta ou corrompida, a igreja do inimigo. Vejamos mais um exemplo, e este no mesmo livro e capítulo que estamos estudando. Apocalipse 17:15:
“E disse-me: As águas que viste, onde se assenta a prostituta, são povos, multidões, nações e línguas.” Apocalipse 17:15
Assim, temos de forma certa e segura a explicação da própria Bíblia quando apresenta o que significa cada um dos símbolos apresentados. Se Mulher é igual a Igreja e Mulher Prostituta é igual a Igreja caída; e ainda se “água” é igual a povos, multidões, nações e línguas, então esta prostituta é uma Igreja caída que se assenta, ou domina, sobre muitos povos, multidões, nações e línguas.
SÍMBOLO SIGNIFICADO
  • MULHER
IGREJA
  • MULHER PROSTITUTA
IGREJA CAÍDA
  • ÁGUA
POVOS , MULTIDÕES, NAÇÕES E LÍNGUAS
  • PROSTITUTA ASSENTADA SOBRE AS ÁGUAS
IGREJA CAÍDA QUE SE ASSENTA, OU DOMINA, SOBRE MUITOS POVOS, MULTIDÕES, NAÇÕES E LÍNGUAS
Uma igreja que se apartou de Cristo, apartou-se do verdadeiro Esposo e, por isso, virou prostituta e hoje domina, ou se assenta, sobre muitos povos nações, tribos e línguas. Domina sobre muita gente. Qual seria hoje a igreja que domina sobre uma grande multidão de povos? Não é uma igreja que domina uma região, é uma igreja que tem influência em muitas nações.
“…e com a qual se prostituíram os reis da terra.” Apocalipse 17:2
A profecia ainda nos fala que com ela se prostituíram os reis da terra. Então, reis da Terra, como o presidente dos EUA e presidentes das grandes nações se prostituíram com ela. Que seria o “prostituir-se” com ela? Os versos seguintes nos ajudam a entender.
“E os que habitam na terra se embebedaram com o vinho da sua prostituição. E levou-me em espírito a um deserto e vi uma mulher assentada sobre uma besta de cor escarlata que estava cheia de nomes de blasfêmia e tinha sete cabeças e dez chifres.” Apocalipse 17:2 e 3.
Os versos acima dizem que a prostituição foi ocasionada pelo “beber” do vinho dela. Os que habitam na Terra se embebedaram com o vinho da sua prostituição. Cristo ofereceu à mulher samaritana a água da vida, como um exemplo da pura palavra de Deus que Ele, Cristo, ensinava. O que seria então o vinho da prostituição senão o contrário da água da vida? E se a água da vida representa a verdade, as doutrinas e ensinos puros de Cristo relatados na Palavra de Deus, não seria o vinho da prostituição os ensinos e doutrinas adulteradas ou prostituídas desta igreja, e que têm sido aceitos pelos presidentes, governantes, líderes e pelos que habitam na Terra?
E levou-me em espírito… Então, agora, em espírito é mostrado a João um deserto, e nesse deserto ele vê uma mulher, que representa uma igreja assentada sobre uma besta. A besta era de que cor?  Nada na Palavra de Deus é por acaso. A besta de cor escarlata (ou vermelha) estava cheia de nomes de blasfêmias e tinha sete cabeças e dez chifres. O que ele vê é uma besta de cor vermelha. Para identificá-la, precisamos entender primeiramente o que é uma besta. Encontramos a explicação em Daniel 7, a partir do versículo 1:
“Falou Daniel e disse: Eu estava olhando, na minha visão da noite, e eis que os quatro ventos do céu combatiam no mar grande. E quatro bestas grandes, diferentes umas das outras, subiam do mar.” Daniel 7:2 e 3
“Cheguei-me a um dos que estavam perto e pedi-lhe a verdade acerca de tudo isso. E ele me disse e fez-me saber a interpretação das coisas. Estas grandes bestas, que são quatro, são quatro reis, que se levantarão da terra (…) Disse assim: O quarto animal será o quarto reino na terra, o qual será diferente de todos os reinos; e devorará toda a terra, e a pisará aos pés, e a fará em pedaços.” Daniel 7:16, 17 e 23
Encontramos então que as bestas na Bíblia são reis e também são reinos. Estes reinos serão mais bem explicados no capítulo 3 deste material.
E a cor escarlata, o que significa? Isaías 1:18 responde:
“Vinde, então, e argui-me, diz o SENHOR; ainda que os vossos pecados sejam como a escarlata, eles se tornarão brancos como a neve; ainda que sejam vermelhos como o carmesim, se tornarão como a branca lã.Isaías 1:18
A cor vermelha ou escarlate significa pecado. Então, o significado do que ele vê é: um homem e um reino, ou uma nação cheia de pecados, por isso ela está na cor vermelha. Poderia ser marrom, poderia ser verde, mas não. E, segundo o relato, ela não apenas está cheia de pecados, mas está cheia de nomes de blasfêmia. O que é blasfêmia na Bíblia? Qual é o pecado da blasfêmia? Permitiremos que a Bíblia mais uma vez nos dê a resposta:
“Os judeus responderam, dizendo-lhe: Não te apedrejamos por alguma obra boa, mas pela blasfêmia, porque, sendo tu homem, te fazes Deus a ti mesmo.João 10:33
Segundo a Palavra de Deus, o pecado da blasfêmia é o pecado do homem tentar se passar por Deus. Existe alguma igreja que ensina que seu líder máximo seja Deus? Que igreja ensina que seu líder deva ser adorado? Que igreja ensina algo tão absurdo?
O papa Leão XIII, em 20 de junho de 1894, declarou: “Ocupamos na terra o lugar do Deus todo Poderoso.”
Durante o Concílio Vaticano de 1870, em 9 de janeiro, foi proclamado: “O Papa é Cristo em ofício, Cristo em jurisdição e poder… nos prostramos ante tua voz, oh, Pio, como a voz de Cristo, o Deus da verdade”.
Em Apoc. 13:1, tratando especificamente da besta, encontramos o mesmo pecado relatado:
“E eu pus-me sobre a areia do mar e vi subir do mar uma besta que tinha sete cabeças e dez chifres, e, sobre os chifres, dez diademas e, sobre as cabeças, um nome de blasfêmia.” Apocalipse 13:1
Nos detalhes adicionais do cap. 13, falando sobre este poder, encontramos novamente o pecado de blasfêmia, identificando-o como o mesmo sistema descrito em Apocalipse 17 que estamos estudando. Mas este poder, como vimos, não é apenas um sistema, mas também uma pessoa, um homem conforme nos ensina a própria Palavra de Deus:
“Aqui há sabedoria. Aquele que tem entendimento calcule o número da besta, porque é número de um homem; e o seu número é seiscentos e sessenta e seis.” Apocalipse 13:18
Temos então que a besta, no seu cumprimento final, representa também um homem, mas que se passa por Deus. Apenas um sistema preenche os requisitos apontados na Palavra de Deus: o papado e o papa. O próprio termo “papa”, que quer dizer pai, adotado por um homem, por si só se constitui em grave pecado contra Deus. Jesus disse:
E a ninguém na terra chameis vosso pai, porque um só é o vosso Pai, o qual está nos céus.” Mateus 23:9
Certamente Jesus aqui não estava condenando o uso da palavra “pai” em relação àquele da parte de quem fomos gerados, mas sim, o chamar de “pai” a alguém que arroga a si mesmo tal título em relação à humanidade. Voltemos ao Apocalipse 17, agora no versículo 5:
“Na sua fronte, achava-se escrito um nome, mistério: Babilônia, a Grande, a mãe das meretrizes e das abominações da terra.” Apocalipse 17:5
Babilônia, a grande, a mãe das meretrizes. Se esta Babilônia, identificada como igreja, como vimos acima, é mãe, ela certamente tem filhas. Quem seriam estas filhas? Só podem ser todas as igrejas caídas que absorveram ou aceitaram e ensinam os erros doutrinários desta “mãe”. Veja a recente declaração de Bento XVI. Esta declaração foi amplamente divulgada em revistas e meios de comunicação e pode ser encontrada em vários sites:
A Igreja Católica é a mãe de todas as igrejas cristãs. Por isso, outras igrejas não devem ser consideradas ‘irmãs’ da Igreja Católica.” (Fonte: http://www.adur-rj.org.br/5com/pop-up/ratzinger_bentoXVI.htm)
“Não devem ser consideradas irmãs”. Que devem ser consideradas, se uma só é a mãe de todas?
E vi que a mulher estava embriagada do sangue dos santos e do sangue das testemunhas de Jesus. E, vendo-a eu, maravilhei-me com grande admiração.” Apocalipse 17:6
Uma igreja embriagada com o sangue dos santos. Uma igreja que não apenas “matou” santos e testemunhas de Jesus, mas matou “muitos”, a ponto de estar embriagada. Qual a única Igreja que, inclusive a história registra, como tendo perseguido e matado milhares de cristãos? E qual foi o “pecado” que estes cristãos cometeram? O de não aceitar os dogmas doutrinários impostos por ela, tais como: Adoração a santos de toda espécie, adoração a imagens, confissão de pecados a homens falíveis e muitos outros criados pela Igreja Católica Romana através de seus concílios. Do ano 538 d.C., do Edito de Justiniano que concedeu a primazia ao bispo de Roma, dando início à supremacia papal do passado, até o ano de 1798, quando o papa Pio VI foi aprisionado e decapitado, e a supremacia papal teve fim, ou seja, durante 1.260 anos exatos, conforme visto em Apoc. 13:5, milhões de vidas cristãs foram ceifadas, muitos outros milhares torturados, e só no dia do juízo, quando estes números forem abertos pelo verdadeiro Deus, se poderá precisar quantos de fato morreram nas mãos da monstruosa inquisição, que, em nome de uma igreja, não poupou idosos, adultos, jovens, mulheres, crianças ou bebês, cujo único objetivo era o de adorar a Deus segundo sua consciência. Vários livros e enciclopédias comentam sobre a inquisição e seus resultados. Abaixo, citamos apenas um deles:
“No sexto século, o papado tornou-se firmemente estabelecido… o bispo de Roma declarado ser o cabeça de todas as igrejas… A perseguição desabou sobre os fiéis com grande fúria…” (WHITE, E. G. A Grande Controvérsia entre Cristo e Satanás. Cap. 3. Editora 4 Anjos).
Por isso, conforme relata a profecia, João se maravilhou. Que ele visse os soldados romanos na época do império matando cristãos, era algo comum, pois ele mesmo estava recluso na ilha de Patmos como uma destas testemunhas; mas agora ele via uma “igreja” matando cristãos.
A partir de agora, na sequência do relato, saímos do campo da “visão” da profecia, para entrarmos na “explicação” do anjo sobre a mesma:
“E o anjo me disse: Por que te admiras? Eu te direi o mistério da mulher e da besta que a traz, a qual tem sete cabeças e dez chifres. A besta que viste foi e já não é, e há de subir do abismo, e irá à perdição. E os que habitam na terra (cujos nomes não estão escritos no livro da vida, desde a fundação do mundo) se admirarão, vendo a besta que era e já não é, mas que virá.” Apocalipse 17:7 e 8
Se até aqui conseguimos ver com precisão e segurança a história comprovando a eficácia da profecia, muito mais agora, pois é  o próprio anjo que explicará a mesma. Primeiramente, vejamos a besta (papado) como sistema:
A besta que viste foi e já não é.
  • Do ano 538 à 1798, a besta foi. Foi um sistema perseguidor, matando milhares, como vimos, e foi um sistema dominante;
  • Do ano 1798 a 1929, deixou de ser perseguidora e deixou de ser um sistema dominante;
  • A partir do ano de 1929, voltou a ser um sistema de poder, embora não ainda com o poder que teve um dia, e tampouco perseguindo. A “volta do abismo” ainda não ocorreu.
Hoje, a besta existe, mas não como um sistema perseguidor. …. há de subir do abismo… voltará a ser, ou seja, voltará a perseguir, como fez no passado. Mas, perseguirá a quem? Os mesmos que perseguiu antes, os santos, que são os que guardam os mandamentos de Deus e têm o testemunho de Jesus, perseguirá as testemunhas de Jesus – aqueles que de fato amam a Jesus e dedicam sua vida a testemunhar dEle.
Vejamos a besta agora, quanto ao homem. A profecia que estamos estudando foi revelada por volta do ano de 2000, e não apenas a uma pessoa, mas a várias pessoas que, movidas pelo espírito de Deus, em diferentes partes do mundo, estavam estudando o mesmo tema. Existem inclusive um livro escrito sobre este tema que acrescenta diversos detalhes a este estudo, que se chama: Os Sete Reis, de Alceu Oliveira, e que, para aqueles que gostam de um estudo ainda mais detalhado, valeria a pena adquirir. No ano, portanto, de 2002, em que a profecia foi aberta ao entendimento, a besta não é. Não é por quê? Porque não está perseguindo. Vejamos no verso seguinte:
“Aqui há sentido, que tem sabedoria. As sete cabeças são sete montes, sobre os quais a mulher está assentada.Apocalipse 17:9
Primeiramente, e para que não haja equívoco, o anjo nos explica sobre as sete cabeças, de maneira que saibamos o que significam, e também onde a mulher, que como já vimos é a igreja, está localizada ou assentada. Aqui, não temos dificuldade. As enciclopédias reconhecem Roma, como a “Cidade das Sete Colinas”. Isto porque a cidade de Roma está localizada entre sete montes ou sete colinas. “Roma, a cidade das sete colinas…” (Fonte: “L’Empire Romain” p. 9). Assim, mais uma vez confirmamos a identidade da “mulher”, tendo agora também a localização dela posicionada na profecia e na história. “O Vaticano é o menor Estado independente do mundo… A cidade está encravada em Roma, capital da Itália. Governado pelo papa, o Vaticano é a sede da Igreja Católica Apostólica Romana.” (Folha On Line, 02. 04.2005)
Mas as cabeças têm também outro significado, conforme relata o anjo:
“E são também sete reis: cinco já caíram, e um existe; outro ainda não é vindo; e, quando vier, convém que dure um pouco de tempo.” Apocalipse 17:10
Diz o texto que são também sete reis. Aqui, também não é necessário grande esforço, visto que o próprio anjo se encarregou de explicar que as sete cabeças significam sete reis. É interessante notar, no entanto, que o Vaticano, ou o papado, é um sistema monárquico, ou seja, um sistema governado por um “rei”, conhecido como “papa”. “A Igreja Católica segue um regime de monarquia absoluta.” (Diário do Pará – Belém – 19.05.2005).
Diz o texto que, Cinco já caíram, um existe e outro ainda não veio (lembre-se que estamos no ano 2000, dentro da época em que a profecia foi revelada).
Para podermos localizar estes reis, precisamos de um ponto de partida seguro. É necessário, obviamente, que estes reis sejam de fato “reis”, e um rei só pode ser “rei” se tiver um território e súditos para governar. Quando foi que os papas se tornaram “reis”? No ano de 1929, através do tratado de Latrão. Neste ano, Mussolini devolve o território ao Vaticano e o papa é empossado como rei. “O Vaticano é o menor país do mundo, com 0,44 quilômetros quadrados, e se tornou um Estado em fevereiro de 1929, quando … assinaram o Tratado de Latrão. Nesse acordo, a Itália reconheceu a soberania do papa sobre o novo Estado.” (Fonte: Folha On Line, 09.04.2007)
“O Papa é o chefe do Estado do Vaticano. É eleito por um colégio de cardeais denominado conclave e o cargo é vitalício. Tecnicamente é uma monarquia eletiva não hereditária.” (Fonte: http://pt.wikipedia.org/wiki/Vaticano)
Seria esta informação segura? Vejamos o que diz o próprio Vaticano, na pessoa responsável por este tipo de assunto. O texto abaixo foi extraído do livro Os Sete Reis à p. 25:
“Sou estudante do Brasil e estou participando de um trabalho de conteúdo histórico onde necessito saber o ano em que o Papa recebeu o título de ‘Soberano do Estado do Vaticano’ (Teria alguma relação com o tratado de Latrão?). Penso que esta informação é de fácil consulta para a Sra. Por favor, me retorne pois estou necessitando desta informação para concluir o trabalho.
Despeço-me agradecido,
Alexandre J. Freitas”
Resposta enviada pelo próprio Vaticano na pessoa responsável – Sra. Enza Derme:
“O Estado italiano reconheceu ao Papa o título de Soberano do Estado do Vaticano no ano 1929 com o tratado de Latrão.
Atenciosamente Enza Derme” (grifo nosso).”(Fonte: Os Sete Reis, p. 25)
Assim, a data que buscamos é confirmada pelo próprio Vaticano: 1929. Vejamos então a sequência de “reis” ou papas, encontrada na mesma. Os “reis” desta profecia não são exatamente bestas porque não estão perseguindo. No ano de 2000, quando foi entendida a profecia, o sétimo (Bento) ainda não havia vindo; hoje, está no poder, mas não se poderia dizer que está perseguindo os cristãos como fará a besta.
“O oitavo é a besta e vai à perdição…” Apocalipse 17: 11
Considerando a data de 1929 para o início da contagem, temos os seguintes “reis” ou papas:
Reis Nome Período como Papa-Rei Duração do Reinado
1º Rei Pio XI 11.Fev.1929 – 10.Fev.1939 10 anos
2º Rei Pio XII 02.Mar.1939 – 09.Out.1958 19 anos
3º Rei João XXIII 28.Out.1958 – 03.Jun.1963 5 anos
4º Rei Paulo VI 21.Jun.1963 – 06.Ago.1978 15 anos
5º Rei João Paulo I 26.Ago.1978 – 28.Set.1978 33 dias
6º Rei João Paulo II 16.Out.1978 – 02.Abr.2005 27 anos (UM EXISTE
7º Rei Bento XVI 19.Abr.2005 -      ? “pouco tempo” (v.10)
“cinco já caíram, e um existe; outro ainda não é vindo; e, quando vier, convém que dure um pouco de tempo.”
Iniciando pelo primeiro, Pio XI, que subiu ao poder em 11 de fevereiro de 1929 (ano do tratado de Latrão), até João Paulo I, todos que caíram ou morreram (até a época da revelação da profecia, em 2002), temos os cinco que caíram. João Paulo II, é o sexto, que reina ou, como disse a profecia, “existe” e Bento XVI, ainda não havia sido empossado (não veio). Quando vier, ensina a profecia, convém que dure pouco tempo. A própria Igreja Católica já se pronunciou a respeito do reinado de Bento XVI, afirmando que o mesmo é um papa de transição e que deverá durar pouco. A Revista Veja, edição de 9 de maio de 2007, à página 106, também é categórica. O título do artigo é: Bento XVI, um papa de Transição”. “O papa Bento XVI previu para si mesmo um “curto reinado”
E ainda que não fosse assim, com mais de 80 anos, não é difícil perceber que ele não poderia ter um “reinado” prolongado.
“A besta que viste foi e já não é, e há de subir do abismo, e irá à perdição. E os que habitam na terra (cujos nomes não estão escritos no livro da vida, desde a fundação do mundo) se admirarão vendo a besta que era e já não é, mas que virá.” Apocalipse 17:8
Na chamada “supremacia papal 1”, tivemos que:
A besta foi, ou era 538 a 1798
Já  não é 1798 até hoje
Há  de subir do abismo ?
Para entender a chamada “supremacia papal número 2”, gostaríamos de atentar de forma especial, para alguns aspectos, considerando que, no cumprimento final da profecia: “Aquele que tem entendimento, calcule o número da besta, porque é número de um homem, e seu número é seiscentos e sessenta e seis.” (Apocalipse 13:18). Ou seja, sem dúvida a profecia aponta a besta como sendo um “homem”. Assim, temos na sequência do estudo:
“E a besta, que era e já não é, é ela também o oitavo, e é dos sete, e vai à perdição.” Apocalipse 17:11
O texto diz que a “besta” é o oitavo rei. O oitavo rei, o próximo papa, é a “besta” da profecia. Mas como poderia ser isso? Vejamos novamente o texto bíblico que parece esclarecer a questão:
“A besta que viste, foi e já não é e há de subir do abismo, e irá à perdição.” Apocalipse 17:8
Tendo em mente que a Bíblia deve ser sua própria intérprete, vejamos o que a mesma ensina sobre “subir do abismo”:
Primeiramente a palavra “subir”:
“A mulher, então, lhe disse: A quem te farei subir? E disse ele: Faze-me subir a Samuel.” 1 Samuel 28:11
Neste relato, Saul, rei de Israel busca uma necromante, uma feiticeira que consultava os “mortos”, e quando ela pergunta a Saul a quem ele gostaria que ela fizesse “subir”, ele lhe pede que faça subir a Samuel. Ocorre que Samuel já estava morto, e a própria Palavra de Deus, da qual Saul era conhecedor, já ensinava, como hoje, que “os mortos nada sabem”. Um demônio, portanto, com a aparência de Samuel, sobe, como se fosse ele, que “voltava da morte”. A palavra “subir”, neste caso, tem conotação claramente espírita, e é entendida como sendo “trazer dentre os mortos”. Esta mesma expressão e entendimento é confirmada pelo texto abaixo, já com a palavra abismo, inclusa:
“Mas a justiça que é pela fé diz assim: Não digas em teu coração: Quem subirá ao céu (isto é, a trazer do alto a Cristo)?Ou: Quem descerá ao abismo (isto é, a tornar a trazer dentre os mortos a Cristo)?” Romanos 10:6 e 7.
Algumas afirmações e aplicações interessantes são encontradas sobre a besta ou o “oitavo” da profecia, no capítulo 13 do mesmo Apocalipse, que trata deste personagem com mais detalhes:
“E vi uma de suas cabeças como ferida de morte, e a sua chaga mortal foi curada; e toda a terra se maravilhou após a besta.” Apocalipse 13:3
João Paulo Segundo (JPII), enquanto ainda era a “sexta” cabeça, foi vítima de tentativa de assassinato em 13 de maio de 1981, e quase morreu, mas, a ferida mortal foi curada. Após este acidente, a terra toda, como nunca dantes, se maravilhou após ele. Não houve um papa que conquistasse tanta simpatia entre os que “habitam na terra”, como JPII. Presidentes, Reis, Rainhas, Governantes, Estadistas, todos se inclinaram a este poder…, e toda a terra se maravilhou após a besta.
Assim, a conclusão a que nos leva a profecia é a de que:
A Renúncia do Papa Bento XVI e o Apocalipse 17
A Renúncia do Papa Bento XVI e o Apocalipse 17
A profecia ainda diz:
“E foi-lhe dada uma boca para proferir grandes coisas e blasfêmias; e deu-se-lhe poder para continuar por quarenta e dois meses. Apocalipse 13:5
Assim como a besta subiria do abismo, ou ainda como, o oitavo seria dos sete, com uma conotação clara de que já fora antes, também encontramos aqui um “continuar” por 42 meses.
E naquele que parece ser o mais contundente dos textos:
“Aqui há sabedoria. Aquele que tem entendimento calcule o número da besta, porque é número de homem; e o seu número é seiscentos e sessenta e seis.” Apocalipse 13:18
A palavra sabedoria é encontrada fazendo o elo de ligação entre a besta de Apocalipse 17 e a de Apocalipse 13. Mas, além do texto ser específico quanto ao número 666 pertencer a um homem, como já vimos anteriormente, o mesmo texto nos dá uma pista com a qual se pode localizá-lo. Se o Senhor nos manda calcular o número da besta, o melhor que se pode fazer é literalmente calculá-lo. Mas como? João está na ilha de Patmos, uma ilha romana. Na época, os Romanos eram os perseguidores dos judeus e da igreja de Cristo. Roma, como vimos, preenche os requisitos da localização geográfica como a “cidade das sete colinas”. A língua oficial da Igreja Católica é o latim, e os números romanos são conhecidos por todos pelos valores numéricos atribuídos às letras. Temos então que:
I O A N E S
P A V L V S
P A P A
S E C V N D O
1 - - - - -
- - 5 50 5 -
- - - -
- - 100 5 - 500 -
500 + 100 + 50 + 5 + 5 + 5 + 1 = 666
A profecia aponta indubitavelmente para João Paulo II, ou uma contrafação demoníaca que enganaria se possível os próprios eleitos de Deus, marcando o início de uma perseguição violenta aos cristãos como ainda não houve sobre a face da Terra, culminando na volta do Senhor Jesus. E é este acontecimento que, mais importante que qualquer outro, deve ser ressaltado. A profecia indica um tempo muito curto para o pontificado do papa Bento XVI, que hoje reina sobre a grande Babilônia. Depois dele, a besta, em algum momento, recebe 42 meses, ou 3 anos e 6 meses de poder. O dragão (Satanás) empresta por três anos e seis meses seu poder àquele que reina sobre sua igreja, enquanto Deus concede aos Seus servos, ou à Sua igreja, igualmente 3 anos e 6 meses de poder, assim como fez com Elias, João Batista e o próprio Jesus, que pregaram por 3 anos e meio.
O sétimo “rei”, ou o papa Bento XVI, tem hoje mais de 80 anos. Quanto tempo poderá durar no poder? Saindo ele, a besta, ou o oitavo “rei”, virá, e implantará três anos e meio de perseguição. Desse mesmo é dito que vai à perdição, de onde não será difícil entender que o mesmo será destruído pela volta do Senhor Jesus, conforme vemos em Sua palavra:
”… e, então, será revelado o iníquo, a quem o Senhor desfará pelo assopro da sua boca e aniquilará pelo esplendor da sua vinda.” 2 Tessalonicenses 2:8
Entende, amado irmão, quão próxima está a vinda de Nosso Senhor Jesus? É por isso que colocamos diante de você estas profecias. Muito acima das bestas, chifres, reinos e poderes, levanta-se a inquestionável evidência da brevíssima volta de Jesus.
“Certamente o Senhor JEOVÁ não fará coisa alguma, sem ter revelado o seu segredo aos seus servos, os profetas.” Amós 3:7.
Vejam também:
Estudo concedido pelo Ministério – A Verdade Sobre o Fim

domingo, 20 de janeiro de 2013


O DISCURSO DE PROSPERIDADE FINANCEIRA DA RELIGIÃO NA TEVÊ


1 INTRODUÇÃO
Ao longo de dois mil anos de história da religião cristã, a “igreja”, comunidade
dos fiéis cristãos, destaca-se por sua segmentação, vertência e acúmulo de fenômenos
socioculturais. Dentre tantos, a “conversão” do imperador Constantino, no Século IV, marcou
a nova conjuntura: fé, história e política. Vem a Idade Média . Rompe o Protestantismo1.
Surge o Pentecostalismo2, uma nova maneira de ser cristão e que tem na Tevê o seu mais
eficiente meio de divulgação e agregação de fiéis. O Pew Fórum on Religion in Public Life,
uma instituição norte-americana especializada em assuntos religiosos, afirma que: “cerca de
18% da população brasileira é hoje constituída por crentes pentecostais”3 (2008). Dentre as
marcas desse movimento no Brasil, citamos as principais: a ênfase em exorcismos, curas
divina e promessas de prosperidade financeira aos fiéis.
Minha contribuição consistirá em observar esta última característica desse
movimento e refletir sobre como as promessas de prosperidade financeira4 funcionam da
discursividade do fiel e do pastor. Meu objetivo será o de analisar o fenômeno religioso
deslocado do seu lugar de enunciação, isto é, na televisão. Desse processo, interessa-me
captar os elementos que possibilitem observar a enunciação em seus simbolismos e jogos, ou
não jogos, de sentido.
Tendo como referencial os dizeres e não-dizeres dos pastores e fieis, pretendo
observar o fenômeno em sua possível historicidade. Minha primeira hipótese é que se o
ambiente da fé é capaz de estancar a dispersão de sentidos e interpretações, a fé editada num
programa de Tevê é muito mais.
Apenas para pontuar, quero destacar que o foco deste trabalho não é o discurso
religioso fora do ambiente televisivo. Mesmo que os acontecimentos religiosos, como os
depoimentos de sucesso financeiro, tenham ocorrido na esfera do templo, o elemento que se
1 O Protestantismo ou Reforma Protestante ocorreu na Europa no século XVI. O movimento marcou a ruptura
do cristianismo ocidental.
2 O Pentecostalismo ou Pentecostalismo Clássico se iniciou em 1906 nos Estados Unidos. O
Neopentecostalismo é uma segmentação pentecostal que surgiu na década de setenta. Alguns, os próprios
neopentecostais, ainda preferem ser chamados de pentecostais.
3 Os termos “pentecostal” e “neopentecostal” serão usados intercambiavelmente para qualificar a vertente
neopentecostal do Pentecostalismo.
4 As expressões “teologia da prosperidade” e “teologia do sucesso financeiro” serão usadas como sinônimos
nesta pesquisa. Outras designações como “confissão positiva” ou “palavra da fé” também são sinônimas de
teologia da prosperidade, porém não as utilizaremos.
11
sobrepõe, agora, é que na Tevê o produto sagrado decorreu de edição, desintegrando ainda
mais sua historicidade. E assim, nessa imbricação religiosa-televisiva não verifico apenas um
sujeito-fiel, mas um sujeito-fiel-telespectador.
Atravessando essa questão, outra abordagem essencial será a observação da
linguagem no processo de constituição do sujeito religioso. Chamo a atenção para a maneira
como os pastores se posicionam discursivamente e incidem sobre os fiéis, conduzindo-os a
um falar de dois tempos: um passado de fracasso, um presente de sucesso financeiro na IURD
(Igreja Universal do Reino de Deus).
Para o desenvolvimento da análise, contarei com os pressupostos formulados pela
análise do discurso de linha francesa, pautada pelo viés peuchetiano, sobretudo no que
concerne à teoria interpretada e difundida por Eni Orlandi.
Metodologicamente para analisar as formas discursivas e os modos de tornar-se
sujeito ou de assujeitar-se, dedico maior atenção aos enunciados produzidos pelo pastor e pelo
fiel. Destacarei também algumas indicações de silenciamentos discursivos.
Tendo essa instalação delineada, efetuarei a análise do discurso religioso
apresentando o corpus constitutivo do material analítico veiculado pela programação religiosa
da IURD, na Rede Record, entre os dias 23 e 27 de março de 2008. Dois programas serão
transcritos na íntegra e estarão disponíveis em anexo: “Vigília das Grandezas de Deus” e
“Saindo da Crise”, transmitidos na quarta-feira, dia 25 de março de 2009, respectivamente às
duas e às duas e trinta horas da madrugada. Interessa-me, sobretudo, os modos enunciativos
de propagação do discurso da prosperidade.
Para a proposta desta dissertação, seguirei uma estrutura textual composta por
cinco capítulos, assim encadeados: no primeiro temos a introdução da obra.
O segundo capítulo estabelece alguns apontamentos históricos e teológicos.
Discutirei, a partir do Antigo Testamento, a origem judaica das práticas de ofertas na Bíblia.
Seguirei com o cristianismo neotestamentário, observando as conjunturas que regularam a
prática das ofertas financeiras. Também, nesse capítulo, visando apontar alguns elementos da
teologia da prosperidade pentecostal, farei um apanhado histórico a partir do conceito
protestante de vocação.
O terceiro capítulo discute a produção de sentido na Tevê, investigando
funcionalidades como as condições de produção do discurso religioso. Além disso, também
apontarei os conceitos de memória, noções de rede, interdiscurso, formação discursiva,
sempre atentando para as regularidades enunciativas e os efeitos de sentido que o discurso
televisivo pode produzir.
12
No quarto capítulo trago o filósofo judeu Baruch Spinoza para abrir espaço para
uma investigação que observa os sujeitos e os assujeitamentos discursivos. Destaco os efeitos
de interlocução que suprimem, controlam, homogeneizam e interditam significações. Aqui,
penso nos sujeitos discursivos e nos traços ideológicos enunciativos.
O último capítulo, a conclusão, procura fechar todas as formulações na idéia de
um pensar sobre o religioso na Tevê. Dessa forma, no ajuntamento de teorias que serviram de
amparo à análise, farei as observações dos resultados obtidos. É assim que buscarei ressaltar,
a partir do desenvolvimento analítico, como esta pesquisa pode proporcionar uma reflexão e
construção de alinhamentos importantes ao discurso religioso nos seus modos de tomar o
sujeito (interlocutor). Ou, doutro modo, pensarei em como os possíveis deslocamentos que
circundam a temática finanças no discurso e ideologia neopentecostal podem incidir de algum
modo no interlocutor.
Meu objetivo neste trabalho relaciona-se com aquilo que Eni Orlandi destaca:
“Pretendemos não estar falando de nossa crença ou descrença religiosa, mas sim de um objeto
de conhecimento: O Discurso Religioso” (1987, p.8). Por outro lado, porém, não ignoro o
campo religioso neste pensar-pesquisar filosófico, pois como ressalta Michel Foucault:
“Lógica, moral, estudo da natureza, teologia – ou discurso sobre o divino – são os quatro
elementos fundamentais em que a filosofia se distribui” (2006, p.211). Em tudo, com efeito,
não pretendo confinar o discurso religioso ao campo teológico, nem mesmo reduzi-lo à
linguagem ou à filosofia, mas, a partir de uma discursividade acessível a qualquer domínio,
quero revisitar sua fenomenologia, fazendo novas leituras por novos olhares.
13
2 CRISTIANISMO E FINANÇAS: UM POUCO DE HISTÓRIA E TEOLOGIA
A análise da religião cristã e das suas demandas discursivas requerem uma série
de cuidados conceituais e teológicos, pois a multiplicidade de segmentações ao longo da
história se configuram numa complexa conjuntura social, política e religiosa.
Os cristãos reivindicam um livro ou, pode-se dizer, um conjunto de livros
sagrados, a Bíblia, que se caracteriza por duas grandes alianças de Deus com os homens: a
“Antiga” e a “Nova”, sendo essas também chamadas de Testamentos. O conteúdo do Antigo e
Novo Testamentos compreende mais de sessenta livros sagrados, que, entre tantos gêneros
textuais, se manifestam por poesia, carta, profecia, lei, narrativa, etc. O processo de
delimitação dos livros do cânon bíblico não foi empreendido de modo estanque. De acordo
com um cristianismo mais conservador, sua revelação ou confecção escriturística foi
progressiva, ao longo de aproximadamente 1.600 anos, e multi-autoral, aproximadamente
trinta autores diferentes.
Sobre esse livro sagrado, Michel Foucault comenta:
É um traço geral, um princípio fundamental, que o sujeito enquanto tal, do modo
como é dado a si mesmo, não é capaz de verdade. E não é capaz de verdade,
contudo, a não ser que ele efetue em si mesmo certas operações, certas
transformações e modificações que o tornarão capaz de verdade. Creio que este é um
tema fundamental, e que nele o cristianismo muito facilmente achará seu lugar,
acrescentando-lhe, bem entendido, um elemento novo, não encontrado na
Antiguidade, a saber, que dentre as condições há a relação com o Texto e a fé em
um Texto revelado, o que, evidentemente, não constava antes. Afora isto porém a
idéia de uma conversão, por exemplo, como unicamente capaz de dar acesso à
verdade, é encontrada em toda a filosofia antiga (2006, p.234).
De grande estima é a Bíblia, que para os cristãos é o Texto revelado. Todos os
seus mais nobres valores são oriundos das interpretações desse livro. Dentre tantos temas que
norteiam a Bíblia, aquele da oferta, que inclui a prática de dízimos e sacrifícios, enquadra-se
como um dos elementos mais expressivos da religiosidade judaico-cristã. Destacadamente, as
ofertas observadas pelos grupos cristãos já não implicam mais em práticas cerimoniais que
consistem na execução de animais como cordeiros, bodes e pássaros. Segundo os cristãos,
desde a morte de Jesus Cristo e o início da igreja, as ofertas não requerem mais a morte de
animais ou pessoas, pois outros elementos foram incorporados a essa prática, substituindo o
objeto de dedicação. Dentre tantos, mencionamos a oferta de bens materiais, produtos da terra
e financeiras.
14
Convém destacar que durante o século quarto a religiosidade cristã foi marcada
por uma nova configuração sócio-religiosa. Jessé Lyman Hurlbut (1843-1930), historiador
metodista americano, em seu livro História da igreja cristã, inserta:
[...] os cristãos que durante tanto tempo estiveram oprimidos, de forma rápida e
inesperada, por assim dizer, passaram da prisão para o trono. A igreja perseguida
passou a ser a igreja imperial. A Cruz tomou o lugar da águia como símbolo da
bandeira da nação e o Cristianismo converteu-se em religião do Império Romano
(1990, p.16).
Após a institucionalização da igreja e o apóio imperial, no século IV, os cristãos e
as suas ofertas, periodicamente, em maior ou menor proporção, passaram a contar, de modo
mais velado, com o incentivo, supervisão e vigilância da liderança eclesiástica nesse quesito.
Evidentemente, na maior parte dos casos, essa liderança era também a principal receptora e
gastadora das ofertas dos fiéis.
2.1 DÍZIMOS E OFERTAS NA BÍBLIA
As ofertas e sacrifícios a Deus são marcas características da religiosidade judaicocristã.
Entre os vários elementos que constituem a teologia das ofertas na Bíblia, faremos
apenas uma única distinção relacionada com a prática das ofertas dos fiéis. Para fins
conceituais, chamaremos de “ofertas diretas a Deus” e “ofertas a Deus intermediadas por
mediadores”.
A primeira realça a fé individual ou coletiva que se expressa a Deus por meio de
ofertas realizadas sem a intermediação de nenhum sacerdote. É o que encontramos na Bíblia
em textos como Gênesis 4, a oferta dos irmãos Caim e Abel; em Gênesis 9, a oferta de Noé; e
em Gênesis 12, a oferta de Abraão.
A segunda, porém, a mediada por sacerdotes humanos, envolve terceiros no
trânsito das oferendas. O fiel que desejava entregar a sua oferta a Deus deveria recorrer a um
líder espiritual autorizado que por meio de um determinado rito faria a dedicação da oferta.
Na Bíblia, esse tipo de oferta se iniciou com Moisés após a delegação da Lei e a instituição do
sacerdócio levítico. Os integrantes desse sacerdócio eram os sumo-sacerdotes, os sacerdotes e
15
os levitas, todos membros de uma das doze tribos de Israel, a de Levi, que não recebeu
herança nem terra, pois sua possessão era apenas o Senhor e o serviço religioso.
Foi apenas no período da legislação mosaica que surgiu o dízimo e as ofertas
passaram a ser, na sua grande maioria, compulsórias, ou seja, deixaram de ser ofertas e se
tornaram imposto de renda. Logo, a manutenção do sacerdócio levítico dependeria do
pagamento obrigatório de taxas sobre produtos, rendas e festas judaicas.
De acordo com o teólogo protestante americano Russell Norman Champlin em
sua Enciclopédia de Bíblia Teologia e Filosofia: “Sob a dispensação do Antigo Testamento,
os privilégios religiosos exigiam a décima parte das rendas de uma pessoa, com vistas à
manutenção da adoração e do sistema religioso, e também para benefício dos pobres” (1995,
p.203).
2.2 CRISTIANISMO E PROSPERIDADE
Nos primeiros três séculos de história da igreja o cristianismo sofreu
profundamente com a antipatia dos judeus e do império romano, sendo esporadicamente
perseguido por eles. Os cristãos se configuravam em comunidades simples; sem grandes
atrativos externos; sem templos; nem líderes assalariados; para cultuarem, reuniam-se em
casas e, às vezes, durante perseguição, até em catacumbas.
O cristianismo pré-constantiniano5 era marcado por voluntariedade. Não existia
mais o dízimo e nem as ofertas compulsórias, pois a igreja compreendia que, com a vinda do
Messias, o sacerdócio levítico fora substituído pelo sacerdócio de Cristo que era segundo a
ordem de Melquisedeque (Hebreus 7). O ministério levítico e todo o serviço sagrado
desapareceram definitivamente com a destruição do templo de Jerusalém pelo general Tito no
ano 70 d.C. Champlin menciona que: “É evidente que Jesus reconhecia a natureza obrigatória
dos dízimos, no caso da nação de Israel, mas está longe de ser claro que isso envolva até
mesmo a Igreja Cristã” (1995, p.202). E continua: “O fato, porém, é que o Novo Testamento
não nos dá qualquer instrução direta sobre a questão dos dízimos, embora frise a questão da
5 No século IV, Constantino tornou-se o primeiro imperador romano cristão. Com ele, os cristãos usufruíram
das benesses imperiais. Muitos teólogos nomeiam os três primeiros séculos da história da igreja, ou seja, o
período anterior à conversão do imperador Constantino ao cristianismo, como o período pré-constantiniano.
16
generosidade, uma parte da lei do amor, no tocante a todas as nossas ações e culto religioso”
(CHAMPLIN, 1995, p. 203).
Foi apenas Cipriano (200-258 d.C) quem, pela primeira vez, levantou
questionamentos sobre a prática de sustentar financeiramente os líderes da igreja.
Ele arrazoava que da mesma forma que os levitas foram sustentados pelo dízimo,
assim também o clero cristão deveria ser sustentado pelo dízimo /.../. O pedido de
Cipriano foi bem incomum naquele tempo. Tanto que não foi apoiado nem
divulgado pelo povo cristão naquele momento, mas muito tempo depois (VIOLA,
2005, p.103).
Franck Viola destaca que “Além de Cipriano, nenhum outro escritor cristão antes
de Constantino utilizou referências do VT para recomendar o dízimo” (2004, p.103). E apesar
de no século quarto, no início da era constantiniana, alguns cristãos defenderem a prática do
dízimo para sustentar o clero, isso não foi comum até o século VIII.
Viola (2005, p.104) comenta:
Pelo fim do século X, a diferença do dízimo enquanto imposto de renda e
mandamento moral apoiado no Antigo Testamento havia desaparecido. O dízimo
tornou-se obrigatório ao longo da Europa cristã. Em outras palavras, antes do século
VIII, o dízimo era um ato de oferta voluntária. Mas pelo fim do século X, ele passou
a ser uma exigência legal para sustentar a Igreja Estatal – exigida pelo clero e
colocada em vigor pelas autoridades seculares.
Ao longo dos anos, com a necessidade de recursos financeiros para construir os
templos, os mosteiros e a vida religiosa em geral, a liderança cristã passou a exigir as ofertas
dos fiéis, principalmente os dízimos. Todas essas exigências, porém, eram delineadas como
elementos essenciais aos fiéis que, com amor, fé e obediência aos mandamentos, deveriam
manter os seus líderes espirituais e as atividades da igreja.
Um fenômeno interessante da história da igreja foi que em dez séculos as ofertas
passaram da voluntariedade à compulsão e a igreja institucionalizada veiculou uma nova
injunção da textualidade bíblica e do sacerdócio levítico do Antigo Testamento.
No século XVI, o monge agostiniano Martinho Lutero, desdenhando práticas
cristãs populares como a cobrança de indulgências, expressou a sua oposição para com o clero
e a religiosidade medieval, tornando-se um dos precursores do movimento conhecido como a
Reforma Protestante.
Um dos elementos constitutivos da teologia de Lutero e dos demais protestantes,
também conhecidos como reformadores, foi o seu conceito de vocação. Segundo eles, o
17
cristão deveria ser próspero, porém prosperidade significava uma plena realização individual
e social, uma completa satisfação em Deus e nos seus desígnios. Com efeito, qualquer
vocação, seja a de um pedreiro ou a de um médico, deveria ser desempenhada com alegria e
satisfação, sabendo que a glória de Deus seria a marca de uma vida bem-sucedida. Também
devemos lembrar que prosperidade no século XVI não implicava necessariamente
prosperidade financeira, mas poderia incluí-la. É assim que os protestantes que tanto
questionaram as práticas e os abusos do cristianismo medieval estavam, agora, se alinhando
aos elementos financeiros: no caso, os dízimos e as ofertas.
A colonização da Nova Inglaterra foi fortemente influenciada pela colonização
inglesa puritana6, que, devido às fortes perseguições aos cristãos protestantes na Inglaterra,
sentiram-se atraídos pelo Novo Mundo, levando para lá não apenas suas famílias, mas
também seus valores, crenças e religião.
Antônio Gouveia Mendonça (1984, p.43) comenta que:
Os protestantes americanos podem ser divididos nas duas grandes linhas mestras
procedentes da Reforma: luteranos e calvinistas. Os primeiros se organizaram entre
si procurando viver sua piedade e não se preocupando em ser o “sal da terra”. Os de
linha calvinista, os primeiros a chegar à nova terra, dadas as circunstâncias próprias
do sentido calvinista e puritano da vida e dos fatores que condicionaram
historicamente o seu êxodo da Inglaterra para as colônias, sentiam-se responsáveis
pela ordem das coisas na sociedade. De modo que se pode dizer que a construção na
nacionalidade americana, no seu espírito, está intimamente ligada ao calvinismo
considerado em todas as suas variantes. Eficácia e bom êxito na ação como sinais do
beneplácito divino são as velhas normas do espírito calvinista e, seguramente, foram
elas que involucraram o ideal dos construtores de um novo esquema de vida social
no solo americano.
É na América do período industrial que o conceito calvinista de vocação, que tão
fortemente influenciou a sociedade norte-americana, é deslocado e revisitado. Na ordem da
esfera social, com efeito, os conceitos se dispersam e se atravessam. É dessa forma que
prosperidade vocacional torna-se prosperidade financeira, emergindo o capitalismo que,
segundo Max Weber em O capitalismo e o espírito do protestantismo, é um dos filhos da
Reforma. Weber também descreve que para os calvinistas “o trabalho é considerado uma
vocação, torna-se atividade religiosa”. (1996, p.59).
Mais tarde no século XX, na periferia de Nova Iorque, nasce o Pentecostalismo,
um movimento decorrente do evangelicalismo americano que rompe com o protestantismo
6 Eram os calvinistas da segunda geração. Os calvinistas eram os cristãos protestantes oriundos da Reforma.
João Calvino, contemporâneo de Lutero, foi o reformador de Genebra, Suíça. Suas obras, principalmente as
Institutas para a Religião Cristã, fundamentaram a teologia protestante em toda a Europa, inclusive a
Inglaterra.
18
calvinista e apresenta uma nova configuração da religiosidade cristã. Esse movimento seria
pontuado por uma manifestação extática distintiva conhecida como glossolalia7.
No Brasil, o Pentecostalismo foi veiculado, principalmente, pela igreja
Assembléia de Deus que se caracterizou como um movimento religioso entre os pobres da
sociedade. Sobre isso, Hurburt menciona que “predominando nas zonas rurais e no interior,
procurando alcançar, sobretudo, as classes sociais mais humildes” (1990, p.232). Apesar
disso, porém, os fiéis ainda deveriam trazer suas ofertas e pagar os seus dízimos que eram
compulsórios, pois isso evidenciaria uma espiritualidade cristã exemplar.
Com efeito, a prática do dízimo cristão chegou à modernidade como um parasita
tão impregnado ao Cristianismo que hoje sua existência está fatidicamente condenada a
permanecer. Tratando-se de religião, esse fenômeno demarca o rito, que, segundo Eduardo
Guimarães (apud ORLANDI, 1987, p.89), em Credo ou Creio, funciona assim:
[...] é para tentar evitar a história que se ritualizam as situações. Esta ritualização é a
ação da Instituição para cristalizar uma enunciação como algo a-histórico, com
sentido imutável, independentemente, portanto, do sujeito da enunciação na sua
inserção social. Este funcionamento da enunciação desempenha, no religioso, papel
crucial.
Aproximadamente setenta anos após o início do Pentecostalismo, tendo o rito:
dízimo na bagagem e trazendo no bojo novas propostas de ritualização no campo financeiro,
surge a chamada terceira geração de pentecostais, o Neopentecostalismo, que apresenta como
aspecto central de sua discursividade a teologia da prosperidade financeira. Diacronicamente,
esse elemento pode ser identificado como um deslocamento do conceito vocacional
protestante da glória de Deus para a premiação financeira; ou mesmo como um deslocamento
da linguagem de mercado que retoma o ambiente religioso.
A teologia da prosperidade financeira, porém, sobrepõe em muito a questão de se
as ofertas financeiras são voluntárias ou compulsórias, ou se os dízimos devem ou não serem
práticas eclesiásticas hodiernas. Ela abrange uma discursividade e leitura que incide não
somente sobre a subjetividade do fiel, mas também sobre o próprio Jesus, o Cristo, sendo esse
7 “Essa é uma palavra grega que significa: ‘falar em línguas’. Refere-se a um tipo de declaração estática,
algumas vezes formada de sílabas sem sentido, mas sempre envolvendo alguma língua antiga ou moderna,
humana ou angelical. Esse fenômeno tem uma história antiga no campo da religião ou mesmo fora dele.
Trata-se de um fenômeno que o cérebro é capaz de produzir. Mas, nesse caso, apesar de muito agitar a
pessoa, – não é sinal de qualquer experiência religiosa profunda. – Acresça-se a isso que é perfeitamente
possível uma pessoa ter uma profunda experiência mística ou religiosa, sem qualquer sinal de línguas.
Quando válidas, entretanto, as línguas não são apenas um ponto no qual uma pessoa assumiu um poder
superior, para capacitá-la a cumprir melhor sua missão. Pode ser o sinal ou o acompanhamento de uma
profunda experiência espiritual, que confere a um homem uma maior espiritualidade” (CHAMPLIN, 1995,
p.917).
19
o próprio articulador de tal compreensão. Essa teologia se concentra numa conjuntura
hermenêutica que procura fazer com que o Texto revelado cristão gire em torno de um eixo de
bênção e maldição que provêm da aceitação ou rejeição da perspectiva que a teologia da
prosperidade propõe.
Paulo Romeiro, doutor em Ciências da Religião pela Universidade Metodista de
São Paulo, em seu livro Supercrentes: o evangelho segundo Keneth Hagin, Valnice
Milhomens e os profetas da prosperidade, traz a declaração de John Avanzini8, um dos
principais proponentes desta teologia, quando este pregava seu sermão baseado no famoso
milagre da multiplicação dos pães realizado por Jesus:
[...] Filho de Deus, Jesus não andou em pobreza. Leia cuidadosamente a alimentação
dos cinco mil. Quando eles viram os cinco mil, literalmente disseram isto. Agora, eu
sei o que os teólogos farão com isso, mas eu não estou tentando impressionar os
teólogos. Estou tentando impressionar pessoas que querem saber o que a Palavra de
Deus diz. Estou tentando colocar alguma verdade em seu espírito. E você lê a
narrativa, e ela literalmente diz: “O discípulo disse: ‘Compraremos comida e
alimentaremos todos estes?’ E eles disseram: ‘Duzentos dinheiros seriam
necessários para alimentar a todos. Iremos nós comprar a comida?’” Eles tinham o
dinheiro na bolsa para alimentar cinco mil, mais as mulheres e crianças. Estou lhe
dizendo, Jesus não liderou um ministério de pobreza (2007, p.67).
Um aspecto importante destacado por Romeiro é o fato que os teólogos da
prosperidade fazem uma “nova” leitura da Bíblia a partir do sucesso financeiro. Isto não se
relaciona apenas ao desafio do fiel em nossos dias, mas também traz uma perspectiva que
remonta ao próprio ministério de Jesus e dos discípulos em sua práxis. Para eles, Jesus, a
partir da própria subjetividade, é alguém que está comprometido com o sucesso financeiro dos
seus discípulos “ontem”, no registro bíblico de dois mil anos atrás, e “hoje”, pela
transcendência que atua no crente e na igreja “neopentecostal” pós-moderna.
Paulo Romeiro ainda cita outra declaração de Avanzini9:
Jesus estava administrando muito dinheiro, pois o tesoureiro que ele tinha era um
ladrão. Agora, você não vai me dizer que um ministério com um tesoureiro ladrão
pode operar apenas com poucos centavos. Era necessário muito dinheiro para operar
aquele ministério, pois Judas estava roubando da bolsa (2007, p.67-68).
Robert Tilton10, propagador da teologia da prosperidade nos Estados Unidos e que
já esteve no Brasil, assevera:
8 John Avanzini, gravado 14/12/1991, no programa Believer’s Voice of Victory.
9 John Avanzini, gravado em 15/07/1988, no programa Praise The Lord, da Trinity Broadcasting Network.
10 Robert Tilton, gravado em 27/12/1990.
20
[...] Esta Bíblia é um livro de prosperidade! [...] A única vez em que as pessoas
foram pobres na Bíblia foi quando elas estiveram sob uma maldição. E a única razão
de terem estado sob maldição é porque não ouviram e não fizeram o que Deus lhes
dissera que fizessem (apud ROMEIRO, 2007, p.68).
Não é a toa que o próprio jornal Mensageiro da Paz, do maior grupo pentecostal
clássico do Brasil, a Assembléia de Deus, destaca: “A teologia de prosperidade é um dos
ensinamentos propalados pelo neopentecostalismo que se desvirtua totalmente da ortodoxia
bíblica e coloca Deus apenas como um “gênio da lâmpada de Aladin” (2009, p.4).
Sendo assim, podemos perceber um pouco da amplitude da teologia da
prosperidade financeira no bojo neopentecostal. Certamente, ela não é apenas um mero
desenvolvimento do conceito de vocação do Protestantismo da Reforma. De fato, ela
apresenta um leque interpretativo muito abrangente que exige uma nova leitura da vida de
Jesus e dos seus discípulos e da vida eclesiástica primitiva e atual.
2.3 O CRENTE “NEO11”
Nossa pesquisa se dedica a estudar o magnetismo da imbricação neopentecostal.
Este movimento se caracterizaria por elementos de retomada e apagamento tanto do
Protestantismo quanto do próprio Pentecostalismo, postulando uma nova conjuntura da
religiosidade cristã.
É muito importante, inicialmente, destacarmos que o próprio movimento
pentecostal não é simpático com o movimento neopentecostal, às vezes tem, até mesmo,
expressado forte oposição através de seus meios de comunicação. É isso que observamos pela
igreja Assembléia de Deus no Brasil no seu jornal Mensageiro da Paz. A matéria de capa do
mês de Abril de 2009 tem como título: Deturpações do pentecostalismo se popularizam e
preocupam, e sub-título: Especialistas apontam a existência de fragmentações dentro do
11 Por crente “neo”, nos reportamos ao crente neopentecostal. Este modo sintetizado de mencionar, “neo”, é
uma maneira informal que os crentes protestantes não pentecostais têm para se referir a um neopentecostal.
Quando algum cristão de alguma igreja histórica começa a se afeiçoar a algum aspecto mais emotivo da
teologia pentecostal, ou começa a apresentar traços muito supersticiosos, como, por exemplo, super-ênfase na
possibilidade de milagres hoje, então, de modo irônico, pode surgir uma chocarrice do tipo: “Não vai dizer
que você virou “neo”?! ou “Tas muito neo, hein?!”. Neste tópico nos propormos a enumerar elementos
conceituais e sociais que sinalizam alguns aspectos da força do movimento neopentecostal no Brasil.
21
pentecostalismo que comprometem a ortodoxia bíblica e a saúde do movimento. Eles
introduzem este artigo com o seguinte texto:
O Movimento Pentecostal, que ganhou repercussão mundial a partir do início do
século 20, entrou no século 21 fragmentado em pequenos outros movimentos que
são identificados por teólogos, sociólogos e especialistas como tendo em comum o
fato de se distanciarem das raízes bíblicas que moldaram o perfil teológico dos
primeiros pentecostais. Hoje, além do pentecostalismo clássico, que ainda mantém
essas raízes, há ainda o neopentecostalismo, o pós-pentecostalismo, o
deuteropentecostalismo e até o pseudopentecostalismo, que divergem dessas raízes e
alguns deles são considerados movimentos nocivos para a saúde do Movimento
Pentecostal em nossos dias (2009, p.4).
Como destacado, a igreja Assembléia de Deus no Brasil estabelece juízos de valor
entre as várias modalidades de Neopentecostalismo. Esta discriminação procura ressaltar que
há grupos neopentecostais que rompem drasticamente com o Pentecostalismo Clássico.
Ao pensarmos sobre o Neopentecostalismo no Brasil, observamos a força desse
movimento que pode ser evidenciada pela capacidade de alcançar as massas; de projetar
políticos e de adquirir patrimônio: isso inclui prédios, teatros, cinemas, emissoras de rádio e
redes de televisão, as quais seriam ocupadas por programação evangélica, inclusive em
horários nobres. Dentre as principais representações do movimento no Brasil, destaca-se a
Igreja Universal do Reino de Deus, do bispo Edir Macedo; a Igreja Internacional da Graça de
Deus, do missionário R.R.Soares, e a Igreja Mundial do Poder de Deus, do apóstolo
Valdemiro Santiago.
O crescimento dos prosélitos pentecostais na América Latina sempre foi uma das
marcas distintivas deste movimento. Earle Cairns, historiador americano e professor emérito
do Wheaton College em Wheaton, Illinois, destaca:
[...] os pentecostais, que, entre os protestantes, foram os últimos a chegar à América
Latina, são as denominações que crescem mais rapidamente, e, em geral,
representam pelo menos dois terços dos evangélicos no continente. (1995, p.448-
449).
A revista Época do dia 25 de maio de 2009 dedicou boa parte de sua edição para
refletir e fazer projeções sobre o Brasil de 2020. Dentre os vários artigos relacionados com o
tópico, um deles, de Fernandes Nelito, que refletia sobre a religião, apresentou o título:
“Metade do Brasil será evangélica?”. A revista citou a projeção realizada pela Sepal (Serviço
de Evangelização para a América Latina), uma organização protestante, e mencionou que
“metade dos brasileiros será evangélica em 2020”.
22
Segundo Nelito:
A projeção baseia-se na premissa de que a taxa de crescimento dessa religião na
próxima década continue a mesma dos últimos 40 anos. Em 1960, os evangélicos
eram apenas 4% da população. Hoje, na falta de estatísticas recentes, estima-se que
sejam quase 24%. Agora os estudiosos do Sepal prevêem que em 12 anos essa
proporção poderá dobrar. Seria um salto enorme (2009, p.122).
De acordo com a Sepal, o protestantismo manifestou um expressivo crescimento
nos últimos quarenta anos. Não obstante, este crescimento se explica, em grande parte, pelo
surgimento do neopentecostalismo, que cresce em proporções impressionantes. Neste ponto
cabe ressaltar que o protestantismo histórico, formado por igrejas não-pentecostais, encontrase
em solo brasileiro há mais de quatro séculos e tem implantado igrejas há quase dois séculos
através de presbiterianos, batistas, congregacionais, entre outros. Ao contrário do que
acontece com o movimento pentecostal e neopentecostal, as igrejas históricas apresentam um
crescimento mais lento e mantém uma taxa de crescimento uniforme quando contrastados
com o índice de crescimento demográfico do Brasil. É neste sentido que a projeção exposta
pela Sepal refere-se, especialmente, ao surto neopentecostal, que teve suas origens há
quarenta anos. O cristianismo de índices surpreendentes de crescimento é, basicamente,
produto do impacto da discursividade religiosa neopentecostal na sociedade brasileira. É
interessante notar que os próprios termos usados pela Época, “protestante” e “evangélico”,
ganharam significativa amplitude, tornando-se sinônimo do cristianismo “não-católico”. Em
suma, o protestantismo que está crescendo é o Neopentecostalismo.
Nelito ainda destacou:
A partir do crescimento numérico, outro fenômeno parece se delinear no horizonte:
o aumento da influência desses fiéis em todas as esferas da vida brasileira. Para
teólogos e antropólogos ouvidos por ÉPOCA, os evangélicos não vão apenas mudar
a sociedade brasileira. Eles mudarão com ela. A antropóloga Cheristina Vital, do
Instituto de Estudos da Religião (Iser), diz que a igreja evangélica caminha para uma
flexibilização. “Enquanto a Igreja Católica vai dizendo ‘não pode camisinha’, a
igreja evangélica vai se adaptando à sociedade. Essa flexibilidade é justamente o
fator de crescimento deles”, afirma. Os evangélicos adotaram regras menos rígidas e
passaram a buscar a religião não só como forma de subir aos céus, mas também de
alcançar a prosperidade. “O movimento adapta-se aos costumes, o que deverá
continuar nos próximos anos. Hoje já temos igrejas evangélicas que aceitam gays”,
diz Christina (2009, p.122).
Apesar da Época, no comentário acima, abranger todo o cristianismo evangélico,
as observações feitas refletem, consistentemente, a identidade neopentecostal em sua
flexibilidade, adaptabilidade e expectativas de alcançar a prosperidade. O Neopentecostalismo
é relativista, se adapta à sociedade e ao espírito pós-moderno, tendo uma mensagem que não
23
fere sutilezas, mas que propõe um produto pra vender, a fé. O protestantismo histórico, salvo
as igrejas que se “neopentecostalizam”, ainda é muito rígido tal como a Igreja Católica.
24
3 QUERO TEVÊ NA IGREJA!
O discurso da religião a partir da televisão é de grande opacidade, principalmente
porque há um enredar de lugares se sobrepondo, camadas sobre camadas, e, ainda mais, vozes
que incidem, que interditam. Apesar de serem distintos, Religião e Tevê são dois gigantes
discursivos, duas forças subjetivadoras.
A Tevê é uma jovem que ainda debuta nos palcos da sociedade. Sua aparição é
recente, mas sua influência é cabal, principalmente no ocidente. É o mais cobiçado aparelho
ideológico do neoliberalismo. Com ela, não há luta de classes, há homogeneização. É a
grande vendedora, congeladora, educadora, uma notável voz social. Sem dúvida, a Tevê é um
o mais eficiente meio de comunicação de massa, a mais bem-sucedida moldadora de
identidades e articuladora discursiva. Apesar de haver inúmeras discussões sobre se a Tevê
ainda continuará a ser um veículo de massa ou não, devido ao binômio fragmentação e
individualização, ela continua sendo o mais cobiçado meio comunicativo da pósmodernidade.
A religião, porém, é idosa, milenar. Seu triunfo é global. Ocidente e oriente se
curvam diante dela, mas também morrem por causa dela, matam por amor a ela. Multiplicamse
as religiões, os cristianismos, os pentecostalismos, os fanatismos, as censuras, mas não os
sentidos, as interpretações.
Nessa imbricação, religião e Tevê, mídia e fé, sagrado e mercado, pastor e
apresentador, fiel e telespectador, não há oposições. Foi-se o tempo em que os pentecostais
não viam Tevê. Agora, eles compram Tevê e também Redes de Tevê. Agora, religião e Tevê
se unem, jogam no mesmo time, dão as mãos em nome de Deus, pra glória do mercado. Esse
abraço de gigantes, essa grande opacidade constitui a nossa preocupação analítica.
Dessa forma, cabe a nós conferirmos essa perspectiva midiático-religiosa e
verificarmos alguns traços do seu engendramento. Por exemplo, quando pensamos no plano
espacial, não observamos apenas cultos religiosos em templos, há cultos, sim, porém
produzidos por meio de arte/edição; além de programação via estúdio. Quando pensamos no
plano temporalidade, não temos cultos ao vivo, historicizando, metaforizando e simbolizando,
mas temos um tempo alinear, metálico, cristalizado, regulável, estanque.
25
3.1 UMA NOVA MÍDIAÇÃO ENTRE DEUS E OS HOMENS
Charles Colson e Nancy Pearcey, em E agora como viveremos?, salientam que:
“as formas de comunicação de uma cultura são a maior influência que modela a forma de
pensar de um povo – até mesmo a maneira de pensarem a respeito de Deus” (2005, p.546).
Neste sentido, refletir sobre a produção discursiva pontuada pelo popular meio de
comunicação, a Tevê, exige de nós uma consideração concatenada ao abrangente leque
midiático.
Ismara Eliane Vidal de Souza Tasso, em seu texto Mídia televisiva e políticas
públicas de inclusão na pós-modernidade: igualdade, solidariedade e cidadania, observa:
Constituído de uma esfera “tecnológica”, o discurso da mídia televisiva desenvolvese
pela arte de saber fazer, de fazer e de articular, ao mesmo tempo, aparatos de
natureza instrumental e processual, nas dimensões verbais, visuais e sonoras, cujos
efeitos podem, a curto, longo e médio prazo, apagar, transformar, promover e
consolidar ideais modelares de sujeitos (apud NAVARRO, 2006, p.129).
Desde os períodos tribais à invenção do telégrafo, do rádio, do telefone, da
televisão e, ultimamente, da internet, os meios de comunicação vêm acompanhando a história
da vivência social. Em todo este desdobrar, também, tem-se observado o lugar dos veículos
midiáticos em sua instrução ideológica.
Marines Lonardoni citando Tony Schwartz assevera que: “Observadas as
transformações e inovações no campo da mídia como um todo, e refletindo sobre elas, há
quem as veja com um status maior, de divindade até, denominando-a de 'segundo Deus'”
(apud NAVARRO, 2006, p.113). E Lonardoni acrescenta: “O fato é que, no final do século
XX e início do século XXI, a mídia tem-se mostrado como um poderoso arsenal de
inculcação de modismos, conceitos e ideologias que acabam por transformar a vida da
sociedade” (apud NAVARRO, 2006, p.113).
Lonardoni também observa que
o produtor de um discurso, em especial o midiático, vale-se, além da construção dos
enunciados, dos aparelhos discursivos e ideológicos de que lança mão e dos
mecanismos disponíveis na língua, na sintaxe, na diagramação dos textos etc., para
construir discursos ideologicamente marcados. Nesse sentido, nenhuma escolha é
meramente casual (apud NAVARRO, 2006, p.120).
Toda a construção da discursividade midiática é categoricamente selecionada
visando seus fins ideológicos. Tratando-se de um discurso televisivo, isso inclui a construção
26
dos textos, dos enunciados, das falas, dos mecanismos lingüísticos, das imagens subjetivas
(Exemplos iurdianos: a imagem vitoriosa dos pastores; a felicidade triunfal dos fiéis que
obtiveram resultados de sucesso, etc.) e gráficas, da edição e, enfim, de cada elemento
significante da discursividade midiático-televisiva do programa apresentado.
Ao refletirmos sobre a mídia televisiva expressa pela programação religiosa da
IURD, não podemos ignorar outro elemento que pode configurar, ainda mais, para uma
instrução ideológica: a Rede Record de Televisão, que transmite os programas religiosos, é de
propriedade da IURD.
3.2 TUDO SOB CONTROLE!
Para uma ponderação sobre a discursividade religiosa na Tevê, precisaremos
alinhar alguns aparatos conceituais, regularidades, que nos ajudem a perceber a provocação de
efeitos e sentidos que se sobrepõem.
Para nos instalarmos, o conceito de condições de produção pode nos auxiliar
muito para uma injunção da discursividade religiosa. Estamos lidando com um discurso
deslocado de seu lugar de enunciação, o da Religião na Tevê, ou seja, a discursividade
religiosa televisiva. Assim, pensar nos lugares12 de enunciação seriam os primeiros elementos
de nosso processo analítico.
Nessa medida, um aspecto interessante a ser observado é o da sacralidade
religiosa que é atravessada pela informalidade do lar, ou vice-versa. Desse mundo, um
fenômeno deve ser sublinhado: apesar da climatização menos densa do lar que na igreja, a
mensagem religiosa na Tevê pode incidir no telespectador com ainda maior intensidade do
que no próprio templo. Isso, pois, a mensagem no templo é “menos controlada”, ainda há
“furos” que possibilitam o deslize num culto ao vivo ou numa liturgia temporalizada, marcada
por falhas, equívocos, chistes e outras subjetivações inesperadas. Porém, na Tevê não há lugar
para o “historicizar-se”, há “mais controle”, edição, seleção.
12 “Em geral, e isto desde seu início, a AD prefere formular as instâncias de enunciação em termos de
“lugares”, visando a enfatizar a preeminência e a preexistência da topografia social sobre os falantes que aí
vêm se inscrever” (MAINGUENEAU, 1997, p.32).
27
Antes de continuar, parafraseamos a relação “mais” ou “menos controlada” com
“mais” ou “menos” assujeitado para deixar claro que na AD:
A subjetivação é uma questão de qualidade, de natureza: não se é mais ou menos
sujeito, não se é pouco ou muito subjetivado. Não se quantifica o assujeitamento.
Com isto estou dizendo que quando se afirma que o sujeito é assujeitado, não se está
dizendo totalmente, parcialmente, muito, pouco ou mais ou menos. O assujeitamento
não é quantificável (ORLANDI, 2001b, p.100).
Apesar da citação de Orlandi referir-se à submissão do sujeito à língua,
configuramos em nosso contexto a expressão “mais controlada” da seguinte forma: o
programa religioso televisivo é produto de edição, seleção, não pode não vender, por isso, não
pode haver espaço para falhas, digressões, espalhamentos, dispersões da significação
instituída. Em outras palavras, a religião no lugar sagrado ocorre no tempo, enquanto a
religião midiática antecipa o tempo, enlatando-o e artificializando-o ainda mais por processos
seletivos. O sujeito, de fato, é afetado pelo simbólico.
Ao comentar sobre alguns efeitos da relação autor/editor, Maria Marta Furlanetto
destaca algumas considerações que mesmo deslocadas podem ser importantes ao tema em
questão:
Ao se considerar a produção e circulação de um material escrito para apropriação
pelas comunidades, o papel intermediário do(s) editor(es) não pode ser
marginalizado. Para levar a público qualquer tipo de obra, há certas exigências que
representam o que Foucault chamou “dispositivos” sociais de controle da difusão e
circulação dos discursos. (2006, p.126)
Passemos a observar alguns elementos que compõem o conceito de condições de
produção:
As condições de produção implicam o que é material (a língua sujeita a equívoco e a
historicidade), o que é institucional (a formação social, em sua ordem) e o
mecanismo imaginário. Esse mecanismo produz imagens dos sujeitos, assim como
do objeto do discurso, dentro de uma conjuntura sócio-histórica (ORLANDI, 2001,
p.40).
O processo de significação dos sujeitos e de suas posições, dos locutores e dos
interlocutores, decorre do lugar e das condições de produção. O mecanismo imaginário é o
elemento constituinte da identidade ideológica.
Orlandi, apesar de estar formulando um comentário sobre as condições de
produção de um discurso político, ressalta alguns aspectos importantes que podem ter
reverberação no discurso religioso:
28
Não é no dizer em si mesmo que o sentido é de esquerda ou de direita, nem
tampouco pelas intenções de quem diz. É preciso referí-lo às suas condições de
produção, estabelecer as relações que mantém com sua memória e também remetêlo
a uma formação discursiva – e não outra – para compreendermos o processo
discursivo que indica se ele é de esquerda ou de direita. Os sentidos não estão nas
palavras elas mesmas. Estão aquém e além delas (ORLANDI, 2001a, p.42).
Os discursos não apresentam sentidos em si mesmos, mas nas relações que
expressam o seu fluxo semântico. Dessa forma, poderíamos salientar que o lugar de onde fala
um pastor constitui uma autoridade determinada. As próprias imagens: “pastor” e “fiel” são
distintas e apresentam diferentes significações. A propósito, mesmo sem considerarmos quem
representa subjetivamente essas imagens, uma simples menção à titulação ou uma
visualização delas no lugar de onde falam é o suficiente para ativar o mecanismo imaginário.
Mais do que uma imagem formulada, a enunciação é produto que sofre e incide
sobre significações provenientes de lugares ainda mais distantes. Pensemos nos espaços de
enunciação com Dominique Maingueneau:
No que tange à pergunta “em que condições uma formação discursiva é possível?”,
não é suficiente lembrar a existência de um conflito social, de uma língua, de ritos e
de lugares institucionais de enunciação, é preciso ainda pensar que o próprio espaço
de enunciação, longe de ser um simples suporte contingente, um “quadro” exterior
ao discurso, supõe a presença de um grupo específico sociologicamente
caracterizável, o qual não é um agrupamento fortuito de “porta-vozes” (2003, p.54).
Se não bastasse uma imagem sagrada “pastor” bem demarcada, o próprio espaço
de enunciação também fala. Maingueneau mensura:
Não basta dizer que “entre” as informações brutas e os jornais existe o mundo da
imprensa, “entre” os escritores e os textos literários, as instituições literárias, “entre”
os cidadãos e os enunciados políticos, os meios políticos, e assim por diante. De
fato, não se dispõe, inicialmente, das informações, dos escritores ou dos cidadãos; a
seguir, das instituições mediadoras e, por fim, dos enunciados em circulação, mas
tudo emerge ao mesmo tempo. A instituição “mediadora” não é secundária em
relação a uma “realidade” que ela se contentaria em formular de acordo com certos
códigos (2003, p.54-55).
Poderíamos seguir: não basta dizer que “entre” pastores e seus sermões/falas
religiosas existe a instituição religiosa. Segundo Maingueneau, as “instituições mediadoras”
não apresentam papel secundário numa determinada realidade enunciativa.
Apenas para uma breve observação do funcionamento religioso através da
memória discursiva, vejamos alguns enunciados dispostos que pelas condições de produção
do discurso permanecem recalcados:
Seu problema financeiro só pode ser uma amarração, um mal.
Deus quer te dar qualidade de vida e sucesso.
29
Deus está na IURD abençoando através dos pastores.
Nós (pastores) só queremos te ajudar!
No bojo textual, os dois primeiros enunciados remontam ao mercado, à economia
(problema financeiro, qualidade de vida, sucesso) e são incorporados pelo discurso religioso
(amarração, mal, Deus, pastores). É desta forma, pelas condições de produção do discurso
em sua historicidade e memória, que podemos observar uma religiosidade travestida.
Isto nos leva a refletirmos sobre o conceito de formação discursiva:
Noção utilizada essencialmente na Escola “francesa”, a formação discursiva foi
introduzida por Foucault para designar conjuntos de enunciados relacionados a um
mesmo sistema de regras, historicamente determinadas. Dessa forma, Foucault
procurava contornar as unidades tradicionais como “teoria”, “ideologia”, “ciência”.
Mas foi com Pêcheux que essa noção entrou na análise do discurso. Nesse quadro
teórico do marxismo althusseriano, ele adiantava que toda “formação social”,
passível de se caracterizar por uma certa relação entre classes sociais, implica na
existência de “posições políticas e ideológicas, que não são o feito de indivíduos,
mas que se organizam em formações que mantêm entre si relações de antagonismo,
de aliança ou de dominação”. Essas formações ideológicas incluem “uma ou várias
formações discursivas interligadas, que determinam o que pode e deve ser dito
(articulado sob a forma de uma arenga, de um sermão, de um panfleto, de uma
exposição oral, de um programa etc.) a partir de uma posição dada numa conjuntura
dada” (MAINGUENEAU, 2000, p.68).
O conceito foucaultiano de formação discursiva foi introduzido na AD por meio
de Michel Pêucheux. Talvez convenha explicitar, com Orlandi:
A noção de formação discursiva, ainda que polêmica, é básica na Análise de
Discurso, pois permite compreender o processo de produção dos sentidos, a sua
relação com a ideologia e também dá ao analista a possibilidade de estabelecer
regularidades no funcionamento do discurso (2001a, p.43).
Assim, ao tratarmos do discurso religioso, esse conceito pode nos auxiliar na
explicação das principais práticas igrejeiras tais como o sermão, pois na AD: “As formações
discursivas são a projeção, na linguagem, das formações ideológicas”
(ORLANDI&LAGAZZI-RODRIGUES, 2006, p.17).
30
3.3 MEMÓRIA CONGELADA OU AMNÉSIA13?
Na AD, a memória discursiva é desenvolvida a partir da noção de interdiscurso:
“algo fala antes, em outro lugar e independentemente” (ORLANDI, 2006, p.21) ou em outra
definição: “O interdiscurso é todo o conjunto de formulações feitas e já esquecidas que
determinam o que dizemos” (ORLANDI, 2001a, p.33). Para compreendermos como opera o
discurso religioso deslocado do seu lugar de enunciação, utilizaremos o conceito de memória
elaborado por Orlandi.
Enquanto instrumento marcado pela produtividade – múltiplos meios e
homogeneização dos fins – a Tevê é um lugar de interpretação extremamente eficaz.
Porque anula a memória, a reduz a uma sucessão de fatos com sentidos (dados)
quando, na realidade, o que se tem são fatos que reclamam sentidos. É este reclamar
sentido que permitiria a historicização, a inscrição do acontecimento na história. A
Tevê produz acontecimento sem história. A Tevê produz repetição sem memória.
(2001b, p.180)
Para a autora, no discurso televisivo a memória é apagada e a a-historização
explica os conceitos de memória e interdiscurso. Orlandi resume: “a Tevê trabalha para que a
memória não trabalhe” (2001b, p.181). Em outros termos: “essa linguagem apaga a memória
histórica e a substitui por uma memória metálica” (2001b, p.182).
Na programação religiosa da IURD, a repetibilidade do discurso incide deshistoricizando
continuamente tanto aos fiéis no templo quanto os telespectadores na Tevê.
Vê-se isso nos depoimentos, pois apresentam sempre a mesma estrutura temática: fracasso e
sucesso; como era antes e como é agora. Como exemplo: o programa “Saindo da Crise14”, que
dura trinta minutos, apresentou vinte e seis depoimentos de sucesso financeiro.
Além disso, as contínuas marcações apelativas permeiam toda a programação.
Elas incidem sobre o telespectador e formulam uma memória discursiva interditada. No
programa “Vigília das Grandezas de Deus”, há cinco momentos em que o pastor Paulo
Alexandre Mendes fala do estúdio aos telespectadores. Desses cinco momentos, partes de
quatro deles foram transcritas abaixo.
13 Por memória congelada, nos referimos a noção de memória institucional ou metálica. Por amnésia,
destacamos a perda total ou parcial da memória.
14 Todas as menções que faremos dos programas “Vigília das grandezas de Deus” e “Saindo da crise” fazem
referência ao material que temos no corpus, transcrições dos programas transmitidos pela Rede Record no dia
25 de março de 2009.
31
No primeiro momento vale observar o modo como o pastor toma emprestado a
voz de Deus ao dizer: “Deus quer que você tenha uma vida de qualidade... talvez você diga:
mas e a crise?... é por isso que você tem que olhar para a frente... e entender... que é possível
conquistar... que é possível mudar a própria história...”
No segundo momento:
porque nós... que vamos fazer parte destas sete mil pessoas... não vamos admitir em
hipótese alguma... nos dobrar diante dos problemas... não::::... nós vamos avançar...
você tem que acreditar em (...) em si próprio... acreditar em você... lutar pelos seus
objetivos... por aquilo que você deseja... e o objetivo principal desta vigília... é dar a
você uma direção... [...] você vai receber uma direção... e FORÇA... pra que você
possa se capacitar... e conseguir por meio da fé... mudar a sua vida...
No terceiro momento:
lute pelo seu sonhos... lute pelos seus ideais... não se entregue... não se abata diante
das adversidades... mas lute... porque você pode alcançar os seus objetivos...
segunda-feira... nós estaremos lhe dando uma direção... e você que ainda carrega um
sonho dentro de você... e não permitiu que ele morresse... mas está disposto a lutar
por ele... trezentos e dezoito pastores estarão unido a fé... a você... quem sabe você
diga... pôxa... eu... tô fraco... não tenho mais disposição... força... então... vamos nos
unir a sete mil pessoas... numa campanha muito forte... que certamente mudará a
história da sua vida...
No quarto momento:
ainda que existam pessoas que::... não::... estejam de acordo com a sua fé... com a
sua coragem... com a sua ousadia... ainda que as pessoas não concordem com os seus
projetos... meu amigo e minha amiga... não dependa da opinião de terceiros... (vai)
em frente... mas e o que ficou?... esqueça o que passou... isso não vai (lhe) levar a
nada... ficar recordando das derrotas... dos fracassos... das perdas... não vai lhe ajudar
em nada... olhe para frente... é isso que faz toda a diferença...”
É interessante observar a intensidade e a repetibilidade da mensagem anunciada
pela IURD. Os apresentadores delineiam suas falas com muitas sentenças imperativas,
fazendo contínuos apelos aos telespectadores. Seus enunciados se multiplicam, mas o sentido
nunca é outro, o discurso é estável e circular, que sempre deixa um centro aberto, sem
explicação.
Das quatro citações feitas do corpus há pouco, vejamos uma seqüência de
enunciados codificados dentro do mesmo campo semântico: “sonhos”; “objetivos”; “ideais” e
“não se entregue”; “olhe pra frente”; “você tem que acreditar em si próprio”; “lutar pelos seus
objetivos”; “lute pelo seu sonhos”; “lute pelos seus ideais”; “você pode alcançar os seus
objetivos”; “não se entregue”; “você que ainda carrega um sonho dentro de você”; “olhe para
frente”.
32
De muita importância para nossa proposta analítica é a noção de noção de rede
formulada por Orlandi. A autora distingue dois eixos: o vertical e o horizontal: “o eixo
vertical, o da constituição dos sentidos, o interdiscurso, e o eixo horizontal, o da formulação
do sentido, o do intradiscurso” (2001b, p.181). Orlandi ressalta que “quando se trata da Tevê,
é uma rede horizontal e não vertical” (2001b, p.181). Nesse sentido, a Tevê produz resultados
homogeneizadores ao espectador: “só se produz a variedade e não a mudança” (ORLANDI,
2001b, p.181). Trata-se de uma repetição técnica, formal, virtual.
Resultante da homogeneização inerente ao conceito de noção de rede, Orlandi
destaca outro elemento que se relaciona com o aspecto interpretativo: “Na rede de televisão,
um fato é interpretado por outro já disponível na rede. Não há espaço para a interpretação, há
uma trama enredada que impede o acesso à profundidade da rede de filiações (historicidade)
justamente porque a simula, porém na horizontalidade” (2001b, p.182). Esse desdobramento,
que não permite interpretação, impulsiona a inevitável conclusão de Orlandi: “acontecimento
não tem história, também não há metáfora, não há transferência, o sentido não desliza, só se
multiplica” (2001b, p.182).
Ao falar sobre a interpretação, Orlandi chama a atenção: “O que a garante é a
memória sob dois aspectos: a) a memória institucionalizada, ou seja, o arquivo [...] b) a
memória constitutiva, ou seja, o interdiscurso. (1996, p.67-68) Para ela: “A interpretação se
faz, assim, entre a memória institucional (arquivo) e os efeitos da memória (interdiscurso)”
(ORLANDI, 1998, p.68). É assim que a Tevê e a religião são cristalizados pela memória
institucionalizada. Por isso, Orlandi assevera no âmbito da primeira: “a repetição congela”
(1996, p.68).
Desse modo, a repetição congelada da memória institucionalizada exprime o
interdiscurso em seus efeitos. Orlandi menciona que “é pelo funcionamento do interdiscurso
que o sujeito não pode reconhecer sua subordinação-assujeitamento ao Outro, pois, pelo efeito
de transparência, esse assujeitamento se apresenta sob a forma de autonomia” 15 (2006, p.18).
15 O “Outro” da citação de Orlandi (2006, p.18) é o intercurso.
33
4 E POR PENSAR EM RELIGIÃO...
Abriremos este capítulo com o filósofo judeu Baruch Spinoza, destacando a sua
experiência com a tradução/interpretação da Bíblia judaica. A seguir, pensaremos sobre
alguns funcionamentos discursivos da religiosidade da IURD: os depoimentos de sucesso
terrenal; a função de exemplaridade; o discurso de dois tempos; e, por último, os muitos
silenciamentos.
4.1 SPINOZA E SUA BÍBLIA
Baruch Espinosa, pensador do século XVII, já naquela época, ao enunciar
conceitos filosóficos, deixa entrever pressupostos da Análise do Discurso. Explanaremos,
assim, alguns conceitos spinozanos sobre Deus, natureza, profecia, superstição, medo e
liberdade, visando a uma reflexão sobre o pensamento de Spinoza acerca das ideologias que
podem permear a interpretação da Bíblia.
A filosofia spinozista começa por Deus. Na Proposição XIV, de Ética, Spinoza
assim o define: “Por Deus entendo o ente absolutamente infinito, isto é, uma substância que
consta de infinitos atributos, onde cada um dos quais exprime uma essência eterna e infinita”
(apud SCHÖPKEN, 2000, p.05).
No Tratado sobre a reforma do entendimento, Spinoza aborda a relação entre
Deus e a natureza: “Não separo Deus da Natureza como fizeram todos aqueles de quem me
chegou notícia” (1964, p.13). Dessa forma, ele está rompendo com a teologia tradicional
medieval-escolástica, que salienta um Deus transcendente e propondo um Deus imanentista,
porém, tão imanentista que se confunde com a substância. Logo, pensar em Deus e em
natureza, para Spinoza, é o mesmo, pois “não existe diferença entre ele e os seres deste
mundo” (apud SCHÖPKEN, 2000, p.04). Como Schöpke ressalta (2000, p.02), “Deus é a
única substância em Spinoza; todos os demais seres são modos desta substância”. Ela ainda
destaca que, “se existem duas idéias inquestionáveis no spinozismo são exatamente essas: ‘as
de que só existe uma natureza para todas as coisas e a de que tudo pode ser conhecido, ou
seja, a idéia de que existe um princípio absoluto de inteligibilidade na natureza’” (2000, p.3).
34
Este modo de conceituar Deus foi uma das marcas mais contundentes da filosofia spinozana.
Mais tarde, o próprio Albert Einstein viria a seguir Spinoza nessa maneira de compreender
Deus.
Dessa perspectiva sobre Deus e natureza, resulta, segundo Roy Zuck (1994, p.58),
o seguinte: “Para Spinoza a razão humana está desvinculada da teologia. A teologia
(revelação) e a filosofia (razão) pertencem a campos distintos”. Primariamente, parece que
Spinoza está unindo os campos da filosofia e teologia com o imanentismo, porém, segundo
Zuck, o que ocorre é o distanciamento deles, pois, sem transcendência e revelação, não há
teologia.
Não obstante isso, Spinoza está, ou pelo menos esteve16, inserido no ambiente da
filosofia da religião e da teologia judaico-cristã, o que o abaliza a confeccionar suas hipóteses.
Marilena Chauí (1981, p.15) menciona: “Espinosa foi um leitor cuidadoso e um escritor ainda
mais cuidadoso. Dedicou um capítulo inteiro de seu Tratado à questão de como ler a Bíblia,
que lera e relera com o maior cuidado”. Nesta pesquisa, porém, Spinoza não nos interessa
tanto pela sua hermenêutica – método crítico de interpretação de textos – mas pela sua
inquietação ao perceber o quanto o texto hebraico da Bíblia poderia ser dispersado e
controlado, caso fosse usado de modo displicente (popular) ou fraudulento (no exercício de
autoridade).
Se os gramáticos não souberam “distinguir cuidadosamente entre imaginar e entender”, os
teólogos não quiseram que essa distinção fosse feita, pois, como dirá o prefácio do
Teológico-Político, não há meio mais eficaz para açular a imaginação popular e acorrentála
aos poderosos do que mantê-la na superstição. Nessa medida, escrever a gramática da
língua hebraica não é apenas tentativa para restaurar a totalidade lingüística perdida, mas é
também denunciar o uso fraudulento do texto por aqueles que o fizeram pretexto para
exercício de autoridade (CHAUÍ, 1981, p.24-25).
Para Spinoza, as interpretações da Bíblia apresentam uma série de erros históricos
e contradições que as fazem não confiáveis, podendo induzir a erros, se forem aceitas como
instrumento de conhecimento.
Spinoza também não estava tão preocupado em afirmar os dogmas de autoridade e
inerrância das Escrituras, mas, principalmente, em indicar os excessos e devaneios históricos
que permeavam as interpretações e definições do texto sagrado. Danilo Dornas (2001, p.56)
16 Em 1656, no começo do governo de Jan de Witt na Holanda, Spinoza foi excomungado da comunidade judia.
Huberto Rohden ao prefaciar o livro de Spinoza Ética demonstrada à maneira dos geômetras comenta: “os
sacerdotes da sinagoga de Amsterdã excomungaram o maior de seus filhos daquele tempo” (SPINOZA,
2002, p.17).
35
exprime que “Spinoza não pretende recuperar a originalidade dos textos bíblicos, e sim
procurar compreendê-los a partir da época na qual foram escritos”.
Um elemento que, segundo Spinoza, poderia induzir a incongruências
interpretativas é o conhecimento revelado que se chama “profecia”. Dornas (2001, p.55-56)
expõe que, “para Spinoza, as crendices dos homens são reafirmadas pela superstição. Elas
provêm de um conhecimento revelado, que se impõe pela autoridade de quem o anuncia e
exige a obediência dos crentes”.
É assim que, no prefácio do Tratado Teológico-Político, Spinoza menciona:
Si los hombres pudieram conducir todos sus asuntos según un criterio firme, o si la fortuna
les fuera siempre favorable, nunca seríam víctimas de la superstición. Pero, como la
urgencia de las circusntancias les impide muchas veces emitir opinión algun y como su
ansia desmedida de los bienes inciertos de la fortuna les hace fluctuar, de forma lamentable
y casi sin cesar, entre la esperanza y el miedo, la mayor parte de ellos se muestran
sumamente propensos a creer cualquier cosa. (1986, p.61)17
Spinoza salienta que o medo é o grande responsável para que a superstição se fixe
na alma humana e que se faça fixar por outrem, também com medo da dissensão e perda da
autoridade. É assim que a incerteza do futuro e a esperança travam um embate vigoroso nos
sentimentos, tornando os crentes propensos a crerem em qualquer coisa.
Ele estabelece contestação de alguns livros da Bíblia, indicando que, nesses casos,
entre a produção do texto e a vida dos autores, há incompatibilidades históricas. Alguns
autores, segundo Spinoza, viveram séculos depois de suas obras serem produzidas, mas,
apesar disso, “o significado divino da mensagem ficou preservado” (apud DORNAS, 2001,
p.57).
Spinoza critica a regulamentação do sentido do texto bíblico exaurido pelos
intérpretes oficiais:
A língua hebraica, para o filósofo, apresenta dificuldades que dificultam a interpretação das
Sagradas Escrituras porque permanece sob a responsabilidade de um grupo restrito de
sacerdotes. Desse modo, resta aos homens comuns se submeterem a tais interpretações e
tomá-las como o verdadeiro sentido da palavra divina. Além do mais, se cada homem
tivesse oportunidade de interpretar as leis divinas conforme seus interesses, a autoridade
clerical não conseguiria se sustentar (apud DORNAS, 2001, p.56).
17 Se os homens pudessem conduzir todos os seus assuntos segundo um critério seguro, ou se a fortuna lhes
mostrasse sempre favorável, nunca seriam vítimas da superstição. Mas, como a urgência das circunstâncias
os impede, muitas vezes, de emitir alguma opinião e como sua ansiedade pelos bens incertos da fortuna os
fazem oscilar, de forma lamentável e quase sem cessar, entre a esperança e o medo, a maior parte deles se
mostra propensas a acreditar em qualquer coisa (Tradução de minha responsabilidade).
36
Ainda, sobre as interpretações produzidas pelos teólogos da igreja, Spinoza
(1986, p.67) assevera:
[...] yo confieso que nunca se han dado por satisfechos em su admiración hacia los
profundísimos misterios de la Escritura; pero no veo que hayan enseñado nada, aparte de las
especulaciones de aristotélicos y platónicos, ya que, para no dar la impresión de seguir a los
gentiles, adaptaron a ellas a Escritura (1986, p.67)18.
Destacadamente, Spinoza assevera que a interpretação privada das Escrituras, que
é realizada pelos exegetas oficiais da igreja, não passa de uma mera adaptação das
especulações filosóficas aristotélicas e platônicas, ou seja, estão presos às formações
discursivas. Seria outra interpretação se se apoiassem em filósofos distintos. Para Spinoza, se
cada pessoa tivesse a oportunidade de interpretar o texto sagrado segundo a sua própria
leitura, isso fragilizaria o poder e a autoridade clerical.
É assim que ele propõe o seu método, que consiste em “refazer as histórias dos
textos bíblicos, examinando a língua utilizada, o objetivo de seus autores e a vida e costumes
daqueles para os quais foram dirigidos” (DORNAS, 2001, p.56). Nessa metodologia, a
interpretação bíblica seria o resultado de uma análise histórica dos contextos culturais e
lingüísticos dos autores sagrados, observando os motivos que levaram Deus a entregar suas
leis ao povo hebreu.
É acentuado também que, para Spinoza, o estudo das Escrituras não demanda
profunda erudição, altas especulações e perspicácia acadêmica: “Se alguns insistem em dizer
que os ensinamentos ali contidos são profundíssimos, tratam a Igreja como Academia e a
Religião como Ciência, e elas não são nem uma coisa nem outra. O resultado acaba sendo
disputas e distorções dispensáveis” (apud DORNAS, 2001, p.57).
Desta feita, tocamos num ponto muito importante em Spinoza, a temática da
liberdade. Para ele, a pessoa livre é aquela que conduz a sua vida de modo que não seja
dirigida por “forças que vêm de fora”, mas por si mesma. Esse é o poder de invenção e
criatividade, que, na epistemologia spinozana, refere-se ao terceiro nível de conhecimento: a
ciência intuitiva.
O problema, porém, é que essa liberdade é, “ou pode ser”, uma falácia, pois os
homens acreditam possuir a liberdade da mesma forma que acreditam serem donos absolutos
de sua existência. É assim que Spinoza reflete determinados elementos do calvinismo
holandês, apesar de negá-lo, e rejeita a possibilidade de uma ampla e irrestrita liberdade do
18 Confesso que nunca se dão por satisfeitos em sua admiração aos profundos mistérios da Escritura; vejo que
não têm ensinado nada, senão as especulações dos aristotélicos e platônicos, já que, para não dar a impressão
de seguir os gentios, adaptaram as Escrituras a eles (Tradução minha).
37
homem ou, em termos teológicos, um pleno livre-arbítrio. Isso não é de estranhar, pois nem
Deus é plenamente livre no pensamento spinozano. Alguns aspectos desta conjuntura
filosófica incidem numa aproximação entre Spinoza e a Análise do Discurso, sobretudo no
que se refere ao conceito de assujeitamento.
O conceito de liberdade em Spinoza está alicerçado na dicotomia entre filosofia e
teologia, que abrange também as dicotomias entre fé e razão, liberdade e superstição. Danilo
Dornas observa:
Para se chegar à verdade, Spinoza diz que é necessário o homem se sentir livre. Essa
liberdade proporciona ao homem uma rejeição das superstições e dos vícios. Esse exame de
Spinoza estabelece a base para se construir uma sociedade cuja moral seja laica. A moral
laica é importante porque impede a submissão a autoridades constituídas em idéias
mutiladas e confusas. O homem deve ser livre para buscar felicidade e paz. O caminho que
conduz o homem a essa felicidade e paz é a Filosofia, conclui o pensador. Com essas idéias
a Filosofia adquire dignidade própria e sai da órbita da Teologia (2001, p.59).
No âmbito laico, a rejeição das superstições é o caminho para o homem se sentir
livre, pois, para Spinoza, o sentimento de liberdade conduz à felicidade e o papel da filosofia
é justamente o de não permitir que o homem seja regulado por ideologias, isto é, por “forças
que vêm de fora”, mas pela razão. Neste sentido, apesar de não sabermos até que ponto isto se
processa em Spinoza, ele norteia a possibilidade de uma vida livre, isto é, não regulável pela
religião.
Falar de AD e Spinoza, até certo ponto, é um anacronismo: se distanciam em pelo
menos três séculos e em muitos conceitos. Também é incompatível falar de liberdade e AD, a
ideologia incide sobre todos. Não obstante, Spinoza percebe que há “forças que vêm de fora”
e luta contra elas. Ele testifica da homogeneização da religião, do controle da interpretação da
Bíblia. Ele vê o povo no medo, na superstição.
Michel Pêucheux, comentando Spinoza, diz: “Deus não tem nenhum estilo
próprio: pela boca dos profetas ele fala de modo diferente da mesma coisa; ele pode também
designar coisas diferentes através das mesmas palavras” (apud MALDIDIER, 2003, p.65).
Denise Maldidier explica: “aos olhos de Michel Pêucheux [...] a análise da ideologia religiosa
por Spinoza constitui um 'trabalho espontâneo da contradição'” (2003, p.58).
E ela continua:
O primeiro ataque conseqüente contra a ideologia religiosa e a religião se efetuou
em nome da ideologia religiosa, através de e apesar dela. A conclusão é clara: “Isto
significa que a ideologia religiosa (e o discurso que aí se realiza) não pode de forma
alguma ser compreendida como um bloco homogêneo, idêntico a si mesmo, com seu
núcleo, sua essência, sua forma típica” (MALDIDIER, 2003, p.57).
38
Nada mais justo do que abrir este capítulo com Spinoza, um militante que, mesmo
“fora de época” mas “de dentro”, tateou o rosto da ideologia religiosa.
4.2 O CÉU É AQUI!
O Neopentecostalismo da IURD reflete uma perspectiva hedonista quando indica
que o sofrimento físico e o fracasso financeiro, por se tratarem de marcas do pecado e do
demônio, não são os elementos distintivos de um verdadeiro cristão.
No programa “Saindo da Crise”, o bispo Jader e o pastor Edson comentam a
história de uma mulher que não teve sucesso em São Paulo e trazem uma explicação sobre o
fato de ela não prosperar financeiramente. Inicialmente, as palavras do bispo Jader, o
apresentador:
agora eu vou colocar o depoimento de uma senhora... que ela sai::u de Minas... veio
aqui para São Paulo... pensando que ia se dar bem... o que tem de gente pensando
que mudando de estado vai se dar bem... pior que a pessoa tá se dando mal aqui em
São Paulo pastor Edson...
O pastor Edson, sentado à frente da mesa do bispo Jader, continua:
verdade... ela pensa/pôxa é a maior metrópole dentro do Brasil... então a maior
oportunidade... as maiores fontes né::?... as portas abertas estão lá... e a pessoa vem
pra cá e não dá certo.. por quê?... se existe uma amarração na vida da pessoa... ela
pode estar em qualquer lugar do mundo... que a porta vai estar fechada pra ela... e se
há a bênção de Deus sobre ela... ela pode estar na menor cidade do mundo... que ali
naquela cidade vai ter porta aberta pra ela...
O bispo Jader retoma a palavra e conclui o diálogo:
é/eu não se::i... se a senhora ou o senhor acredita... como nós falamos que tem um
mal te amarrando... mas não tem outra explicação... ( ) não é possível... sua vida
não vai... sua vida tem tudo pra ir e não sai do lugar.. só anda pra trás... tem uma
coisa te atrapalhando... é essa coisa que nós queremos arrancar segunda-feira...
porque senão... vai passar aí os meses... vai chegar o meio do ano... da qui a pouco
final do ano... e esse ano de dois mil e nove você não saiu do lugar até agora...
Os apresentadores indicam que a única explicação para a não-prosperidade
financeira seria “uma amarração...”; “mal te amarrando...”; “uma coisa te atrapalhando...”; e
continuam: “é essa coisa que nós queremos arrancar segunda-feira...”.
39
A contraposição neopentecostal, diferentemente do cristianismo primitivo, do
catolicismo monástico, da fé medieval e do protestantismo clássico, não lança para o futuro as
suas expectativas vivenciais, mas impulsiona o fiel a esperar pelo “agora”. Como destacou
Michel Foucault em Hermenêutica do Sujeito: “Com o cristianismo e as promessas do além,
teremos, é claro, um outro sistema” (2006, p.134). É este “outro sistema”, o Cristianismo, que
pontua que as promessas e a salvação19 estão no além, que o neopentecostalismo está em
oposição. De fato, o neopentecostalismo rompe com o cristianismo que o antecedeu ao não
contrapor prosperidade e salvação nesta nova temporalidade.
Foucault ainda delineia sobre o cristianismo:
É este jogo entre um princípio universal que só pode ser ouvido por alguns e a rara
salvação da qual, contudo, ninguém se acha a priori excluído, que estará, como
sabemos, no cerne da maioria dos problemas teológicos, espirituais, sociais,
políticos do cristianismo (2006, p.148).
O movimento neopentecostal, certamente, faria Nietzsche repensar sua frase
contra o cristianismo: “esta negação da vontade de viver tornada religião” (apud ORLANDI,
1987, p.9). Foucault, ao falar sobre o “cuidado de si”, destacou o quanto seus delineamentos
se distanciavam da salvação entre os cristãos: “Quão longe também estamos da salvação na
forma religiosa, referida a um sistema binário, à dramaticidade de um acontecimento, a uma
relação com o Outro e que, no cristianismo, implicará em renúncia de si” (p.227). Em
determinados elementos, o cristianismo neopentecostal se afasta das definições de Foucault,
que não conheceu o neopentecostalismo, pois sua proposta de “prosperidade financeira” não
implica em “renúncia de si”, mas em “cuidado de si” ao localizar o sucesso, o “céu”, na
temporalidade presente, agora. Por outro lado, é curioso notar que a “renúncia de si” está
fortemente imbricada no preço a ser pago para se obter o sucesso “aqui”, o que faz com que o
neopentecostalismo não se enquadra como uma novidade no bojo religioso.
É assim que na cosmovisão neopentecostal a esperança de que uma intervenção
divina possa ocorrer a qualquer momento, suscita, no hoje, ao fiel, otimismo circunstancial e
esperança com relação à vida. O céu, que era a esperança cristã num porvir de alívio do
sofrimento, de salvação, de justiça e de recompensas, passa a compor, no neopentecostalismo,
uma esfera atual e palpável.
Há, porém, no programa “Saindo da Crise”, uma referência ao futuro:
19 Como chama Foucault: “categoria trans-histórica que é a categoria da salvação” (2006, p.157).
40
eu sei que muitas pessoas... pensam que para morrer... a pessoa tem que ser velha...
ou então estar doente... e/isso não é verdade... para morrer a pessoa basta tá viva...
e/e muita gente não se preocupa com o que vem após da morte... (ela) tá preocupada
com os problemas de ago::ra... só que:: se a pessoa morrer sem a salvação ela tá
perdida... ela vai viver eternamente no inferno... e há quem não se preocupa com
isso... deveria se preocupar muito né pastor Edson?... [Pastor Edson] é verdade... há
aqueles que não acreditam assi::m que a alma da pessoa vai... para o inferno como o
senhor diz... há pessoas que dizem pô-xa... se Deus é amo::r... como que ele vai
permitir que uma pessoa sofra eternamente... então surgiram várias teorias a respeito
disso... a teoria:: é::... do purgató::rio... a teoria da reencarnaçã::o... a teoria do céu e
inferno... mas o que que a BÍBLIA... o que DEUS fala sobre a vida após a morte?...
é isso que nós vamos estar comentando... [Bispo Jadson] sete horas da noite nessa
quarta-feira...faça de tudo para estar conosco aqui no Brás... será uma reunião
especial... que pode salvar a sua alma... tá bom?... Um forte abraço... e até o nosso
próximo encontro...
Quando a IURD fala sobre o futuro, não há o interesse de referendar as esperanças
que o porvir evoca. Pelo contrário, a mensagem é direcionada aos que não estão na igreja e
que deveriam se preocupar com a possibilidade de uma eternidade de condenação no inferno.
Assim, o devir para o fiel ocorre no presente, pois o “céu” deve ser desfrutado hoje através de
uma vida de qualidade financeira e ausência de sofrimento. Mas, para o não-fiel, o futuro
implica medo. Ao mesmo tempo, parece que o objetivo de se mencionar o futuro é o de
recomendar a própria instituição aos não-prosélitos como instrumento de boas perspectivas
para o porvir. Mas isso não é tão freqüente, o que é recorrente nos programas da IURD é a
necessidade de uma mudança das condições de vida para hoje nesse mundo.
4.3 SIGA MEU EXEMPLO!
Mas, o que há, enfim, de tão perigoso no
fato de as pessoas falarem e de seus
discursos proliferarem indefinidamente?
Onde, afinal, está o perigo?
Michel Foucault20
Faz-se importante também destacar a função da exemplaridade, que, na
argumentação religiosa da IURD, encontra-se nos depoimentos de sucesso. Como Manoel G.
20 (2002, p.08).
41
Corrêa (1987, p.53-54), em “O nome de Jeová é proteção”: uma análise do seu discurso,
observa:
Na formação discursiva de certas religiões retoma-se a função da exemplaridade
presente no texto bíblico nos termos da evangelização atual. Sendo assim, a
exemplaridade a nível do sagrado – no texto bíblico – adquire um papel fundamental
nessas religiões, na medida em que funciona como um modelo que se reflete nos
exemplos atuais, vivificados nos fiéis (em seus testemunhos). Caracteriza-se, assim,
a exemplaridade a nível do profano em sua dupla função: (a) a de remeter o
benefício recebido imediatamente à divindade onipresente; (b) a de fazer intervir o
modelo bíblico, enquanto memória divina, certamente melhor “guardado” pela
instituição religiosa a que pertence a testemunha.
Com características que se distinguem da função de exemplaridade destacada por
Corrêa, na IURD essa função não procede do modelo bíblico, mas dos próprios depoimentos.
Pode-se dizer que a pragmática dos depoimentos opera como uma “Bíblia” para o fieltelespectador,
pois “se ele teve sucesso, eu também posso ter”, “se funcionou com ele,
funcionará comigo”. É assim que, nesse discurso, o aparelho religioso televisivo tem a função
de regular toda injunção e distribuir, pela repetibilidade, a significação institucionalizada dos
fatos.
Inerente à função de exemplaridade está o mecanismo da antecipação, o qual, pela
relação pastor-fiel, pode conduzir unilateralmente uma enunciação dialogada no caso em
questão, um depoimento de sucesso.
Orlandi menciona que,
[...] segundo o mecanismo da antecipação, todo sujeito tem a capacidade de
experimentar, ou melhor, de colocar-se no lugar em que o seu interlocutor “ouve”
suas palavras. Ele antecipa-se assim a seu interlocutor quanto ao sentido que suas
palavras produzem. Esse mecanismo regula a argumentação, de tal forma que o
sujeito dirá de um modo, ou de outro, segundo o efeito que pensa produzir em seu
ouvinte. Este espectro varia amplamente desde a previsão de um interlocutor que é
seu cúmplice até aquele que, no outro extremo, ele prevê como adversário absoluto.
Dessa maneira, esse mecanismo dirige o processo de argumentação visando seus
efeitos sobre o interlocutor (2001a, p.39).
Orlandi, acima, destaca a possibilidade de uma interlocução ser conduzida por um
mecanismo de antecipação. O produto disso é que todo sujeito tem a capacidade de se colocar
no lugar do interlocutor e antecipar as reações, regulando os seus efeitos de sentido. Esse
mecanismo é comum nos depoimentos de sucesso dos fiéis na IURD. Tais interlocuções
dialógicas são afetadas por esse tipo de controle.
Vejamos um exemplo:
[Bispo] o senhor saiu lá de Jundiaí... e veio aqui pro Brás pra... luta::r pela sua
empresa?... [Márcio] sim... (o que::::...) precisava de um::::/ [O bispo diz: “direção”
42
– e o fiel a menciona] de uma direção... e::... eu vim até aqui... e:: depois que eu
assisti a reunião... eu saí daqui com uma direção...
No depoimento, o fiel Márcio precisou de um termo para completar o sentido de
uma frase. Ao divagar, o bispo rapidamente interpela, mencionando um termo coberto de
significação: “direção”.
Outro exemplo de como os entrevistadores conduzem a interlocução ocorre
através de procedimentos enunciativos que consistem na repetição da pergunta ou afirmação
do entrevistador. Num depoimento, o bispo afirma ao fiel Márcio: “(mudou) a situação de
miséria para uma vida de prosperidade...”; e o fiel confirma: “mudou... mudo::u... mudou
bastante...”. Em outra situação, o bispo pergunta à fiel: “quer dizer que:: mesmo na crise a
senhora tá arrebentando?...”; a fiel responde: “arrebentando...”. Noutro exemplo, a
entrevistadora pergunta ao fiel: “mora bem?...”, e o fiel responde: “moro bem...”; a
entrevistadora segue com uma afirmação: “e qualidade de vida...”, o fiel responde: “e
qualidade de vida... restaurantes... tudo de bom... graças a Deus...”.
Esse tipo de intervenção nos depoimentos, aparentemente intencional, pode ser
inscrita na superfície da linguagem, porém, noutros de ordem discursiva, os mecanismos de
antecipação oficiados pelos entrevistadores da IURD não se manifestam com tanta saliência.
Tratando-se de um discurso midiático-religioso, a seleção dos gestos e falas do fiel são ainda
mais bem conduzidas.
4.4 DISCURSO DE DOIS TEMPOS
Um outro dispositivo sempre utilizado pela IURD é o discurso em dois tempos:
passado e presente. Essa estratégia enunciadora fica explícito nos depoimentos, onde o fiel dá
o seu testemunho de como era a sua vida antes e depois de vir à igreja.
No tempo passado, antes de vir à IURD, o fiel não tinha uma vida de qualidade.
Sua vida era marcada por desemprego, dívidas, falta de dinheiro, problemas. Porém, no tempo
presente, após vir à IURD, o fiel passa a desfrutar da bênção de Deus. A marca de bênção é a
prosperidade financeira e o fiel passa a desfrutar de uma vida preenchida por benefícios: bom
emprego ou bons empreendimentos; bom salário; aquisição de bens materiais como carros e
imóveis.
43
Observemos um depoimento proferido no templo da IURD:
[o bispo Jader deixa a câmera e vai até a fila onde estão os fiéis prontos para
testemunhar. Ele olha para a primeira fiel e pergunta] qual o nome da senhora?...
[Fiel] Cláudia... [Bispo] a senhora tem quantos anos?... [Cláudia] quarenta e sete...
[Bispo] quanto tempo desempregada?... [Cláudia] fiquei dois anos... [Bispo] dois
ano?... [Cláudia] cheguei nos trezentos e dezoito... as portas se abriram para mim...
eu já não tinha mais esperança pastor... [Bispo] tava desesperada?... [Cláudia]
tava::... nossa... desacreditada de tudo... aí... quando eu vim... (que) teve o propósito
pra escrever o nome da empresa... ( ) Deus... eu (tô) começando agora... mas
semana que vem eu já quero tá trabalhando ( ) na/na... na outra semana... Deus abriu
a porta... eu já tinha lá o nome pra colocar da empresa... foi uma bênção... [Bispo]
Deus abençoe a senhora... [há aplausos do público] [O bispo a cumprimenta e ela
sai]
Os tempos verbais da materialidade discursiva apresentada no depoimento da fiel
Cláudia ao bispo Jader podem nos auxiliar na observação do discurso em dois tempos da
IURD.
De início, o bispo enuncia uma frase nominal: “qual o nome da senhora?”. Em
seguida, faz a primeira pergunta usando uma estrutura verbal, o presente do indicativo: “a
senhora tem quantos anos?...”. Ambas as construções relacionadas à identidade e à idade da
fiel instalam-se numa temporalidade presente.
Com exceção da primeira oração que se estrutura com um verbo no presente do
indicativo “tem” (3ª singular que funciona como 2ª), mas que se estabelece semanticamente
como um pretérito perfeito: “quanto tempo desempregada?...”, o diálogo se lança a uma ação
passada concluída, o pretérito perfeito do indicativo: “fiquei dois anos...”.
Acelerando sua fala, não dando espaço para uma nova pergunta do bispo, a fiel
completa sua resposta utilizando duas orações que marcam um passado perfeito, mas estão
semanticamente localizadas após a ação verbal anterior: “cheguei nos trezentos e dezoito...”;
“as portas se abriram para mim...”.
O clímax da sequência enunciativa da fiel é concluído com uma ação verbal no
pretérito imperfeito do indicativo: “eu já não tinha mais esperança pastor...”. Renato Aquino
observa que o pretérito imperfeito “indica uma ação extinta, porém habitual, repetida /.../
descreve o que, num momento do passado, era presente” (2007, p.139). Assim, a fiel
manifestou a falta de esperança que pontuou vários momentos de sua vivência anterior à
entrada na igreja.
Ao intervir, o bispo continua a marcar a locução da fiel com o pretérito
imperfeito: “tava desesperada?...”. E a fiel responde com a mesma construção verbal,
adicionando interjeição: “tava::... nossa... desacreditada de tudo...”.
44
Porém, a fiel abandona um passado habitual e orbita para um passado concluído,
sinalizando uma ação posterior, mais recente: “aí... quando eu vim... (que) teve o propósito
pra escrever o nome da empresa... ( ) Deus... eu (tô) começando agora... mas semana que vem
eu já quero tá trabalhando ( ) na/na... na outra semana...”. E após as orações subordinadas, a
fiel marca mais uma vez o pretérito perfeito: “Deus abriu a porta... eu já tinha lá o nome pra
colocar da empresa... foi uma bênção...”. Finalmente, o bispo retoma o tempo verbal presente:
“Deus abençoe a senhora...”.
A materialidade lingüística constitutiva do depoimento de sucesso faz referência a
uma discursividade que se inicia com uma ação no presente, no templo, no nome e na idade
da fiel; se lança a um passado revisitado de dor e sofrimento, mas que, permeado por
expectativa e esperança, se aproxima da igreja, chegando às vésperas da campanha dos
“trezentos e dezoito”; e tendo, novamente no presente, o seu desfecho triunfal no depoimento
e na bênção do bispo.
Em qual tempo discursivo o fiel se encontra ao dar o seu depoimento? No passado
de sofrimento ou no presente de sucesso? É possível observar a noção de exemplaridade no
depoimento dos fiéis e captar o funcionamento temporal do discurso. Com efeito, o passado
serve para “apanhar” o telespectador que pode estar em um presente de sofrimento, o qual, se
vier à igreja, poderá usufruir de um futuro próspero. Destacadamente, no discurso iurdiano,
estar no tempo já é posicionar-se discursivamente, pois a lógica de dois tempos é sempre
reafirmada: nos depoimentos há um passado de sofrimento que se acabou com a boa
perspectiva que a igreja, no presente, proporcionou ao fiel; e, a mensagem ao telespectador
consiste numa proposta de substituição do presente de sofrimento por um futuro promissor
IURD. O jogo discursivo “passado-presente” nos depoimentos e o “presente-futuro” que é
proposto na programação televisiva constitui o bojo de todo o pragmatismo discursivo
iurdiano.
Um paralelo interessante com o Cristianismo histórico é que esse sempre fora
pontuado pela esperança de glória futura apesar do sofrimento no presente. Textos clássicos
da Bíblia como: “Os sofrimentos do tempo presente não podem ser comparados com a glória
a ser revelada em nós” (Romanos 8.17) (ARA) sempre permearam a vivência cristã. Não
obstante, com o surto neopentecostal, a esperança futura é deslocada para a realidade presente
e os sofrimentos do presente são identificados com um passado sem Deus e sem a igreja.
45
4.5 SILÊNCIO, POR FAVOR!
Outro dispositivo comum da prática discursiva da IURD é o processo de
silenciamento. Orlandi destaca que: “Esse processo – que acompanha todas as formas de
exercício de poder, qualquer que seja sua natureza – faz com que falemos de algumas coisas
para silenciar outras” (1987, p.26).
Ercília Ana Cazarin estabelece um comentário sobre o silenciamento em Orlandi:
A autora salienta que todo o dizer é uma relação fundamental com o não dizer e
estabelece a distinção entre silêncio fundante e política do silêncio (silenciamento):
o primeiro indica que todo o processo de significação traz uma relação necessária ao
silêncio; a segunda indica que – como o sentido é sempre produzido de um lugar, a
partir de uma posição do sujeito – ao dizer, ele estará, necessariamente, não dizendo
outros sentidos. A política do silêncio se define pelo fato de que, ao dizer algo,
apagam-se outros sentidos possíveis, mas indesejáveis, em uma situação discursiva
dada. Produz-se, assim, um recorte entre o que se diz e o que não se diz, onde uma
palavra apaga necessariamente as outras palavras, ou seja, o silêncio recorta o dizer,
colocando em funcionamento o conjunto do que é preciso não dizer para poder dizer
(1999, p.133).
É neste sentido que estaremos nos empenhando em estudar o silêncio a partir da
segunda indicação dada: política do silêncio (silenciamento). Não obstante, Orlandi também
destaca: “O silêncio não é diretamente observável e, no entanto, ele não é o vazio, mesmo do
ponto de vista da percepção: nós o sentimos, ele está lá (no sorriso da Gioconda, no amarelo
de Van Gogh, nas grandes extensões, nas pausas)” (2007. p. 42).
Orlandi cita Busset para destacar que
o silêncio não é ausência de palavras; ele é o que há entre as palavras, entre
as notas de música, entre as linhas, entre os astros, entre os seres. Ele é o
tecido intersticial que põe em relevo os signos que, estes, dão valor à própria
natureza do silêncio que não deve ser concebido como um “meio”. O
silêncio é o intervalo pleno de possíveis que separa duas palavras proferidas:
a espera, o mais rico e o mais frágil de todos os estados... O silêncio é
iminência (2007. p. 68).
Ainda com Orlandi, convém destacar que “quando se trata do silêncio, nós não
temos marcas formais, mas pistas, traços. É por fissuras, rupturas, falhas, que ele se mostra
fugazmente.” (ORLANDI, 2007. p.43) Pois como Cazarin menciona: “É preciso deslocar a
análise do domínio dos produtos, para o dos processos de produção dos sentidos. É a
historicidade inscrita no tecido textual, na sua relação com a interdiscursividade, que pode
tornar o silêncio compreensível” (1999, p.133).
46
Vejamos com Orlandi uma orientação interessante sobre o silêncio no discurso
religioso: “pode-se dizer que Deus é o lugar da onipotência do silêncio. E o homem precisa
desse lugar para colocar (instituir) uma sua fala específica” (1987, p.8). Orlandi, porém,
continua:
Discursivamente, então, a religião pode ser vista como o lugar em que, na
onipotência do silêncio divino, o homem se encontra um espaço para preencher com
palavras que delineiam o que podemos chamar sua “vida espiritual”. O que, dessa
“vida espiritual”, pode ser dito (posto) na voz de Deus? Essa é, então, uma questão
relevante: como o homem fala no dizer que ele coloca na voz de Deus? A religião,
sendo vista enquanto discurso, leva a apreender um dos lugares de sua constituição:
o discurso religioso como a territorialização da espiritualidade do homem. É onde
ele a constrói e expressa (1987, p.8-9)
Segundo Orlandi, é na religião que o homem fala na voz de Deus. Com efeito, ao
falar na voz divina que incorpora, o homem silencia a sua própria voz. Esse posto é
perceptível entre os fiéis, porém, muito mais, nos líderes religiosos: sejam padres ou pastores,
pois, ao apropriarem-se do dizer do outro (Deus), tornam-se uma espécie de arautos do
divino, às vezes “quase” divinos, na terra.
Na IURD, o pastor é quem sabe, quem orienta, quem dá a direção, quem escuta,
quem diz o que deve ser feito. Isso não se restringe apenas a orientações espirituais, mas se
amplia para questões seculares. Se o problema é financeiro, empresarial ou administrativo,
não importa, se o fiel buscar as orientações do pastor, as coisas vão melhorar.
Este traço pode ser visto no depoimento do Eduardo no programa “Vigília das
Grandezas de Deus”:
[...] graças a Deus... tudo deu certo... tudo deu conforme eu planejei... com a
orientação que eu recebei na/na/na vigília... eu colocando em prática... e as coisas
aconteceram... da forma que eu determinei... né... junto com as/as orientações que os
pastores nos passaram na reunião (ali da/da) vigília...
Num discurso em que o homem é posto na voz de Deus, a primeira aplicação
relaciona-se com o silenciamento da voz do homem – pastor ou fiel – que incorporou a voz de
Deus. Dessa perspectiva, o sofrimento, o fracasso, o choro e a dor, experiências tão comuns à
vida, agora, não podem mais existir, pois ganharam o status de problemas espirituais. É assim
que o homem não tem mais voz, pois o pastor é “Deus” que orienta e o fiel é “Deus” que
determina o seu não-sofrimento.
Além disso, outras pistas podem ser alinhadas a fim de observarmos a
permeabilidade do processo de silenciamento na discursividade da IURD. Os depoimentos
dos fiéis, como exemplo, podem apresentar ainda outros modos de silenciamento, basta
47
observar a mensagem que o fiel passa a respeito de sua vida anterior a vinda à igreja. Sua vida
pregressa não possui sentido, vitória, alegria e nem sucesso financeiro, sendo completamente
relegada ao desprezo. Por outro lado, após a vinda à igreja, tudo se transforma, há bens,
sucesso, satisfação, alegria; desaparecem os sofrimentos, dívidas, desempregos e medos.
No depoimento de um fiel da IURD, após ter falado sobre os sofrimentos por que
passou, o bispo Jader Santos conduz a entrevista para a realidade presente do fiel na igreja:
[Bispo] o que que mudou nessa reunião... como é que o senhor tá hoje?... [Márcio]
é::::... eu tenho uma/eu tenho uma empresa de prestação de serviços... serviço e
segurança... e essa empresa não andava de jeito nenhu::m... é::... eu mandava
propo::stas... os clientes até gostavam da propo::sta... e::... mas na hora de fechar os
negócios... não fechava... [Bispo] depois dessa corrente... o que que mudou?...
[Márcio] eu vi a:::: corrente na/pela televisão... e resolvi vir um dia... eu sou de
Jundiaí... então eu vim... inclusive o primeiro dia eu vim aqui... nessa igreja... e::::....
(...) [Bispo] o senhor saiu lá de Jundiaí... e veio aqui pro Brás pra... luta::r pela sua
empresa?... [Márcio] sim... (o que::::...) precisava de um::::/ de uma direção... e::...
eu vim até aqui... e:: depois que eu assisti a reunião... eu saí daqui com uma
direção... [Bispo] e como é que está hoje?... [Márcio] hoje fazem quatro meses que
eu estou frequentando todas as segunda-feiras... a::... eu fechei (algum)/alguns vários
negócios... com a graça de Deus... ã::::... abri um escritório em São Paulo... e há
quinze dias nós abrimos uma filial em Curitiba... [Bispo] (mudou) a situação de
miséria para uma vida de prosperidade... [Márcio] mudou... mudo::u... mudou
bastante... nós compramos três veículos... um pra cada:::... pra cada sede... e em
Jundiaí nós temos uma sede agora também... e::... a coisa tá:: fluindo muito bem...
graças a Deus...
Uma das características peculiares da fala do Márcio intermediada pelo bispo
Jader Santos é o completo sucesso na vida presente do fiel. O próprio bispo destacou a
respeito do depoimento: “(mudou) a situação de miséria para uma vida de prosperidade...”.
Não obstante, reflexões poderiam ser alçadas sobre vários dizeres e não-dizeres do
fiel. Por exemplo, o depoimento nada diz sobre se os três carros comprados por Márcio estão
pagos ou foram financiados. Nem se a compra resultou de reservas anteriores ou posteriores à
corrente. Além disso, o fato de indicar uma filial aberta há quinze dias em Curitiba e o
escritório aberto em São Paulo há, no máximo, quatro meses não deveriam ser computados
tão precocemente como indicadores seguros de sucesso.
Até mesmo a crise financeira que tem permeado o mercado mundial é uma crise
para os outros, não para os fiéis da IURD. Em uma das chamadas do programa “Vigília das
Grandezas de Deus”, após uma série de notícias de problemas econômicos ao redor do
mundo, o narrador lê o enunciado na tela: “enquanto as estatísticas apontam situações
negativas... eles vivem uma outra realidade...”. Esse “eles” faz referência aos fiéis da igreja.
Alguns outros questionamentos também podem ser evocados a partir do
silenciamento nos depoimentos de sucesso. Por exemplo, será que todos os fiéis que dão o seu
48
depoimento permanecem invariavelmente no sucesso por toda a vida? Será que alguém que
não obteve o sucesso financeiro, mas permanece na igreja, teria a oportunidade de dar o seu
depoimento?
Até aqui observamos o discurso financeiro “da IURD para o fiel”, isto é, as
benesses que a igreja, pelo auxílio divino, fornece ao necessitado financeiramente. Todavia,
se invertermos a ordem do discurso e observarmos o que o fiel deveria investir para
conquistar o que almeja, refletiríamos sobre o discurso financeiro “do fiel para a IURD”. Com
efeito, considerações importantes poderiam ser indicadas no item em questão, pois
silenciamentos estão ocorrendo desse “outro lado”.
Por exemplo, ao longo de toda a programação religiosa na Tevê não há qualquer
menção a respeito do custo a ser pago para se conquistar as bênçãos prometidas pela IURD.
Quem acompanha a transmissão televisiva não é informado sobre as exigências financeiras
necessárias para participar das mobilizações de fé como: “Vigília das grandezas de Deus”;
“Corrente dos trezentos e dezoito”, etc. A única informação divulgada é que o fiel precisa
fazer um sacrifício de fé; se unir a Deus e receber a direção dos pastores durante as reuniões.
Quando se fala sobre as questões financeiras, a referência é sempre ao que a
IURD ofereceu ou pode oferecer. Os depoimentos de sucesso são o resultado do que a igreja
propiciou ao endividado, desempregado, falido. As questões financeiras são mencionadas
como testemunhos de como Deus pela igreja ajudou o fiel. Em nenhum momento a temática
finanças relaciona-se com aquilo que o fiel ofereceu à igreja em termos de dízimo ou ofertas
em dinheiro. Aliás, o que é interessante observar em toda a programação é que não há petição
de dinheiro ou pedidos de ajuda para manter o programa no ar. O termo “dinheiro”, até
mesmo, jamais é mencionado pelos pastores.
Talvez a seqüência abaixo, proferida pelo pastor Paulo Alexandre Mendes no
programa “Vigílias da Grandeza de Deus”, nos ajude a sentir um pouco mais essa
discursividade:
[...] e o objetivo principal desta vigília... é dar a você uma direção... porque existem
pessoas que estão perdidas... mas perdidas mesmo... perdidas... sem saber como
pagar as dívidas... estão perdidas porque já usaram o limite do cheque especial...
estão com o cartão de crédito estourado... estão com o nome no Serasa... no SPC...
causas... né... títulos protestados... uma situação horrí::vel... e aí bate o desespero... a
agonia... a pessoa pensa... e agora o que fazer... você vai receber uma direção... e
FORÇA... pra que você possa se capacitar... e conseguir por meio da fé... mudar a
sua vida...
Não obstante tudo isso, podemos ressaltar também outros silenciamentos de
caráter teológico. Para nos auxiliar nessa funcionalidade, citamos Cazarin:
49
O silêncio com seu caráter não-visível (legível), obscuro, contínuo, não-calculável
está excluído. O silêncio não remete ao dito, ele se mantém como tal, permanece
silêncio. Para torná-lo visível, é preciso observá-lo indiretamente por métodos
(discursivos) históricos, críticos, des-construtivistas, pois, sem considerar a
historicidade do texto e os processos de construção dos efeitos de sentidos, é
impossível compreendê-lo (1999, p.135).
Desta forma, ao ponderarmos o cristianismo em sua historicidade, podemos
visualizar ainda outros silenciamentos de ordem teológica. Por exemplo, em todo o corpus
não há referência ao nome “Jesus”. Apenas uma vez é mencionado o nome “Cristo”, e isso na
última música do programa “Saindo da Crise”, sendo que a própria frase onde é citado foi
cortada por ter o programa chegado a sua conclusão e terem entrado os comerciais da Rede
Record.
Esse silenciamento do “nome de Jesus” nos leva a uma análise da imagem
discursiva que a própria pessoa de Jesus traz. Qual o interesse em se mencionar ou não
mencionar o nome Jesus? O que a pessoa de Jesus tem ou não tem que poderia prejudicar a
construção da discursividade da IURD? Talvez a humildade e o sofrimento associados ao
nome e à pessoa de Jesus não tragam as significações mais atraentes para uma mensagem
religiosa “cristã” de sucesso.
Neste ponto, talvez já seria interessante escutarmos Maingueneau: “Um discurso
não é abandonado porque um texto lhe aplicou um golpe fatal, mas porque alguma coisa
abalou tudo o que o sustentava silenciosamente, e a crença se transferiu para outros lugares”
(2008, p.114).
Um outro silenciamento que destacamos é o que se relaciona com a materialidade
do texto bíblico. Ora, apenas uma vez em todo o corpus a Bíblia foi citada e interpretada, e
isso justamente numa chamada do programa “Vigília das Grandezas de Deus”:
[Há a transcrição de um texto bíblico e o narrador lê] “Também conservei em Israel
sete mil, todos os joelhos que não se dobraram a Baal...” 1 Reis19:18... venha fazer
parte desses sete mil vencedores que não vão se entregar aos problemas... e vão lutar
por obter uma vida de qualidade... nesta segunda-feira... sete mil pessoas estarão
unidas de mãos dadas... clamando pelo crescimento profissional... e pelo sucesso
financeiro...
Depois da chamada, o pastor Paulo Alexandre Mendes fez menção ao texto
bíblico citado, porém sua preocupação destinou-se unicamente à campanha (uma mobilização
de fiéis) que estava sendo promovida com base nesse texto.
POR QUÊ... SETE MIL PESSOAS?... porque nós... que vamos fazer parte destas
sete mil pessoas... não vamos admitir em hipótese alguma... nos dobrar diante dos
50
problemas... não::::... nós vamos avançar... você tem que acreditar em (...) em si
próprio... acreditar em você... lutar pelos seus objetivos... por aquilo que você
deseja...
Esse texto bíblico encontrado no Antigo Testamento no livro de 1º Reis 19:18 foi
originalmente uma locução direta de Deus ao profeta Elias que, escondido numa caverna,
temia os adoradores do deus Baal que o perseguiam. Baal era uma divindade rural adversária
do Deus dos judeus, sendo assim tanto Elias quanto os sete mil judeus se opuseram e não se
curvaram diante dele.
O texto bíblico, porém, citado e interpretado, é incorporado ao discurso apenas
por apresentar elementos que poderiam ainda mais pontuar uma campanha da IURD e
desafiar milhares de pessoas a participarem dela. Não há um explícito interesse pelos seus
aspectos exegéticos. Se Spinoza estivesse entre nós, ele certamente deslocaria a sua crítica dos
intérpretes judeus do século XVII para os pastores da IURD de nossa época.
Apesar disso, no programa “Saindo da Crise”, o pastor Edson comenta sobre o
valor que a Bíblia lhe representa: “então surgiram várias teorias a respeito disso... a teoria::
é::... do purgató::rio... a teoria da reencarnaçã::o... a teoria do céu e inferno... mas o que que a
BÍBLIA... o que DEUS fala sobre a vida após a morte?... é isso que nós vamos estar
comentando...”.
Mesmo no silenciamento da Bíblia ao longo da programação, faz-se curioso que,
no comentário acima, o pastor Edson reivindique a autoridade das Escrituras cristãs. Durante
os programas há um recorrente incentivo aos fiéis para que ouçam os pastores da IURD que
estarão orientando-os nas reuniões, mas não há um apelo para que o fiel se dedique em
compreender e interpretar a sua Bíblia.
Um último silenciamento a ser mencionado diz respeito ao problema do pecado.
O cristianismo histórico fora pautado pela pregação e ensino do Evangelho, que é o anúncio
das boas notícias de que Deus resolveu o problema do pecado ao enviar seu filho, Jesus
Cristo, para morrer em lugar do pecador. No Neopentecostalismo da IURD não há mais
referências ao pecado, pois o problema agora é outro, o não ser próspero financeiramente.
51
5 CONCLUSÃO
Salientamos os pontos a seguir, com o objetivo de fazer uma retrospectiva do
trabalho ora apresentado e de ressaltar algumas peculiaridades das leituras/análises
procedidas.
A religiosidade cristã manifesta, em especial, pelo movimento pentecostal é um
fenômeno sociológico e discursivo que, no Brasil, demonstra de modo surpreendente a sua
grande força através das grandes aquisições; da projeção política de seus pastores; e pela
massa de fiéis que os seguem. Se os números não bastassem, sua voz se faz ouvir não
somente dos púlpitos ou templos, mas, agora, também na Tevê.
Nesta dissertação buscamos revisitar uma religiosidade que tem perdido ou
ganhado uma nova identidade: “o cristianismo” que, pelo viés pentecostal ou neopentecostal,
expressa sua nova conjuntura. Inicialmente com análises bíblicas e teológicas repensamos
suas formulações primevas e práticas intrínsecas à fé judaico-cristã, dentre elas os dízimos e
as ofertas, bem como o conceito de vocação. Neste caminho não deixamos de refletir sobre os
deslocamentos, reinterpretações e efeitos metafóricos que, às vezes, incidiam historicizando e,
às vezes, arrefeciam ritualizando.
Ao nos inserirmos no terreno discursivo da pesquisa, os pressupostos formulados
pela análise do discurso de linha francesa, pautada pelo viés peuchetiano, sobretudo, no que
concerne à teoria interpretada e difundida por Eni Orlandi, foi o principal terreno teórico.
Nosso corpus consistiu de dois programas religiosos transmitidos pela IURD no
dia 25 de março de 2009, os quais disponibilizamos em anexo. Para uma leitura e análise
aplicamos alguma metodologia de análise do discurso, procurando apresentar pistas com
relação a fatos inicialmente considerados lingüísticos, mas que, quando postos em uso,
refletem sua função discursiva.
O foco deste trabalho foi, principalmente, o discurso religioso deslocado de seu
lugar de enunciação, isto é, na Tevê. E, ainda que muitos dos depoimentos de sucesso
financeiro tenham ocorrido na esfera do templo, o elemento analítico que se sobrepôs foi a
discursividade a partir da Tevê.
Observamos os efeitos do enunciado financeiro-religioso em suas funções de
exemplaridade, não deixando também de considerar o discurso de dois tempos emoldurado
por uma estrutura que consiste de um passado de fracasso e um presente de sucesso. Os
silenciamentos e suas pistas foram também alvo de nossa reflexão. Nos detivemos em
52
considerar o quanto todas essas regularidades cristalizadas pelas formações ideológicas
operam e estão operando de modo alienante. Aliás, foi pontuando isso que retomamos Baruch
Spinoza. Com ele, “de dentro”, nos filiamos às suas inquietudes decorridas do confronto com
as “forças que vêm de fora”.
Enfim, uma conclusão teórico-analítica: se o ambiente da fé é capaz de estancar os
sentidos, a fé editada na Tevê, muito mais. E a nós, como “seres” históricos e para o “bem” da
sociedade, precisamos estar continuamente ponderando sobre o “grau” das discursividades
que incidem de nós ou em nós. Sejam elas de quais formações ideológicas ou meandros
forem: política, religiosa, econômica, social, o fato é que não podemos ser assim tão
“assujeitáveis”, ou indiferentes, ou coniventes, ou manipuláveis, ou domináveis, ou
homogeneizáveis... Se nos pedirem uma prática social, que pelo menos seja a reflexão ou a
partir dela.
53
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56
ANEXOS
57
ANEXO A – Códigos de transcrição: NURC
Apresentamos a tabela com a legenda utilizada para a transcrição do corpus,
segundo Castilho & Preti (1993):
Tabela 1 – Códigos de Transcrição do NURC
OCORRÊNCIAS SINAIS
Incompreensão de palavras ou segmentos: parênteses com
espaço vazio.
(zzzz)
Hipóteses do que se ouviu: entre parênteses. (hipótese)
Truncamento (havendo homografia, usa-se acento indicativo
da tônica e/ou timbre): barra direita.
palavra/palavra
Prolongamento de vogal e consoantes (como s, r): doispontos.
::
podendo
aumentar ::::
ou mais ::::::
Entoação enfática maiúscula
Silabação: hífen com espaço antes e depois de cada sílaba. Si – la – ba – ção
Interrogação: ponto de interrogação. ?
Qualquer pausa: reticências. ...
Comentários descritivos do transcritor: entre parênteses
duplos e escrito em minúsculas.
((minúscula))
Comentários que quebram a sequência temática da exposição;
desvio temático: entre hífens duplos.
--zzzz--
Indicação de que a fala foi tomada ou interrompida em
determinado ponto, mas não no seu início: reticências entre
parênteses.
(...)
Citações literais ou leituras dos textos, durante a gravação:
entre aspas.
“zzzz”
58
Além dos códigos apresentados na tabela utilizada pela NURC, outros ainda
foram adicionados: o itálico, para representar música cantada; e o “entre colchetes” para
representar as imagens e os textos como pano de fundo.
Tabela 2 – Códigos de Transcrição do NURC - Adendo
Letra de música cantada Itálico
Imagens, figuras, curiosidades e textos como pano de fundo [Entre colchetes]
59
ANEXO B – PROGRAMA “VIGÍLIA DAS GRANDEZAS DE DEUS”
Data: 25/03/2009.
Horário: 2:00
[A abertura do programa se dá com recortes de imagens como: um homem jogando golfe;
outro jogando tênis; carros em movimento, sendo que um deles é uma limosine; um executivo
lendo jornal] [Vigília das Grandezas de Deus]
[O programa inicia com reportagem] [Sequência de imagens de bolos, doces] [como pano de
fundo: músicas agradáveis, primeiramente uma melódico-instrumental, que aumenta e
diminui o volume de acordo com a narração][uma narradora toma a palavra] nesta patisserie...
doces e tortas de sabedores delicados e combinações surpreendentes ficam expostas em
vitrines como verdadeiras jóias [imagens de doces] ((deliciosos))...
[descrição em tela: Mara Mello Chef patisserie] [Mara Mello fala ((ela fala muito rápido))
sobre sua própria patisserie, sentada, tendo um grande espelho do lado esquerdo...]
[descontraída e gesticulando muito com as mãos] a idéia foi exatamente desenhar a loja como
se fossem as jóias... como se fossem colocar... enfim... preciosidades...
[a música de fundo continua] [a narradora retoma a locução e as imagens de doces sendo
visualizados por clientes são destacadas] alguns deles são decorados até mesmo com pitadas
de ouro em pó...
[a música de fundo continua] [Mara Mello volta a falar] gosto bastante de usar o ouro... o
ouro, a pra::::ta... o mais comum é o ouro... tem a prata também... mas eu acho que dá um
toque diferente... enfim... elegante... chique... dá uma vida, dá um realce pro doce... e::: eu
acho que é chique... é joalheria e a gente usa ouro.
[a narradora retoma] um dos carros chefes da patisserie é o chocólatra...
[Mara Mello é focalizada na patisserie e fala] o chocólatra que é um doce inteiro de
chocolate... que é desde a base de:::: [aprece imagens do doce] mistura ( ) massa, do mussi,
da ganachi... e aí... [imagem de Mara Mello é retomada] eu trabalho a mistura de um ou dois
chocolates de porcentagem diferentes para dar uma quebra... para dar um contraste...
[a narradora retoma e as imagens de doces reaparecem] a casa também oferece doces com
sanduíches de macarron de chocolate com doce de leite... o carret de pistache com frutas
vermelhas... o meia lua de chocolate com limão e a babarruaze de banana com jandúia...
verdadeiras delícias...
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[a música muda, passando para um ritmo mais animado...] [a narradora fala] inspirado em
diversas experiências (buscativas e afetivas) as receitas são criações da própria chefe Mara
Mello...
[Mara Mello aparece de novo sentada, falando...] o conceito de autora é uma grife é uma
marca... que nem você cria uma grife... que nem um/um:::: designer de moda que cria uma
roupa... que tem uma grife... é a mesma coisa só que no doce... o doce de (autores) envolvido
por um chefe, uma receita específica... uma criação... que o chefe faz...
[narradora e imagens de doces] procurando elevar esse conceito... e dar mais sabor e aroma as
famosas jóias comestíveis... a chefe lança novos doces com chocolate de origem controlada...
[Mara Mello fala, sua imagem aparece] na verdade a novidade é o chocolate baurroná... que é
um chocolate francês... (ahh...) top de linha... ele é muito usado na europa... no mundo
inteiro... é usado como referência de qualidade... (éhh...) de chocolate --realmente-- todos os
grandes chefes... passie... confeiteiros... enfim... pelo mundo inteiro usam (faurroná)...
[narradora e imagens de doces] aqui chocolate é levado a sério... e convida o cliente a
experimentar uma viagem sensorial... [música e imagens]...
[Mara Mello fala, sua imagem aparece – clientes ao fundo] é uma coisa interessante... é que
nem um vinho... que nem um café... na verdade é o que acontece com o chocolate hoje...
(néh::::)?... tá se controlando... a origem do cacau... as porcentagens do cacau... (éh::::) a
acidez... enfim... como se fosse um vinho... (éhh::::)... então... assim... se tem:::: aromas
diferentes... sabores diferent (...)
[narradora e imagens de doces bolos] conhecida pelos doces de base clássica francesa... Mara
Mello trouxe uma novidade para os fãs de doces... festival de éclairs (...) [música e imagens
de doces seguem]...
[aparece a entrevistadora falando ao microfone no estabelecimento – seu nome está na tarja
em tela: AnaPaula Ziglio, São Paulo - SP] ((não dá para identificar pela voz se a narradora e a
entrevistadora são a mesma pessoa))... se você pensa que nunca comeu um (eclér)... ou nem
sabe o que é isso... está muito enganado... aqui no Brasil... esta guloseima... é mais conhecida
por bomba... e pode ser recheada de chocolate ou creme... apresentando versões mais
sofisticadas... a chefe Mara Mello inovou... e criou oito sabores diferenciados... [segue com
outra música – swing – e imagens]...
[Mara Mello fala e gesticula] (no) festival você sempre tem uma variedade maior de sabores...
éh:::: porque um festival ele ocorre durante um período... para as pessoas experimentarem
coisas novas... a gente ousa coisas diferentes como (givanila burbom) com mel turfado... tem
de maracujá com:::: canela... ou de framboesa com capim santo...
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[narradora e imagens de bolos] além de sabores diferentes... os doces trazem um visual bem
moderno... (delicadas) placas de chocolate... com temas diversos e coloridos (...)
[Mara Mello fala] é uma reinvenção... uma recriação... não fui eu que criei a (mini éclair ou a
éclair)... néh:: enfim... (então)... mas aí você dá o seu toque pessoal... tentando fazer uma
coisa mais moderna (...)
[narradora e imagens de bolos, doces] provavelmente criadas na França durante o século
XIX... essas pequenas recriações surpreendem o olfato com os aromas que exalam... a chefe
conta o segredo da (eclér) de maracujá com canela...
[Mara Mello aparece falando e gesticulando] (isso é que é só) importante sempre dosar um
pouco... então:: maracujá com canela... não é (aquilo que) ( ) se vai comer imediatamente e
você vai sentir o gosto de canela... é porque não é a intenção... a intenção é aquela coisa
assim... no finalzi::::nho... você sente um:::: aroma imperceptível... o que que é o que que é o
que que é:::: pra ficar... enfim... néh::: na memória de... de que sabor que é (essas)
especiarias... (que) realmente é uma coisa bem suave... [a música muda: bem animada –
imagens de bolos, tortas]
[a entrevistadora aparece sentada com microfone em mãos no estabelecimento de Mara
Mello] e acredite... se você sonha em viver uma experiência sensorial... aqui é o melhor
lugar... é impossível resistir a essas delícias... [a entrevistadora come um pedaço de bolo,
saboreando-o]...[música de fundo]... muito bom...
[a narradora fala e os bolos, doces, são destacados na imagem e, em seguida, aparece a
imagem de Mara Mello] para quem ficou com água na boca.... infelizmente o festival já
acabou... mas Mara Mello... promete que alguns sabores... vão continuar... sendo produzidos...
[Mara Mello fala] (é) a gente não ( ) os oito sabores... porque é muita coisa... éh:: a gente tá
vendo que vai ter mais... e os sabores que venderam mais agora... são os sabores que
[risadas]... vão ficar... são os ganhadores... [um momento mais extenso de música de fundo –
aproximadamente doze segundos] [Mais imagens e descrição da equipe técnica]...
[Música de suspense para a primeira participação do apresentador oficial do programa
“Vigília das Grandezas de Deus” - Pastor Paulo Alexandre Mendes] ((um jovem)) [a cena
acontece no estúdio] olá amigos... estamos começando mais um programa... das grandezas de
Deus... no programa de hoje... nós queremos abordar... o assunto... do/do/dos dias de hoje... a
crise... muitas pessoas... estão... vivendo... trabalhando... com medo... medo dessa crise [muita
gesticulação e fala pausada]... por causa de uma notícia... que se espalhou pelo mundo... as
pessoas estão apreensivas... preocupadas... e meu amigo e minha amiga ((forma de tratamento
característica do Bispo Edir Macedo))... não é isto o que Deus quer pra você... Deus quer que
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você tenha uma vida de qualidade... talvez você diga: mas e a crise?... é por isso que você tem
que olhar para a frente... e entender... que é possível conquistar... que é possível mudar a
própria história... você vai acompanhar agora... éh:::: o depoimento... do seu (Eduardo)... ele
não conseguia crescer... sabe::: não via nenhuma perspectiva... mas isso mudou... com a
direção que ele recebeu nesta vigília... veja só...
[Entrevistadora – na tarja: repórter Ana Paulo Zíglio – com Eduardo] [ela parece estar na casa
do Eduardo] eu estou aqui com o senhor Eduardo... antes de participar da vigília das
grandezas de Deus... ela era funcionário de uma empresa... que começou a atrasar os
salários... e ele acabou adquirindo uma dívida... senhor Eduardo... como é que foi nessa
época?... foi um período [a entrevistadora socou suavemente o ar]... DIFÍCIL?...
[Aparece Eduardo numa sala, possivelmente em sua casa, um lugar muito bonito – ele
responde a pergunta] foi um período difícil... porque eu trabalhava nesta empresa a mais de
onze anos... eh::::... era um momento que eu tava me preparando pra ( )... eu já tava noivo
nessa época... eu tava me preparando para casar... [aparece a tarja: Eduardo Luiz Gomes
Micro-empresário] e foi o momento que a empresa começou a atrasar o salário.... [a imagem
da entrevistadora preocupada aparece com repetição] a entrar em dificuldade... e:::... a partir
daí... os problemas começaram a surgir... néh:: problemas com dívidas... atrasos de
pagamentos... é:::... que eu tinha (entrado) em alguns financiamentos... tinha acabado de dar
entrada num apartamento... comecei a atrasar as parcelas... acabei perdendo esse
apartamento... e::::... aí foi gerando... foi virando uma bola de neve... o momento que saiu do
controle... né:::...
[a entrevistadora pergunta] e você conseguiu casar... nessa época toda aí... [ironia] de
dificuldade...
[Eduardo responde] então:: foi o momento que eu tive que adiar o casamento... inclusive...
porque eu não pude continuar pagando o apartamento... eu tive que adiar os plano né... de
casamento... ( ) e outras que eu tinha em mente... né... devido a esse problema...
[Entrevistadora afirma] o senhor deve ter se sentido muito mal nessa época...
[Eduardo responde] foi... foi um momento difícil porque (...) foi mais ou menos uma situação
como... hoje... todo mundo fala de crise, crise... [Nesse momento uma tarja passa na tela com
o dizer: SE A SUA EMPRESA NÃO TEM EXPANSÃO E O SEU POTENCIAL TEM SIDO
SUBJUGADO PELA FRUSTRAÇÃO... VOCÊ PRECISA PARTICIPAR DA VIGÍLIA DAS
GRANDEZAS DE DEUS E RECEBER ORIENTAÇÕES E IDÉIAS INOVADORAS PARA
OS SEUS NEGÓCIOS. SEGUNDA-FEIRA (30/03 ÀS 22H, NO TEMPLO MAIOR: Av.
JOÃO DIAS, 1.800 – SANTO AMARO/SP.] naquela época também era um momento
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difícil... também... né... no país... a empresa também entrou em dificuldades... e isso acabou
gerando... éh... esses problemas que eu acabei de dizer.. né... dívidas... atrasos nos
pagamentos... (e outras mais)... e outras coisas mais que aconteceram...
[Entrevistadora, com seriedade, pergunta] nessa época... o senhor via alguma saída pra toda
essa situação?...
[Eduardo responde] é... na verdade... a gente fica meio perdido... né... porque::... um momento
diferente... a gente não (não) tá acostumado a conviver com isso... e de repente... a gente tem
obrigado... a procurar outros... né... e foi... (e daí) nesse momento que eu... eu comecei a
prestar atenção no trabalho da igreja... né... e aí que eu procurei a reunião do/da/das grandezas
de Deus... né...
[Entrevistadora] e como que foi que o senhor... começou a participar da vigília das grandezas
de Deus?...
[Eduardo] é::::... eu comecei participar... é:::... todas as segundas-feiras.. né::... na reunião... e
comecei a::... prestar atenção... no começo a gente fica... meio::... receoso... com o pé atrás...
né::... como a gente diz aí fora... e... esperando... tipo... acontecer algo... né... pra que a gente
possa... acreditar naquilo que o pastor tá falando... mas aí eu comecei a perceber que se a
gente não agisse... a nossa fé... a gente não conseguiria obter nenhum resultado... né... e aí eu
prestando atenção nos testemunhos... e todos os testemunhos que eu prestava atenção dizia a
mesma coisa... falei então eu tenho que fazer alguma coisa... tenho que partir pra fé... né... que
é o único caminho... e foi aí que Deus começou a me abençoar... primeiramente::... ele me
abençoou na empresa... comecei a desenvolver... a crescer... mas chegou o momento que eu
percebi que eu tinha que dar um passo maior... né... foi aí que eu saí... pedi pra sair dessa
empresa... eu pedi as minhas contas... e abri um negócio próprio... né... no mesmo segmento
que eu trabalhava... quer dizer eu passei a ser concorrente da empresa onde eu trabalhava...
[entrevistadora] e como o senhor está hoje?...
[Eduardo] olha... faz... (isso faz já faz) mais de cinco anos que eu tomei esta decisão... e::...
não me arrependo nenhum minuto do que eu fiz... graças a Deus... tudo deu certo... tudo deu
conforme eu planejei... com a orientação que eu recebei na/na/na vigília... eu colocando em
prática... e as coisas aconteceram... da forma que eu determinei... né... junto com as/as
orientações que os pastores nos passaram na reunião (ali da/da) vigília...
[Entrevistadora] e o senhor conseguiu pagar todas as dívidas::... [sorri] e conseguiu casar
também...
[Eduardo] paguei as minhas dívidas... consegui casar... comprei a minha casa... comprei é::::...
a::... minha casa paguei à vista... uma coisa que naquele momento que eu tava passando... não
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me passava pela cabeça um dia ter condições... ((respira fundo))... tive que deixar de pagar as
parcelas do apartamento e::... no momento... né... seguinte... (da após) conhecer a vigília... eu
tive condições de comprar a minha casa à vista... (é) paguei à vista... comprei meu (...) tenho
os meus carros... tenho a minha empresa... minha esposa tem uma loja... graças a Deus nesse
tempo... (que) que a gente passou a::... a frequentar a vigília... as coisas mudaram da água pro
vinho...
[Entrevistadora] e o que o senhor aprendeu na vigília das grandezas de Deus?...
[Eduardo] eu aprendi que::::... não tem momento difícil que não que Deus não possa mudar...
né... transformar... se a gente for fiel... e::... seguir as orientações como é passado... não tem
como não dar certo... né... basta a gente agir a fé... e botar em prática aquilo que é passado na
vigília... não tem como dar errado... né...
[Entrevistadora] e o hoje o senhor se sente um profissional realizado?...
[Eduardo] tenho... ah e ainda acho que tenho muito que crescer ainda... mas... pelo que eu já
cons/conquistei em pouco tempo... em menos da metade do/do tempo que eu tenho a minha
empresa... eu trabalhei onze anos numa empresa... e não conquis/conquistei nem um terço...
do que eu tenho hoje em menos de cinco anos...
[Entrevistadora sorrindo] tá certo... muito obrigado... está aí... o Eduardo é mais um resultado
de sucesso... participe você também da vigília das grandezas de Deus... todas às segundasfeira...
às dez horas da noite...
[Inicia-se uma propaganda com música de suspense ao fundo] [aparece enunciados na tela e o
narrador, uma voz masculina e empostada, a lê] TEMPO DE MUDANÇA... [Imagem de um
labirinto] MOMENTO DE CAUTELA... [Imagem de um braço que segura uma plantinha na
mão] ONDE DECISÕES SÃO TOMADAS NA TENTATIVA DE ALIVIAR OS EFEITOS
DA CRISE FINANCEIRA... [Imagens rapidamente seqüenciadas: um globo e outra figura
empresarial] O DESESPERO TOMA CONTA... [Imagem de um homem desesperado com as
mãos à cabeça] E VOCÊ?... [Imagem de um homem ao computador] VAI SE ENTREGAR A
CRISE?... VAI SE DOBRAR DIANTE DOS PROBLEMAS [Imagem de uma lupa,
calculadora]... ((Indicação de que os problemas são relacionados à questão financeira))... [Há
a transcrição de um texto bíblico e o narrador lê] [O fundo da tela está preto e o texto aparece
com letras em um azul luminoso] “Também conservei em Israel sete mil, todos os joelhos que
não se dobraram a Baal...” 1 Reis19:18... ((Esse texto bíblico, originalmente, foi locução
direta de Deus ao profeta Elias que, escondido numa caverna, temia os adoradores do deus
Baal que o perseguiam))... [Na tela está enunciado: 7 mil vencedores – e aparece juntamente
imagens de um culto da IURD onde os pastores estão de mãos dadas diante de numerosa
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multidão de fiéis que lotam um grande templo] [O narrador diz pausadamente] venha fazer
parte desses sete mil vencedores que não vão se entregar aos problemas... e vão lutar por obter
uma vida de qualidade... [Aparecem imagens seqüenciadas de uma Ferrari vermelha
estacionando; de uma grande e bela casa de dois andares com alguém na sacada no segundo
andar; de um iate e no mar e um jet-ski passando à frente] nesta segunda-feira... sete mil
pessoas estarão unidas de mãos dadas... [Se repete a imagem de um culto da IURD com o
enunciado: 7 mil vencedores, porém na tela também aparece ao alto: segunda-feira] clamando
pelo crescimento profissional... e pelo sucesso financeiro [na tela uma luz azul forte e os
enunciados: CRESCIMENTO PROFISSIONAL ((menor))... SUCESSO FINANCEIRO ((em
negrito))... as imagens do culto com a multidão reunida permanecem] [outra imagem segue
com o enunciado: SEGUNDA-FEIRA ((aparece e desaparece)) e surge: VIGÍLIA DAS
GRANDEZAS DE DEUS] [o narrador segue pausadamente] segunda-feira... a vigília das
grandezas de Deus... para aqueles que buscam o sucesso... às vinte e duas horas no templo
maior... [aparece o enunciado na tela: 22 horas] [em seguida a imagem muda: aparece a frente
de um suntuoso templo da IURD editado com uma imagem de uma multidão aos lados e à
frente e os enunciados: TEMPLO MAIOR ((em letras garrafais))... Av. João Dias, 1800 Santo
Amaro ((em baixo – tamanho menor))] [o narrador segue] Avenida João Dias... mil e
oitocentos... Santo Amaro... (...)
[De volta ao estúdio com o Pastor Paulo Alexandre Mendes que fala enfaticamente,
gesticulando muito] POR QUE... SETE MIL PESSOAS?... [imagens editadas dos cultos ao
fundo em azul] porque nós... que vamos fazer parte destas sete mil pessoas... não vamos
admitir em hipótese alguma... nos dobrar diante dos problemas... não::::... nós vamos
avançar... você tem que acreditar em (...) em si próprio... acreditar em você... lutar pelos seus
objetivos... por aquilo que você deseja... e o objetivo principal desta vigília... é dar a você uma
direção... porque existem pessoas que estão perdidas... mas perdidas mesmo... perdidas... sem
saber como pagar as dívidas... estão perdidas porque já usaram o limite do cheque especial...
estão com o cartão de crédito estourado... estão com o nome no Serasa... no SPC... causas...
né... títulos protestados... uma situação horrí::vel... e aí bate o desespero... a agonia... a pessoa
pensa... e agora o que fazer... você vai receber uma direção... e FORÇA... pra que você possa
se capacitar... e conseguir por meio da fé... mudar a sua vida... das vinte e duas às vinte e três
e quarenta no nosso templo... avenida joão dias mil e oitocentos... na zona sul... da capital...
vamos acompanhar agora um exemplo de superação... de uma dupla né::... muito conhecida...
realmente uma história... é... de gente que lutou... que batalhou... pra fazer a diferença... e
chegar aonde eles chegaram...
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[Muda a cena, aparece uma imagem de fundo escuro com música e uma voz de locutor
narrando e o enunciado aparecendo em tela] alguém já lhe disse que você não tem
potencial?... e que a sua origem é o que lhe atrapalha?... [os enunciados vão mudando de
acordo com a narração] (...)
[Aparecem Zezé de Camargo e Luciano cantando em um show a música que tem como refrão:
“é o amor que meche com minha cabeça e me deixa assim...”] [o narrador fala e as imagens
continuam ao fundo] para eles estes argumentos não funcionaram... Zezé de Camargo e
Luciano... [com a música sendo cantada aparece o enunciado: Tudo começou com um sonho]
[Cenas do filme: “Os dois filhos de Francisco” onde aparece o pai dizendo a esposa] filho
meu tem que ser alguém nessa vida... [muda-se a música] [o narrador fala e aparece o
enunciado: Exigiu persistência e determinação] [Aparece cenas do filme, no campo, onde o
pai treina Camargo e Camarguinho a falarem ao microfone] Camargo e
Camarguinho...Camargo e Camarguinho... aqui tá o microfone... o público tá lá... ses chega...
ses fala... vocês agradece... agradece o público... vai lá... é isso mesmo... é isso mesmo...
Camargo e Camarguinho... vem... [os meninos juntos dizem] respeitável público... queiram
aceitar de (cordial)... [o pai diz] que cordial?... que... vai de novo...
[Retorna para a imagem de fundo preto e branco, tendo como enunciado: A certeza exige
atitudes]
[Outra cena do filme onde a esposa deixa a mala no chão, o a pega e se despede da esposa,
pois faria uma viagem com os filhos] [o pai diz] pode confiar Helena... e lá que tá o futuro
desses menino...
[Música sertaneja de fundo, mas a imagem preta e branca com o narrador lendo o enunciado:
Aos poucos a dupla conquistou o público]
[Cenas do filme: um show dos meninos – e trecho de uma música deles que mencionava] ( )
brigo por qualquer paixão... hoje caio na fulia... e amanheço o dia... nesse forrozão::::... toca
sanfoneiro... toca um arrasta pé... ( ) [Cenas de Camargo e Camarguinho se abraçando ao
término de um show – a música ao fundo] (...)
[Outra cena do filme: os caminhos na estrada – o barulho de freios – o menino assustado]
[Retorna o fundo preto e branco – o narrador faz a leitura do enunciado: Mas um acidente
trágico desfez a dupla vitimando Emerval ((um dos meninos da dupla))... Porém o sonho
continuou... Mais tarde Mirosmar virou Zezé de Camargo] [Imagens do filme onde Luciano
convida Zezé de Camargo para formar uma dupla de música sertaneja – o narrador continua]
que encontrou em Luciano seu ideal parceiro... [No filme: fala de Luciano] vai dar certo sim
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meu irmão... eu sempre tive certeza disso... um milhão Zezé... [Os dois concordam em formar
a dupla – entra uma música de fundo]
[Retorna o fundo preto e branco e o narrador faz a leitura do enunciado: O caminho do
sucesso é marcado por desafios – uma música de suspense ao fundo]
[Cenas do filme onde Zezé de Camargo entra numa loja de Cds e pergunta] tem Zezé de
Camargo?... [A vendedora com expressão de decepção responde] Não... quem é?... [Zezé de
Camargo responde frustrado] é sertanejo... [aparece a esposa de Zezé de Camargo com a filha
no colo] [A vendedora responde] ah... sei... não tá vendendo direito...
[Outra cena do filme onde Zezé de Camargo vê a sua esposa em casa, frustrada, costurando
roupas para conseguir algum dinheiro – Ela diz] tentando botar comida em casa...
[Cena do filme com o pai de Zezé de Camargo falando com um vendedor] aqui seu Sérgio...
óh... quero tudo isso aqui de ficha... [o vendedor diz] mas é dinheiro demais... [o pai
responde] (oié) eu não sei?... quero tudo de ficha oié... pega... conta aí...
[Outra cena: aparece trabalhadores conversando] (eu) botei meu salário todo aqui nessas
ficha... tá aqui as ficha... é só ligar e pedir a música... [um dos rapazes ao telefone] (aqui) é o
Alessandro... eu queria ouvir a música de Zezé de Camargo e Luciano... é o amor...
[Narrador fala e as imagens do filme ao fundo] mais uma vez... o pai da dupla demonstrou
resistência... e que não desistiu de seu ideal...
[Volta o áudio do filme e o pai está falando] não vai pensar que é por causa dos meus filhos
não... não é isso não... não é isso não... é que a música é boa mesmo... [outro trabalhador ao
telefone] é o amor...
[Narrador e o filme com áudio baixo ao fundo] a recompensa foi certa... [No áudio baixo, o
pai está falando a um trabalhador ao telefone] Zezé de Camargo e Luciano...
[Outra cena do filme em que estão conversando à mesa, comendo, o pai, esposa e filhos com a
televisão ligada em volume alto – e a TV anuncia] e agora... chegando ao primeiro lugar da
nossa parada... é o amor... com Zezé de Camargo e Luciano... [Há um silêncio, a cena mostra
o pai – Zezé de Camargo que ficou assustado com a notícia e a TV passa um trecho da música
“é o amor”] (eu não vou negar)... [a família vibra, se abraça]
[Nova cena, continuação, no filme, aparece Zezé de Camargo e Luciano cantando num show,
com grande multidão, a mesma música que estava tocando na TV quando receberam a notícia
de terem atingido o primeiro lugar na parada] (eu sou o seu apaixonado... de alma
transparente...)... ( )...
[Sai o áudio do show e entra o narrador dizendo] diante do sucesso... a gravadora lançou o
disco... é o amor... vendeu mais de um milhão de cópias [nesse momento na tela, em branco,
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com o show ao fundo, aparece o enunciado: “É o amor” vendeu mais de um milhão de cópias]
[no áudio da música do show] é o amor::::... que meche com minha cabeça e me deixa assim...
que faz eu pensar em você... e esquecer de mim::::... me faz eu esquecer que a vida é feita pra
viver::::... é o amor que veio como um tiro certo no meu coração... [Na tela preta aparece o
enunciado em branco ((com letras maiúsculas)): DESISTIR É A SAÍDA DOS FRACOS...
INSISTIR É ALTERNA TIVA DOS FORTES]
[Retorna-se para o estúdio com o Pastor Paulo Alexandre Mendes] quer dizer um sonho
né?::... carregavam um sonho... e lutaram por ele... a senhora... e o senhor que nos
(acompanhe)... traz dentro do peito um sonho... lute pelo seu sonhos... lute pelos seus ideais...
não se entregue... não se abata diante das adversidades... mas lute... porque você pode
alcançar os seus objetivos... segunda-feira... nós estaremos lhe dando uma direção... e você
que ainda carrega um sonho dentro de você... e não permitiu que ele morresse... mas está
disposto a lutar por ele... trezentos e dezoito pastores estarão unido a fé... a você... quem sabe
você diga... pôxa... eu... tô fraco... não tenho mais disposição... força... então... vamos nos unir
a sete mil pessoas... numa campanha muito forte... que certamente mudará a história da sua
vida...
[Aparece uma tela preta com vermelho. Há uma música de suspense ao fundo. Na tela o
enunciado: HISTÓRIAS DE FRACASSO]
[O Pastor Paulo Alexandre Mendes aparece na IURD segurando um microfone e
entrevistando, num momento de culto, uma mulher que, com uma pasta debaixo do braço,
está a dar o seu depoimento] [Ela diz] eu tinha uma dívida impagável no mercado financeiro...
de trezentos mil reais... (e) se resumia em cheques... [ela abre a pasta e folheia as páginas – o
pastor olha e toca na pasta] títulos protestados (...) eu tinha tudo... e de repente eu passei a não
ter mais nada... dum dia pro outro eu comecei perder... perder não dava certo... os negócios
não davam certo... [a imagem vai afastando e mostrando a multidão reunida no templo] os
contratos não se fechavam... (e era/e era) uma desgraça atrás da outra... [a imagem foca o
pastor e a mulher] com isso nós perdemos duas lojas... perdi carro importado... perdi minha
moral... minha dignidade... eu não podia ouvir u::m telefone tocar... pois eu já sabia que era
alguém me cobrando... [o pastor segue estático, segurando o microfone e olhando fixo para a
mulher]... ou era (o) oficial de justiça na minha porta para tomar o que eu tinha... (e) o que eu
não tinha... ou era o gerente do banco... ou era o gerente do banco falando... olha... não vai dar
mais pra segurar... eu vou ter que voltar esse cheque... num:: num tem como mais segurar essa
situação...
[O pastor intervém, falando ao microfone para a mulher] uma humilhação...
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[A mulher responde] mor humilhação...
[Nesse momento, aparece uma imagem, em fundo preto e um quadrado azul menor e
centralizado, sendo que o dizer: ATITUDE, em branco, estava dentro do quadrado azul] [No
áudio há uma música de ação-aventura]
[Volta à cena para o culto e a música de ação fica, em volume baixo, ao fundo no depoimento
da mulher] [Ela diz] aqui eu comecei a ouvir os homens de Deus... né::... aprender a
exercitar... e a acreditar em mim mesma... porque eu não acreditava mais em mim... eu
acreditava que eu não (ia) mais conseguir sair dessa situação... (e eu) comecei a::... (me/ter
motivação pra lutar... pra vencer... a conquistar... a pagar todas as minhas dívidas... né::... e ali
comecei po::r... (um) passo de fé... exercitando a/aquilo que/que eu aprendi aqui... né... como
uma faculdade...
[Nesse momento, volta a imagem, em fundo preto e um quadrado azul menor e centralizado,
porém o dizer, agora, era: UMA HISTÓRIA DE SUCESSO que, em branco, estava dentro do
quadrado azul] [O volume do áudio aumenta, permanecendo só a música de ação]
[Volta à cena do culto e a mulher está a testemunhar do seu sucesso financeiro] paguei todas
as minhas dívidas... (não é::)... regas/resgatei meu nome... no SPC... na/no Serasa... paguei
meus devedores... meus fornecedores... não mudei de atividade... continuo na mesma
atividade... telefonia celular... estou já com duas lojas... conquistei a minha casa própria de
quatro andares... tenho o meu carro importado... tenho (fechados) grandes contratos... Deus
tem mudado a minha vida...
[O pastor diz] não pára por aí não...
[A mulher] não senhor...
[O pastor] cem dias para a senhora... dá (pra) fazer muita coisa (em) cem dias ainda?...
[Ela responde sorrindo] muita coisa... com certeza...
[Ao término do depoimento há cenas do culto, até com efeitos de edição: todos de mãos dadas
e o pastor Alexandre, entrevistador, apontando o dedo para o alto. No áudio, em volume alto,
está a mesma música de ação]
[O áudio é o mesmo, mas aparece novamente a imagem, em fundo preto e um quadrado azul
menor e centralizado, porém com o enunciado escrito em branco: VIGÍLIA DAS
GRANDEZAS DE DEUS]
[Sem áudio e no estúdio, sentado, aparece o pastor Paulo Alexandre Mendes dizendo] ainda
que existam pessoas que::... não::... estejam de acordo com a sua fé... com a sua coragem...
com a sua ousadia... ainda que as pessoas não concordem com os seus projetos... meu amigo e
minha amiga... não dependa da opinião de terceiros... (vai) em frente... mas e o que ficou?...
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esqueça o que passou... isso não vai (lhe) levar a nada... ficar recordando das derrotas... dos
fracassos... das perdas... não vai lhe ajudar em nada... olhe para frente... é isso que faz toda a
diferença...
[Há um novo som de fundo e surgem uma sequência de cenas]
[Aparece uma imagem estática de um 'bonequinho' que identifica um executivo. Ele tem um
ponto de interrogação que lhe serve de cabeça e está sentado, segurando dois notebooks, um
em cada mão. Ao lado do executivo, um enunciado, em azul em fundo branco, em
movimento: O que as pessoas de sucesso tem em comum?] [Um narrador lê o enunciado]
[Outra cena: a imagem de um olho com termos/comandos da informática em volta dele:
Delete... Del... Ctr+C...] [O enunciado é lido pelo narrador: Elas pensam diferente]
[Outra cena: dois bonequinhos com o sinal (diferença) da matemática entre eles. O enunciado
é lido pelo narrador: Agem de forma diferente]
[Outra cena: duas pessoas, cada um segurando uma folha com rostos de 'bonequinhos', um
triste e um feliz. Aparece uma seta indicando para o mais feliz] [Há um enunciado lido pelo
narrador: são + positivos] são mais positivos...
[Outra cena: uma imagem de alguém arrumando a gravata, na qual foi feito um recorte onde
aparece apenas da cintura para cima e do pescoço para baixo] [O narrador lê o dizer:
acreditam em si próprias] [No pulso dessa pessoa há um valioso relógio]
[Outra cena: uma imagem enfocando a região da visão direita. Nela uma seta apontando para
o olho. Há um enunciado lido pelo narrador: enxergam oportunidades nas crises]
[Outra cena: uma imagem, cuja cor predominante é amarela, de três pessoas com os braços
estendidos e as mãos unidas e se entrecruzando. A imagem é um recorte do pescoço para
baixo e da cintura para cima] [Há o símbolo de adição da matemática acima da imagem] [O
narrador lê o enunciado: comprometem-se +] comprometem-se mais...
[Outra cena: a imagem, cuja cor predominante é o amarelo, de um gráfico, sendo que no lado
esquerdo está escrito em tamanho pequeno e de forma angulada: projections] [O narrador lê o
enunciado: terminam o que começam]
[Na seqüência e sobrepondo a imagem anterior, aparece dois 'bonequinhos', um homem e uma
mulher. Há os termos, no alto: simples, em baixo: objetivas. Não obstante, há ao lado dos
bonequinhos, a imagem, do pescoço para baixo, de um executivo com sua pasta] [O narrador
diz] e são simples e objetivas...
[Na outra cena aparece o enunciado: a (aparece o símbolo da matemática diferença) (aparece
um bonequinho) está mais na simplicidade...] [O narrador diz] a diferença está mais na
simplicidade... [aparece a imagem com o enunciado: a (símbolo da matemática diferença)
71
(uma imagem com má resolução de uma pessoa que tem acima de sua cabeça o sinal
gramatical interrogação] do que na complexidade... mais na humildade [Aparece a imagem de
bonequinhos de mãos dadas no lado esquerdo da tela] [Há o enunciado: mais na humildade...]
do que na arrogância... [Surge na tela a imagem de um bonequinho segurando com o dedo
indicativo um globo] [Há o enunciado: do que na arrogância] mais no ser [Aparece a imagem
de um gráfico em cuja última coluna está inscrito: ser; a penúltima coluna, inferior a última,
está inscrito: fazer. Há uma seta indicando a última coluna] do que no fazer...
[Com os termos de cor azul em movimento através de animação gráfica, surge o enunciado
lido pelo narrador: Vigília das grandezas de Deus]
[Ainda com os termos de cor azul em movimento através de animação gráfica, aparece o
enunciado lido pelo narrador: O caminho para o Sucesso!]
[Sem áudio e no estúdio, sentado, aparece o pastor Paulo Alexandre Mendes dizendo]
segunda-feira... das vinte e duas às vinte e três e quarenta... no nosso templo... você vai
receber uma direção nessa vigília... saiba o que acontece na mesma...
[Volta o áudio com uma música de ação que combina-se com as imagens e enunciados
sequenciados que aparecem delineados na cor azul claro] [Não há narração] [A figura de um
homem, vestido social, rindo e uma mulher, vestida como executiva, mexendo em sua bolsa.
Ao lado de cada imagem aparece, escrito de forma diferente, o termo: visão] [A imagem
desaparece] [Com o fundo em preto, aparece o termo: motivação] [Logo, há uma animação
com o enunciado e a imagem de um executivo é associada ao enunciado] [A imagem
desaparece e, com o fundo em preto, aparece o termo: motivação] [Associado ao termo:
motivação, que aparece duas vezes de forma diferente, há na parte de cima da tela as imagens
de um executivo digitando o notebook e a de um jovem, descontraído, vestindo uma camisa
polo] [Desaparece a cena anterior] [Surge o enunciado: confiança, que aparece duas vezes, e a
imagem de um homem, vestido social, com o olhar ((para o futuro)) distante] [Desaparece a
cena anterior] [Desaparece a cena anterior] [Surge o enunciado: atitude, que aparece duas
vezes, e, em dois quadros, no primeiro, a imagem de um homem olhando para o alto e, na
outra, duas mãos se cumprimentando, a de um negro e a de um branco] [Desaparece a cena
anterior] [Surge o enunciado: crescimento, que aparece duas vezes, e dois quadros, num há
prédios e no outro há um gráfico] [Desaparece a cena anterior] [Com a música de ação no seu
clímax, tensão para a sua finalização, aparece uma imagem do culto e a de um prédio ou
templo. E, por meio de animação gráfica, é destacado o enunciado: O que acontece na
Vigília?]
72
[Num local de culto, uma entrevistadora, sem aparecer na imagem, pergunta a um
entrevistado] qual é o seu objetivos nesta reunião?...
[O entrevistado] objetivo nessa reunião [Aparece uma tarja azul com o nome do entrevistado
– RICARDO CALAFAYA JÚNIOR Empresário] é encontrar direção... é::::... fortalecer a fé...
trabalhar é:::... e me esforçar baseado nos princípios de Deus... [Aparece uma tarja azul
escrito: 2ª FEIRA (30/03), NA VIGÍLIA DAS GRANDEZAS DE DEUS A NOITE DOS 7
MIL VENCEDORES, AS 22h Templo Maior: Av. João Dias, 1800 – S. Amaro/SP] ah::::...
trabalhar com/com... uma estratégia... né::... com frequência... com continuidade... né... com
(...) de uma maneira constante... né... sem oscilações... então eu vejo... dessa maneira... o meu
foco nessa reunião...
[Muda-se o entrevistado e a entrevistadora pergunta, agora, para uma mulher] o que a senhora
tem aprendido nas palestras...
[Entrevistada] primeiro lugar é agir minha fé... segundo acreditar que eu posso... [Aparece
uma tarja azul com o nome da entrevistada – ANDRÉIA SHUKRY Empresária] e terceiro...
éh::::... o pastor ele dá uma... uma força tão grande.. que::... não tem como a gente não
acreditar que... a fé ela move... assim... muita coisa... eu tô aprendendo a/a/a... a me autovalorizar...
eu acho que hoje o ser humano ele se desvaloriza muito... por/por percas... né... na
verdade é... tem mais percas do que ganho... então (é::... eu)... o que mais tá me servindo... é
acreditar que eu posso... unindo com a minha fé...
[A cena é transportada para uma reunião na IURD na qual o pastor Paulo Alexandre Mendes
está pregando, trazendo o sermão] [O sermão, no momento da cena, não está sendo iniciado,
mas, já, em andamento] uma boa vida é resultado de uma vida econômica crescente...
daqueles lucros... você... ali... vai ter condição de ter o melhor... [Aparece a imagem do
templo lotado de fiéis] (por que) que tem pessoas que quebram empresa?... por que elas
descapitalizam a empresa... e (envestem) na vida... pessoal... [A imagem retorna para o
pregador] e desse jeito cê não vai crescer financeiramente... você tem que pegar os seus
ganhos... e re-invenstí-los na empresa... e to-do co-me-ço é di-fí-cil... [gesticulação do
pregador] por que que nove... de dez empresas que começam... quebram em menos de dois
anos?... por falta de administração... por que a pessoa não quer esperar os dois anos... pra
começar ter os seus lucros... ela já quer retirar antes... o que ela investiu... aí o resultado não
vai vir... se você quer crescer... se você quer vencer... você tem que trabalhar... você tem que
ser PARECEIRO DE DEUS... e entender uma coisa... agora não é hora de ter retirada... agora
é hora de IN::::–vestir...
73
[A cena sai da pregação do pastor e retorna à entrevista com Ricardo Calafaya Júnior, um
empresário] ((A entrevista com o empresário Ricardo Calafaya Júnior e a empresária Andréia
Shukry foram realizadas num único momento, porém sua edição ocorreu em dois tempos)) [A
entrevistadora pergunta] (você conseguiu) colocar em prática os ensinamentos no seu dia-adia?...
[O entrevista responde] com certeza... com certeza... desde que::... eu comecei a/a frequentar
as reuniões... éh::... eu pude perceber que existe uma diferença muito grande (in)... você::...
acreditar que Deus pode fazer alguma coisa... e você ter certeza de que Deus vai fazer... né...
então... assim... é... isso mudou muito na minha vida... mudou muito porque anteriormente eu
trabalhava muito pensando na força... das próprias mãos... né... então era... era um sacrifício...
é/é... é de braço... de/de... de violência... de força né... que não gerava resultado... muito pelo
contrário... gerava é... (stresse)... gerava é... é muita das vezes uma doença... né... uma/uma
(que) oriunda da preocupação né... problema na família... porque você acaba::... tirando o
tempo que você tem de família pra poder se dedicar ao trabalho... e quando você vai (vê)... no
final das contas... aquilo nada deu resultado... agora quando você exerce a fé... que é o que eu
tenho aprendido nas reuniões... você coloca as promessas de Deus em ação... né você cobra de
Deus aquilo que De::us prometeu... né... e você obviamente faz sua pa::rte... com ele... então
você as coisas fluírem de uma mane::ira milagrosa... é realmente elas fluem de uma forma...
é/é maravilhosa...
[A cena sai subitamente de um depoimento para o outro] [A entrevistadora, que ainda não
apareceu na tela, faz a pergunta para a empresária Andréia Shukry, que já fora entrevistada na
primeira parte da programação] (e) é possível colocar em prática os ensinamentos no seu diaa-
dia?...
[Ela responde] com certeza... éh::::... quando eu comecei na Universal... éh::... eu achava que
eu não podia... que eu ia ouvir... que tudo erum/erum... era um bando de pessoas que elas iam
só me tomar meu dinheiro... a verdade era essa... e aí com o tempo eu fui entendendo que...
(tud/es) é só fazer o que eles pedem... faz... é:: claro que as coisas não acontecem de hoje pra
amanhã... mas você... é::... e as pessoas sempre elas esperam que... vem aqui... amanhã já tá::
lota-da com muito dinheiro... não é isso... não/não é isso... você precisa acreditar... escuta o
que o pastor fala... faz... e tudo que você aprende aqui dentro... você coloca em prática... dá
certo... eu tenho... na verdade... um ano de igreja só... e consegui muitas conquistas... muitas...
eu tinha uma empresa quebrada... [risos] e hoje a minha empresa tá a-rre-ben-tan-do... e assim
eu ensino dentro da minha empresa... as pessoas acreditarem... que podem... então... assim...
você precisa querer muito... a partir do momento que se qué muito... tudo muda (...)
74
[A cena muda subitamente para um momento durante o culto onde os fiéis, de mãos dadas uns
com os outros, estão orando, suplicando a Deus] [A filmagem, realizada de um lugar alto no
templo, percorre por toda a extensão interna do templo focando desde o púlpito, onde está o
pastor orando com intensidade até a multidão] [No áudio há uma música cantada cuja letra é a
seguinte] eu creio nos pla::-nos de Deus... eu creio nas promessas que ele tem prá:: mim::... o
mundo pode até::... du::vidar::... mas sei que (com) Senhor::... tudo vai se cumprir (...)
[O programa retorna para o estúdio. O pastor Paulo Alexandre Mendes, tendo, em azul claro,
as imagens de um culto com numerosa multidão ao fundo, se dirige ao telespectador dizendo]
se você fizer a sua parte... esteja certo... que Deus vai se manifestar... mas parado aí... nesse
ambiente que você está... em casa... no escritório... ou no trabalho... e/esse ambiente nã/não
vai lhe ajudar... (você) tem que vir à vigília... porque (é o) ambiente da fé... onde sete mil
pessoas determinadas... estão lutando... por uma vida de qualidade... segunda-feira... das vinte
e duas... às vinte e três e quarenta... avenida joão dias mil e oitocentos... em Santo Amaro...
[Com uma música de ação em baixo volume, aparece, em fundo preto, a imagem de um jornal
em rápida rotatividade. A cena muda para uma notícia de um jornal com o seguinte enunciado
lido pelo narrador: Crise deixará 1 milhão de tailandeses desempregados. Há num quadro na
folha do jornal a imagem de mãos segurando suas carteiras de trabalho] [A cena anterior
desaparece] [O jornal entra em rotatividade novamente e pára no enunciado: Prejuízo da Gol
supera R$ 1 bilhão. Há a imagem de um executivo de costas com as mãos na cabeça
((expressão de desespero)) num quadro na folha do jornal. O narrador também fez a leitura
dessa notícia] [Desaparece a cena anterior] [A nova cena apresenta a notícia que é lida pelo
narrador: BC adia empréstimo de dólar das reservas para empresas. Há a imagem de uma
cédula de dólar numa parte da folha jornal] [A figura desaparece e surge outra notícia] [A
nova notícia lida pelo narrador é a seguinte: União Européia disponibiliza mais 100 milhões
de euros para combater a crise. Há a imagem de cédulas de euro num quadro da folha do
jornal]
[Com uma música de suspense ao fundo, aparece em fundo preto uma imagem redonda de
tom acinzentado, parecendo-se com o globo terrestre. Um enunciado com letras pequenas,
porém destacando com letras maiores as palavras “estatísticas” e “negativas”, é lido pelo
narrador] enquanto as estatísticas apontam situações negativas... [Muda-se o enunciado,
agora, com letras pequenas, porém destacando com letras maiores as palavras “vivem” e
“realidade”, a leitura pelo narrador é feita] eles vivem uma outra realidade...
[A música desaparece. O cenário volta a ser um culto na IURD. O pastor Paulo Alexandre
Mendes está segurando o microfone para uma moça fazer um depoimento. Ela diz] meu
75
trabalho era questionado... eu não sabia se eu tinha o perfil para ficar na empre::sa... e eu
trabalho com a diretoria... é bem difícil o trabalho... e hoje eu sou bem reconheci::da... Deus
me capacita... a cada dia eu faço um trabalho melhor...
[O pastor diz ao microfone para a moça que está testemunhando] fazendo a diferença...
[A moça responde] fazendo a diferença (...)
[Aparece uma imagem cinza com caracteres em branco que correspondem ao número: 318,
surgem e crescem, vindo a preencher a tela toda. ((Como se estivessem vindo em direção ao
telespectador)) [A imagem passa muito rápido, quase imperceptível, e o som assemelha-se ao
de um tiro com revólver]
[Ainda com o pastor Paulo Alexandre Mendes ao microfone, um fiel faz o seu depoimento] a
minha empresa tava com problema de documentação... regularizei em quatorze dias... e::
agora nós tamos no atacado aí... e nós estamos já com quarenta clientes no atacado...
[O pastor diz ao microfone para o senhor que está dando o seu depoimento] tá crescendo...
[O entrevistado responde] crescendo (ainda) (...)
[Com um som de tiro, se repete a imagem cinza com o número: 318]
[Tendo o pastor Paulo Alexandre Mendes ao microfone, mais uma fiel faz o seu depoimento]
hoje eu tenho os meus três negócios... e:: tô aí na luta (...)
[Com um som de tiro, se repete a imagem cinza com o número: 318]
[Tendo o pastor Paulo Alexandre Mendes ao microfone, mais um fiel faz o seu depoimento] a
venda que::... eu cheguei aqui tava lá embaixo... hoje (tripicou) (...)
[Tendo frases musicais de ação no áudio, aparecem, em tom acinzentado, flashes rápidos da
reunião, na qual há uma multidão de fiéis no templo e os pastores abaixo da plataforma
fazendo orações à frente do povo]
[Finalizando a frase musical de ação iniciada na imagem anterior, aparece o enunciado:
“Vigília das grandezas de Deus” com letras em branco escritas sobre um um círculo
acinzentado que está sobrepondo o fundo em preto.
[O cenário é novamente o estúdio de gravações. O pastor Paulo Alexandre Mendes, tendo
imagens da reunião em azul claro, finaliza dizendo] segunda-feira... esperamos por você... até
lá::... um forte abraço... que Deus abençoe a todos... [Após suas últimas palavras, o pastor
Paulo Alexandre Mendes sai da cena pelo lado esquerdo]
[A seguir, a câmera focaliza a imagem em azul claro que está ao fundo após a saída do pastor
– a multidão de fiéis e os pastores no culto – e aproxima] [O cenário que era azul ((Como se
tivesse entrado numa tela)), ganha cores naturais e uma música que está sendo cantada é
enunciada em áudio] eu tenho uma pala::vra libera::da sobre mim... [Surge a imagem-logotipo
76
do programa: um executivo todo desenhado em preto e branco, e, em prata, escrito: VIGÍLIA
das grandezas de DEUS] ((Os termos “vigília” e “Deus” estão em caixa alta e são letras de
dimensões maiores que os demais termos)) promessas do Deus vivo (...)
77
ANEXO C – PROGRAMA “SAINDO DA CRISE”
Data: 25/03/2009.
Horário: 2:30
[Com um áudio característico de telejornalismo, a abertura do programa se dá com uma
animação gráfica que remete o telespectador a um gráfico cuja linha em vermelho,
representando um índice, perpassa cenas diferenciadas em tonalidade azul até se fechar numa
tela com o nome do programa: SAINDO DA CRISE] [O “S” de SAINDO é representado pela
cifra $ – e o “E” de CRISE, é representado pela cifra €]
[Aparece a imagem de uma moça e a narradora diz] depois da demissão... a vendedora
Jordeane veio pedir o seguro desemprego... [Imagens de pessoas sentadas em fila de espera]
para cuidar dos filhos... até voltar a trabalhar...
[A entrevistada fala] [Em branco, no canto da tela, é dito: Jordeane Ferreira desempregada]
pretendo trabalhar com isso ainda (...) --por enquanto ficar em casa... e cuidar dos filhos-- (...)
[Com um outro entrevistado que está a olhar a carteira de trabalho, a narradora diz] já Luis...
quer voltar logo ao mercado... [Imagens de Luiz sentado e pensativo] ele era comerciário... e
precisa do salário para pagar a faculdade...
[Luiz fala] (um) emprego que eu to procurando assim... [Em branco, no canto da dela, é dito:
Luiz Ribeiro Alves desempregado] de acordo com a minha qualificação ainda não consegui...
[A narradora menciona] Luiz [A imagem mostra Luiz em espera, sentado, pensativo] e
Jordeane [Mostra-se a imagem de Jordeane a falar e gesticular com as mãos, porém sem
áudio] esperam aproveitar o pequeno salto... [Mostra-se uma sequência de imagens de
produção industrial, principalmente de carros, e trabalhadores em serviço] [Há uma música de
suspense em baixo volume] [Na tela, em branco, está escrito: IMAGENS GENTILMENTE
CEDIDAS PELA REDE RECORD] positivo do aumento de contratações... que em meio à
crise de fevereiro... superaram as demissões em todo o país... um salto de mais de nove mil
novos postos de trabalho... mas apesar disso... [Surge, crescendo, na tela, em branco, o
número 9.179] muitos ainda não conseguem recolocação... o aumento que se vê em
números... [Mostra uma sequência de imagens de uma moça negra sorrindo no caixa de algum
estabelecimento] parece não refletir... em número... na vida de milhões de trabalhadores (...)
[O apresentador do programa, vestido de terno preto e gravata vermelha, faz a sua abertura no
estúdio. Há uma mesa, sobre ela várias revistas, uma folha e uma xícara branca. Atrás, na
78
parede, em azul, há um mapa mundi] OLÁ... DEUS abençoe a todos... [Aparece o nome do
apresentador com letras em branco: BISPO JADSON SANTOS] eu sei que cada dia para o
desempregado é um desespero... né?::... [A câmera abre mais, destacando a presença, no
estúdio de outra pessoa que está sentada à frente da mesa] (o quê) vão chegando as contas... a
pessoa tem vários compromissos... [Aparece o enunciado: VOCÊ TEM PROBLEMAS
FINANCEIROS? LIGUE AGORA: (0**11) 2178-1177 – escrito sobre uma tarja, cinza e
vermelho] e também tem que se manter... né pastor Edson?... [O bispo Jadson olha para o
pastor Edson, vestido com terno preto e gravata preta, que diz] é verdade... ele sabe que não
tem da onde tirar... a fonte de renda para honrar os seus compromissos... [Aparece o nome em
branco: PASTOR EDSON COSTA] seja o aluguel... seja a alimentação básica... seja o estudo
dos seus filhos... [Aparece o enunciado: NÃO SABE COMO QUITAR SUAS DÍVIDAS?
LIGUE AGORA: (0**11) 2178-1177 – escrito sobre uma tarja, cinza e vermelho] então
realmente bate o desespero...
[O bispo Jadson fala] eu queria chamar atenção... de todas as pessoas que estão
desempregadas... já espalharam aí vários currículos... já buscaram... sabe::... nos amigos...
[Aparece o enunciado: ESTÁ DESEMPREGADO E SEM PERSPECTIVAS? LIGUE
AGORA: (0**11) 2178-1177 – escrito sobre uma tarja, cinza e vermelho] nos familiares...
u/uma oportunidade para trabalhar e até agora nada... olhe o que tem acontecido... na vida das
pessoas que... tem participado conosco aqui no brás... dessa reunião dos trezentos e dezoito...
[Aparece o enunciado: NAÇÃO DOS 318 PASTORES 2ª feira às 7:30, 10h, 12h, 15h, 18h,
20h e 22h Matriz Av. Celso Garcia, 499 - Brás/SP – escrito sobre uma tarja, cinza e vermelho]
inclusive nessa segunda-feira... TODOS os desempregados devem trazer a carteira de trabalho
heim::... o/olha essa fila de testemunhos... eu já volto...
[O cenário muda do estúdio para um templo tomado por uma multidão de fiéis. Há uma fila
num dos corredores e o bispo Jadson faz perguntas aos fiéis]
[Com os aplausos do auditório rapidamente cortados pela edição do programa, o pastor
inclina o microfone e aproxima-se, perguntando à mulher que agora está à frente da fila no
corredor central da igreja] qual o nome da senhora...
[A mulher responde] Vanda...
[O bispo pergunta] quanto tempo desempregado?...
[Ela responde] um ano e meio...
[Bispo] a senhora tem quantos anos?...
79
[Ela responde] quarenta e sete... [Aparece o enunciado: ESTÁ DESEMPREGADO E SEM
PERSPECTIVAS? LIGUE AGORA: (0**11) 2178-1177 – escrito sobre uma tarja, cinza e
vermelho]
[Bispo] um ano e meio a senhora ficou parada?
[Ela] quer dizer (não fico) né?...
[Bispo] a senhora veio aqui pedir a Deus para abrir uma porta...
[Ela] ( ) (passada)...
[Bispo] como é::?...
[Ela] eu vim segunda-feira passada...
[Bispo] e aí?...
[Ela] consegui hoje...
[Bispo] começou a trabalhar hoje?... [Ela balançou a cabeça afirmativamente]
[Bispo] primeira vez foi segunda-feira passada?... um ano e meio que a porta não se abria?...
[Ela] isso...
[Bispo] agora trabalhando?... [Aparece o enunciado: NAÇÃO DOS 318 PASTORES 2ª feira
às 7:30, 10h, 12h, 15h, 18h, 20h e 22h Matriz Av. Celso Garcia, 499 - Brás/SP – escrito sobre
uma tarja, cinza e vermelho]
[Ela] tô...
[Bispo] Deus abençoe a senhora... [O bispo a cumprimenta e ela sai com os aplausos do
auditório, subitamente cortados pela edição]
[Outra mulher se apresenta para dar o seu testemunho e o pastor pergunta] a senhora tava
desempregada a quanto tempo?...
[Ela] há doze anos...
[Bispo] doze?...
[Ela] doze...
[Bispo] e a senhora tem quantos anos?...
[Ela] cinquenta e três...
[Bispo] ninguém abria as portas para a senhora não?...
[Ela] ninguém e::... e:: o mais importante bispo que... eu fui convidada a abrir um
departamento no shopping (em tutuapec)... (de sac) entendeu?... [O enunciado muda para:
ESTÁ DESEMPREGADO E SEM PERSPECTIVAS? LIGUE AGORA: (0**11) 2178-1177 –
escrito sobre uma tarja, cinza e vermelho] e eu não sabia nem ligar o com/mputador e me
chamaram pra trabalhar...
[Bispo] a senhora ficava pensando... (po::) já tem uma idade... ninguém vai abrir as portas...
80
[Ela] (eu) pedia pra Deus me capacitar... porque:: eu realmente... eu confessei ao/a gerente
geral que eu não sabia ne::m ligar o computador... eu tinha me::do... [Aparece o enunciado:
NAÇÃO DOS 318 PASTORES 2ª feira às 7:30, 10h, 12h, 15h, 18h, 20h e 22h Matriz Av.
Celso Garcia, 499 - Brás/SP – escrito sobre uma tarja, cinza e vermelho]
[Bispo] até assim contrataram a senhora?...
[Ela] assim mesmo...
[Bispo] Deus abençoe... [O bispo a cumprimenta e ela sai] [aplausos do auditório cortados
subitamente pela edição]
[Pela ordem normal da fila de depoimentos, o próximo a testemunhar seria um senhor, porém,
observa-se que foi feito na edição do programa um corte e esse depoimento não foi
apresentado. Apenas, rapidamente, vê-se na imagem, um senhor saindo da tela após dar o seu
depoimento. Uma senhora que estava atrás de quatro pessoas na fila é a próxima a
testemunhar]
[O bispo pergunta a ela] ficou desempregada quanto tempo?...
[Ela] é::... quinze ano...
[Bispo] quinze?...
[Ela] agora... faz três ano que tô trabalhando que tá entrando (em caso)... --que (meu marido)
ficou terciarizado néh?--...
[Bispo] quer dizer que a senhora ficou quinze anos parada?... [Ela concorda inclinando a
cabeça] Deus abriu uma porta... trabalhando?...
[Ela] tô... [Aplausos do auditório subitamente cortados pela edição do programa]
[Bispo] Deus abençoe... [Ela sai e entra para testemunhar uma outra mulher carregando uma
sacola na mão]
[Bispo] qual o nome da senhora?...
[Ela] o meu é Jane (...)
[Bispo] a senhora tem quantos anos?...
[Jane] eu tenho cincoenta e três anos...
[Bispo] desempregada a senhora ficou quanto tempo?...
[Jane] fique seis ano... Deus me abriu uma grande porta... [O enunciado muda para: ESTÁ
DESEMPREGADO E SEM PERSPECTIVAS? LIGUE AGORA: (0**11) 2178-1177 –
escrito sobre uma tarja, cinza e vermelho] (que é) uma loja de grife né::.... que eu trabalho lá
dentro... e sou chamada pras otra loja pra fazer serviço extra... então tr/tenho dois emprego...
graças a Deus...
81
[Bispo] que Deus abençoe... [O pastor a cumprimenta e ela sai com os aplausos que não
foram cortados pela edição, pois a mulher que estava atrás dela, na fila, daria o seu
depoimento]
[O pastor pergunta a essa outra fiel] qual o nome da senhora?
[Ela] Sônia...
[Pastor] a senhora tem quantos anos?...
[Sônia] eu tenho quarenta e sete... --mas eu fiz pro meu marido--... [O enunciado muda para:
NAÇÃO DOS 318 PASTORES 2ª feira às 7:30, 10h, 12h, 15h, 18h, 20h e 22h Matriz Av.
Celso Garcia, 499 - Brás/SP – escrito sobre uma tarja, cinza e vermelho] ele tava um ano e
quatro meses desempregado... quando eu comecei com vinte dia... as portas se abriu... foi
registrado e tudo...
[Bispo] tudo certo?...
[Sônia] tudo certo...
[Bispo] Deus abençoe... [O bispo a cumprimenta e ela sai com os aplausos do auditório, que
não são interrompidos pela edição, pois a fiel que estava atrás na fila também daria o seu
depoimento]
[Bispo] qual o nome da senhora?
[Ela] Maria Luiza...
[Bispo] a senhora tem quantos anos?...
[Maria Luiza] cinquenta e três...
[Bispo] ficou desempregada quanto tempo?...
[Maria Luiza] olha... eu fi/trabalhei trinta e dois como telefonista... e fiquei seis meses
desempregada na minha área... e nunca mais achei... aí comecei a trabalhar como boy... e
Deus deu uma visão... hoje eu tô trabalhando por conta... [O enunciado muda para: ESTÁ
DESEMPREGADO E SEM PERSPECTIVAS? LIGUE AGORA: (0**11) 2178-1177 –
escrito sobre uma tarja, cinza e vermelho] e presto/faço revisão... aposentadoria... e:: presto
serviço pra escritório de contabilidade e advogado...
[Bispo] Deus abenço::e... [O bispo a cumprimenta e ela sai]
[A imagem sai daquele culto e vai para um outro momento de culto onde há uma outra fila de
depoimentos]
[O bispo pergunta a fiel] o senhor abriu a porta pra quem?...
[Ela] (po) meu filho pastor... ela tava/ tem dezoito ano/e ele tava desempregado... [O
enunciado muda para: NAÇÃO DOS 318 PASTORES 2ª feira às 7:30, 10h, 12h, 15h, 18h,
20h e 22h Matriz Av. Celso Garcia, 499 - Brás/SP – escrito sobre uma tarja, cinza e vermelho]
82
[Subitamente aparece outra mulher para dar o depoimento e o bispo a pergunta] a senhora
pediu por quem?...
[Ela] pelo meu filho...
[Bispo] tava desempregado?...
[Ela] tava... ele fez/Deus fez uma obra completa na vida dele bispo... quando eu cheguei
aqui... há dois anos atrás... meu filho tinha prestado pra três faculdades... ele entrou nas três...
só que ele não tinha condições porque a mensalidade era muito cara... aí eu fiquei muito
revoltada... [O enunciado muda para: NÃO CONSEGUE TER ÊXITO PROFISSIONAL?
LIGUE AGORA: (0**11) 2178-1177 – escrito sobre uma tarja, cinza e vermelho] dali dois
meses... ele ganhou uma bolsa integral... os quatro anos... de graça na faculdade... ele faz/até o
curso Deus escolheu... ele faz propaganda e marketing... [O enunciado muda para: NAÇÃO
DOS 318 PASTORES 2ª feira às 7:30, 10h, 12h, 15h, 18h, 20h e 22h Matriz Av. Celso Garcia,
499 - Brás/SP – escrito sobre uma tarja, cinza e vermelho] e ele tá se sobressaindo na
faculdade... e depois disso... depois da faculdade... Deus abriu uma porta de emprego... ele
trabalha numa multinacional... registrado com todos os benefícios... e agora esse a::no... a
minha filha também ganhou uma bolsa pra faculdade... de cinqüenta por cento... (quer dizer)
(...)
[Bispo] Deus abençoe... [Há aplausos subitamente cortados pela edição]
[O bispo interroga uma outra fiel que não era a seguinte da fila, mas foi selecionada pela
edição para dar o seu depoimento]
[Bispo] pedir por quem?...
[Fiel] pela minha filha... ela com trinta anos nunca tinha trabalhado registrado... só fazia
bico... [O enunciado muda para: ESTÁ DESEMPREGADO E SEM PERSPECTIVAS?
LIGUE AGORA: (0**11) 2178-1177 – escrito sobre uma tarja, cinza e vermelho] e através de
eu fazer a corrente dos trezentos e dezoito... ela arrumou um serviço registrado... [O
enunciado muda para: NAÇÃO DOS 318 PASTORES 2ª feira às 7:30, 10h, 12h, 15h, 18h,
20h e 22h Matriz Av. Celso Garcia, 499 - Brás/SP – escrito sobre uma tarja, cinza e vermelho]
que ela não acreditava... porque também tinha o nome éh::... no SPC... e tem dois anos que ela
tá trabalhando e tá (abençoando)...
[Bispo] Deus abençoe a senhora [O bispo a cumprimenta. Há aplausos do auditório, porém
sem áudio e subitamente cortados]
[Retorna-se ao estúdio com o apresentador bispo Jadson, tendo ao fundo o mapa mundi em
azul. Ele diz] muitas pessoas nessa última segunda-feira... é:: testemunharam... chegaram aqui
no brás felizes... porque estavam se deparando com portas fechadas... [A câmera do estúdio
83
abre o foco e aparece o pastor Edson Costa sentado à frente da mesa do bispo Jadson] e as
portas se abriram... a/agora eu queria falar com os vendedores... [O enunciado muda para:
TRABALHA MUITO E NÃO VÊ RESULTADOS? LIGUE AGORA: (0**11) 2178-1177 –
escrito sobre uma tarja, cinza e vermelho] éh... dizem que... o movimento... é... para quem
vende carro tá fraco... né:: pastor Edson?... ouviu falar sobre isso?... [O bispo Jadson olha para
o pastor Edson]
[Pastor Edson] sim... bastante... é o que mais se comenta né?...
[Bispo Jadson] o movimento forte tá... de busca e apreensão... de tomar carro de quem não tá
conseguindo pagar...
[Pastor Edson] É verdade... as pessoas tão perdendo... não tão mais nem comprando... nem
movimentando... estão perdendo...
[O enunciado muda para: NAÇÃO DOS 318 PASTORES 2ª feira às 7:30, 10h, 12h, 15h, 18h,
20h e 22h Matriz Av. Celso Garcia, 499 - Brás/SP – escrito sobre uma tarja, cinza e vermelho]
[Bispo Jadson] ATENÇÃO TODOS OS VENDEDORES... não só de carros... né::... eu não sei
com que o senhor ou a senhora trabalha... mas olhe o que Deus está fazendo na vida desta
senhora... que deu depoimento nessa última segunda-feira... eu já volto... olha só...
[O bispo Jadson encontra-se no templo diante de uma multidão de fiéis que estão sentados.
Uma mulher se aproxima para dar um depoimento e ele pergunta] qual o nome da senhora?...
[Ela] (Célia)...
[Bispo] dona?...
[Ela] Célia...
[Bispo] a senhora trabalha com quê?... [O enunciado muda para: VOCÊ TEM PROBLEMAS
FINANCEIROS? LIGUE AGORA: (0**11) 2178-1177 – escrito sobre uma tarja, cinza e
vermelho]
[Célia] com venda de carros nacionais e importados...
[Bispo] como é que foi esse mês?...
[Célia] esse mês eu já vendi trinta carros...
[Bispo] esse mês agora?...
[Célia] esse mês já vendi trinta carros faturados... [O enunciado muda para: NAÇÃO DOS
318 PASTORES 2ª feira às 7:30, 10h, 12h, 15h, 18h, 20h e 22h Matriz Av. Celso Garcia, 499 -
Brás/SP – escrito sobre uma tarja, cinza e vermelho] fora os carros que ainda não chegaram...
que são carros importados que a gente depende aí de... de:: tráfego... essas coisas... e ainda
não chegaram... tão pra chegar até dia trinta e um... tem ainda mais uns dez pra (fatura)... [O
84
enunciado muda para: TRABALHA MUITO E NÃO VÊ RESULTADOS? LIGUE AGORA:
(0**11) 2178-1177 – escrito sobre uma tarja, cinza e vermelho]
[Bispo] quer dizer que todo mundo nesse ramo... a coisa não tá boa... ((A Célia acabou de
ressaltar o quanto a coisa está boa))
[Célia] nã::o... tem vendedor (que/tra) vendeu nove carros esse mês... lá na loja... e eu já vendi
trinta... faturados... [O enunciado muda para: NAÇÃO DOS 318 PASTORES 2ª feira às 7:30,
10h, 12h, 15h, 18h, 20h e 22h Matriz Av. Celso Garcia, 499 - Brás/SP – escrito sobre uma
tarja, cinza e vermelho] tenho mais dez ainda esperando chegar aqui no Brasil... pra poder
faturar e entregar...
[Bispo] e é/essa reunião (cento) e dezoito tá somando na vida da senhora?...
[Célia] bastante... eu cheguei aqui em dois mil e sete... desempregada... sem nada... [O
enunciado muda para: NÃO CONSEGUE TER ÊXITO PROFISSIONAL? LIGUE AGORA:
(0**11) 2178-1177 – escrito sobre uma tarja, cinza e vermelho] quem me trouxe foi os meus
pais... eu não tinha dinheiro nem... nem pra sapato... hoje se eu não for trabalhar... [O
enunciado muda para: NAÇÃO DOS 318 PASTORES 2ª feira às 7:30, 10h, 12h, 15h, 18h,
20h e 22h Matriz Av. Celso Garcia, 499 - Brás/SP – escrito sobre uma tarja, cinza e vermelho]
as pessoas ficam me ligando... eu não tenho tempo... eu não folgo... tipo assim... muito
trabalho mesmo...
[Bispo] já tem dinheiro pro sapato...
[Célia] (pa)/BASTANTE... é questão do tempo agora... [Risos]
[Bispo] Deus abençoe a senhora...
[Retorna-se para o estúdio] [Bispo Jader] eu estou fazendo questão de encher o programa de
hoje de resultados... porque quando o mal está na vida das pessoas... ela só tem resultados
negativos... [A câmera abre e o pastor Edson aparece no foco] a::h quem não acontece nada na
vida dela... a vida tá parada... é uma mesmice... as mesma dificuldades todos os meses... todo
dia a pessoa passando pelo mesmo drama... humilhações... vergonha... [O enunciado muda
para: ESTÁ PERDENDO TUDO O QUE TEM? LIGUE AGORA: (0**11) 2178-1177 –
escrito sobre uma tarja, cinza e vermelho] tem gente que a única coisa que acontece na vida
dela... é/é chegar problemas... é uma série de coisas acontecendo ao mesmo tempo... (pa)
pressionar a senhora... para pressionar o senhor... e/eu vou colocar o depoimento agora... [O
enunciado muda para: NAÇÃO DOS 318 PASTORES 2ª feira às 7:30, 10h, 12h, 15h, 18h,
20h e 22h Matriz Av. Celso Garcia, 499 - Brás/SP – escrito sobre uma tarja, cinza e vermelho]
e eu queria que todos prestassem atenção... de um homem que chegou até a gente... MAL...
inclusive ele morava numa pensão aqui do Brás... hoje um advogado muito bem sucedido...
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mas ele não tá tendo sucesso só porque é advogado nã::o... porque se aliou a Deus... porque o
que tem de advogados passando até necessidades né::h pastor (Eds)?... [O enunciado muda
para: NÃO CONSEGUE TER ÊXITO PROFISSIONAL? LIGUE AGORA: (0**11) 2178-
1177 – escrito sobre uma tarja, cinza e vermelho]
[Pastor Edson] é verdade... não só advogados... mas profissionais de todas as áreas... pessoas
que tiveram uma boa formação... pessoas que estavam muito bem preparadas para o
mercado... mas se depararam com uma amarração... parece que um bloqueio no caminho
delas... (então) não conseguiam avançar... este homem está fazendo a diferença...
[Bispo Jader] vamos acompanhar esta história... já volto...
[O cenário muda, agora o bispo Jader está entrevistando um fiel, vestido com terno e gravata,
no templo, mais especificamente, sobre a plataforma, perto do púlpito de onde é proferido o
sermão]
[Bispo Jader pergunta ao entrevistado] (comé) o nome do senhor?...
[Fiel] Osvaldo Costa...
[Bispo] o senhor chegou aqui na nação e/em qual situação?...
[Osvaldo] primeiro que tinha raiva... de você... não gostava de ouvir você falando::::... ficava
olhando...
[Bispo] era de mim?...
[Osvaldo] sim... [Risos]
[Bispo] mas eu fiz alguma coisa pro senhor, não?...
[Osvaldo] éh::::... [O enunciado muda para: ESTÁ DESEMPREGADO E SEM
PERSPECTIVAS? LIGUE AGORA: (0**11) 2178-1177 – escrito sobre uma tarja, cinza e
vermelho] isso éh::... a gente precisa brincar porque depois se vai ver... a grande idéia do
público de uma maneira geral... é que::... vocês... fazem a cabeça... das pessoas em (...)
[Bispo] lavagem cerebral?...
[Osvaldo] SIM... uma lavagem celebral e tomam o dinheiro... (risos)... e as vezes você na
dificuldade... você:: esquece que:: a sua fé comanda tudo né::?... eu sou um exemplo disso
aqui... e costume dizer pros clientes... e dou a minha cara pra bater hoje... né::... eu fui uma
pessoa::... [O enunciado muda para: NÃO SABE COMO QUITAR SUAS DÍVIDAS? LIGUE
AGORA: (0**11) 2178-1177 – escrito sobre uma tarja, cinza e vermelho] que passei uma
dificuldade financeira muito grande... a minha vida... a minha infância foi mui::to dolorida...
eu cheguei a morar em pensões aqui em São Paulo... não tenho vergonha de dize::r... a::/hoje
eu ministro algu::ns... é... leciono... e quando eu vou falar pro cliente... (quando) eu for falar
pro aluno ele diz... isso é uma retórica pra animar a gente né... ninguém acredita que eu até os
86
vinte e oito... trinta anos... eu tava na pensão aqui no Brás... inclusive agora tava falando com
um colega advogado ali...
[Bispo] (cê é) advogado?...
[Osvaldo] Sou advogado... e::.... e o advogado tava me olhando... e eu lembro que [O
enunciado muda para: SUA EMPRESA ESTÁ A BEIRA DA FALÊNCIA? LIGUE AGORA:
(0**11) 2178-1177 – escrito sobre uma tarja, cinza e vermelho] na época que eu era
advogado... eu carregava caixa aqui entregando... cerveja... topava qualquer parada...
[Bispo] quer dizer que a vida do senhor não andava?...
[Osvaldo] não andava... e::... na hora que eu pensava que tava tudo muito bem::... caía de
novo...
[Bispo] subia e descia...
[Osvaldo] subia e descia... tanto é que eu fiz a faculdade escondido da família... com medo
de::... de dar errado... então quando eu terminei falaram... compraram o curso... (risos)...
[Bispo] quer dizer que ninguém acreditava no senhor?... [O enunciado muda para: NÃO
CONSEGUE TER ÊXITO PROFISSIONAL? LIGUE AGORA: (0**11) 2178-1177 – escrito
sobre uma tarja, cinza e vermelho]
[Osvaldo] não não... ninguém acreditava em mim...
[Bispo] (o que) essa reunião somou na vida do senhor... o que que o senhor tem hoje?...
[Osvaldo] na verdade::... eu::... eu tenho um/uma força... [O enunciado muda para: NAÇÃO
DOS 318 PASTORES 2ª feira às 7:30, 10h, 12h, 15h, 18h, 20h e 22h Matriz Av. Celso Garcia,
499 - Brás/SP – escrito sobre uma tarja, cinza e vermelho] mas do que tudo que (eu) tenho
financeiramente... do meu patrimônio... é a força que eu tenho... eu costumo dizer o seguinte...
ago::ra... tem crise?... tira o essi... cria... e sorria... né?::... a força que eu recebo daqui... (vem)
toda semana aqui... com muito prazer... com muita dedicação... acreditando que aqui você
planta... e você colhe... é toda vez que (kdi) alguém vem aqui... que (k) devagarinho...
(pode)... às vezes um arroz não dá com três meses?... a jaca dá com oito anos... [O enunciado
muda para: ESTÁ PERDENDO TUDO O QUE TEM? LIGUE AGORA: (0**11) 2178-1177
– escrito sobre uma tarja, cinza e vermelho] (aguarda) (...)
[Bispo] mas dá né?...
[Osvaldo] mas dá... mas dá eu tenho plena certeza... e outra coisa... eu não sou incauto... eu
sou uma pessoa hoje bastante esclarecida... é:: com uma formação muito boa... uma clientela
mu::ito gratificante... tem uns que sorri de mim... mas e::u importante que eu to feliz... eu tô
tranquilo... eu moro muito bem... [O enunciado muda para: NAÇÃO DOS 318 PASTORES 2ª
feira às 7:30, 10h, 12h, 15h, 18h, 20h e 22h Matriz Av. Celso Garcia, 499 - Brás/SP – escrito
87
sobre uma tarja, cinza e vermelho] eu tenho um/um patrimônio muito bom... tenho alguns
empregados que trabalham comigo... mas pra trabalhar comigo tem que ter fé... se não tiver
fé... não vai... e (acri) dentro... vindo... acontece...
[Bispo] quer dizer que o senhor não tinha nada... hoje o senhor conquistou o quê de bens?...
[Osvaldo] às vezes eu fico até com vergonha de falar... né::... mas eu conquistei um
patrimônio (lega/bem)/bom... que hoje com quinze anos de advocacia... [O enunciado muda
para: ESTÁ DESEMPREGADO E SEM PERSPECTIVAS? LIGUE AGORA: (0**11) 2178-
1177 – escrito sobre uma tarja, cinza e vermelho] quiser dar uma parada... descansar...
passear... deixar o pessoal trabalhando pra mim... dá::... tranquilamente...
[Bispo] ( ) mudou a situação?... [O enunciado muda para: NAÇÃO DOS 318 PASTORES 2ª
feira às 7:30, 10h, 12h, 15h, 18h, 20h e 22h Matriz Av. Celso Garcia, 499 - Brás/SP – escrito
sobre uma tarja, cinza e vermelho]
[Osvaldo] da água pro vinho... né::... eu costumo dizer... não é da água pro vinho... é do sono
pra morte... né::... (risos)
[Bispo] Deus abençoe o senhor...
[De volta ao estúdio com o bispo Jader] eu fiz questão... de formar uma fila... nessa última
segunda-feira... com as pessoas que estavam desemprega::das... e... tem acima de quarenta e
cinco anos... [A câmera abre o foco e o pastor Edson aparece no estúdio] porque muitas
pessoas [O enunciado muda para: ESTÁ DESEMPREGADO E SEM PERSPECTIVAS?
LIGUE AGORA: (0**11) 2178-1177 – escrito sobre uma tarja, cinza e vermelho] quando
perdem o emprego... e já tem uma idade acima dos quarenta e cinco... elas perdem as
esperanças... achando que ninguém mais vai dar uma oportunidade... né:: pastor?...
[Pastor Edson] é porque já tá implantado na mente do ser humano que... passou dos
quarenta... tá fora do mercado de trabalho... então a pessoa já aceitou isso aqui no Brasil...
como uma coisa natural... então coitado... às vezes até desiste de procurar... porque as portas
se fecham com essa idade... [O enunciado muda para: ESTÁ PERDENDO TUDO O QUE
TEM? LIGUE AGORA: (0**11) 2178-1177 – escrito sobre uma tarja, cinza e vermelho] mas
nós temos a prova aí... que com quarenta... cinquenta... sessenta anos... há pessoas que Deus
tem a/aberto as portas... e está fazendo a diferença na vida delas... [O enunciado muda para:
NAÇÃO DOS 318 PASTORES 2ª feira às 7:30, 10h, 12h, 15h, 18h, 20h e 22h Matriz Av.
Celso Garcia, 499 - Brás/SP – escrito sobre uma tarja, cinza e vermelho]
[Bispo Jader] não... até com setenta... olha... foi muito forte essa última segunda-feira... eu
quero te pedi::r... para::... é:: na segunda-feira próxima... a senhora o senhor trazer uma
carteira de traba::lho... TODOS que estão me acompanhando desempregados... ou tenham
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familiar desempregado... convide ele... ou traga a carteira de trabalho dele... porque as portas
vão se abrir... como se abriram para essas pessoas... escolham o melhor horário... ou sete e
meio da manhã... eu termino oito e vinte... depois às dez o pastor Edson... meio-dia o pastor
Rodrigo... o pastor Edson volta às três da tarde... eu retorno às seis e às oito... o pastor Edson
volta às dez horas da noite... aqui no Celso Garcia... quatro nove nove no Brás... o/olhe essa
fila de depoimentos... eu já volto...
[No corredor do templo lotado, tendo vários fiéis enfileirados para darem os seus
depoimentos, o bispo Jader, olhando em direção ao palco, de costas para os fiéis, se volta para
a câmera, os telespectadores que estão em casa, e diz] a senhora ou senhora que está em
casa... desempregado ou desempregada... achando que não tem mais jeito por causa de sua
idade... (nós) estamos aqui no meio da nação dos trezentos e dezoito... aqui no Brás... essa fila
de testemunhos aqui... são pessoas que chegaram desempregadas... acima de quarenta e cinco
anos... e Deus abriu as portas... e quer abrir as portas pra você também... o/olha só... [o bispo
Jader deixa a câmera e vai até a fila onde estão os fiéis prontos para testemunhar. Ele olha
para a primeira fiel e pergunta] qual o nome da senhora?...
[Fiel] Cláudia...
[Bispo] a senhora tem quantos anos?...
[Cláudia] quarenta e sete...
[Bispo] quanto tempo desempregada?...
[Cláudia] fiquei dois anos...
[Bispo] dois ano?...
[Cláudia] cheguei nos trezentos e dezoito... as portas se abriram para mim... eu já não tinha
mais esperança pastor... [O enunciado muda para: ESTÁ DESEMPREGADO E SEM
PERSPECTIVAS? LIGUE AGORA: (0**11) 2178-1177 – escrito sobre uma tarja, cinza e
vermelho]
[Bispo] tava desesperada?...
[Cláudia] tava::... nossa... desacreditada de tudo... aí... quando eu vim... (que) teve o propósito
pra escrever o nome da empresa... ( ) Deus... eu (tô) começando agora... mas semana que vem
eu já quero tá trabalhando ( ) na/na... na outra semana... Deus abriu a porta... eu já tinha lá o
nome pra colocar da empresa... foi uma bênção...
[Bispo] Deus abençoe a senhora... [há aplausos do público] [O bispo a cumprimenta e ela sai]
pode ser ungida ali...
[O bispo pergunta para a próxima fiel da fila] qual o nome da senhora?...
[Fiel] Maria José...
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[Bispo] quantos anos a senhora tem?...
[Maria José] quase sessenta... [O enunciado muda para: NAÇÃO DOS 318 PASTORES 2ª
feira às 7:30, 10h, 12h, 15h, 18h, 20h e 22h Matriz Av. Celso Garcia, 499 - Brás/SP – escrito
sobre uma tarja, cinza e vermelho] [Risos]
[Bispo] a senhora ficou desempregada quanto tempo?...
[Maria José] bom... eu fazia bico né::... vendas... alguma coisa assim... mas eu não tinha u::m
estilo de vida... e depois que eu comecei a fazer os trezentos e dezoito... hoje eu tenho um
estilo de vida... eu sou uma gerente... de uma empresa multinacional... e graças a Deus...
como o que eu quero... visto o que eu quero... moro numa casa LEGAL... [O enunciado muda
para: ESTÁ DESEMPREGADO E SEM PERSPECTIVAS? LIGUE AGORA: (0**11) 2178-
1177 – escrito sobre uma tarja, cinza e vermelho]
[Bispo] Deus abençoe a senhora... [há aplausos do público, o bispo a cumprimenta e ela sai]
[O bispo pergunta para a próxima fiel da fila] qual o nome da senhora?...
[Fiel] Telma...
[Bispo] me perdoe perguntar, a senhora tem quantos anos?...
[Telma] cinquenta e seis...
[Bispo] a senhora tava desempregada a quanto tempo?...
[Telma] olha... mais de dez anos...
[Bispo] DEZ?...
[Telma] exa::to... porque... [O enunciado muda para: NAÇÃO DOS 318 PASTORES 2ª feira
às 7:30, 10h, 12h, 15h, 18h, 20h e 22h Matriz Av. Celso Garcia, 499 - Brás/SP – escrito sobre
uma tarja, cinza e vermelho] e::... eu não precisava trabalhar né::... quer dizer... meu marido
dizia que eu não precisava... né::... mas aí ele ficou doente há uns tempos atrás... eu fiquei
viúva em outubro... e:: eu falei comigo mesma... eu não vou ficar dependendo dos meus filhos
né?...
[Bispo] a senhora chegou então viúva... e... desempregada há dez anos... (q) Deus abriu a
porta... a senhora tá trabalhando?...
[Telma] eu tô trabalhando há um mês... e:: nesse primeiro mê::s... eu recebi mais do que me
foi prometido... porque eu consegui... eu tô trabalhando com uma clínica de fisioterapia...
então como incentivo... como eu consegui muitos clientes novos... eu ainda ganhei mais do
que eu tava esperando...
[Bispo] um mês (só) tá trabalhando?...
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[Telma] um mês... [O enunciado muda para: ESTÁ DESEMPREGADO E SEM
PERSPECTIVAS? LIGUE AGORA: (0**11) 2178-1177 – escrito sobre uma tarja, cinza e
vermelho]
[Bispo] Deus abençoe a senhora... [Há aplausos e ela sai. A pessoa seguinte da fila não estava
na sequência normal, tanto é assim que é um fiel vestido todo de preto quem aparece saindo
da imagem em foco]
[O bispo pergunta ao próximo fiel que estava à frente da fila] qual o nome da senhora?...
[Fiel] Helena...
[Bispo] quantos anos a senhora tem?...
[Helena] cinquenta e quatro...
[Bispo] quanto tempo desempregada?...
[Helena] eu fiquei um ano (é)::... procurando fechar (é)::... contrato com empresa... e não
consegui... agora eu fechei dois aqui em São Paulo...
[Bispo] Deus abençoe a senhora... [Há aplausos e ela sai. A pessoa seguinte da fila se
apresenta]
[O bispo pergunta ao próximo da fila] qual o nome do senhor?...
[Fiel] meu nome (é::) (José) Rodrigues... [O enunciado muda para: NAÇÃO DOS 318
PASTORES 2ª feira às 7:30, 10h, 12h, 15h, 18h, 20h e 22h Matriz Av. Celso Garcia, 499 -
Brás/SP – escrito sobre uma tarja, cinza e vermelho]
[Bispo] quantos anos você tem?...
[José Rodrigues] tenho sessenta anos...
[Bispo] quanto tempo desempregado?...
[José Rodrigues] quinze anos...
[Bispo] QUINZE?...
[José Rodrigues] quinze anos...
[Bispo] Deus abriu as portas?...
[José Rodrigues] abriu as portas...
[Bispo] trabalhando?...
[José Rodrigues] trabalhando... eu perdi tudo... agora... tô me levantando agora...
[Bispo] Deus abençoe o senhor... [Há aplausos e ele sai. A pessoa seguinte da fila se
apresenta]
[O bispo pergunta ao próximo da fila] qual o nome do senhor?...
[Fiel] Cláudio...
[Bispo] Quanto tempo desempregado?...
91
[Cláudio] um ano e meio mais ou menos...
[Bispo] como é ficar desempregado um ano e meio?...
[Cláudio] é::... difícil... porque eu tinha um padrão de vida:: é:: alto... era gerente de uma
empresa né::... e::... acabei perdendo o emprego... aí montei uma empresa... não deu certo... e::
fiquei numa situação muito difícil...
[Bispo] o senhor pediu pra Deus abrir uma porta aqui... tá trabalhando?...
[Cláudio] tô trabalhando... Deus abriu uma porta... e tá abrindo ou::tras maiores ainda...
[Bispo] Deus abençoe o senhor... [Há aplausos e ele sai. A pessoa seguinte da fila se
apresenta]
[O bispo pergunta ao próximo da fila] qual o nome do senhor?...
[Fiel] José Carlos...
[Bispo] (você) tem quantos anos?...
[José Carlos] quarenta e seis...
[Bispo] você ficou desempregado quanto tempo?...
[José Carlos] (fiquei) uns quatro anos... mas... fazendo bico né::... [O enunciado muda para:
NÃO CONSEGUE TER ÊXITO PROFISSIONAL? LIGUE AGORA: (0**11) 2178-1177 –
escrito sobre uma tarja, cinza e vermelho]
[Bispo] o senhor começo::u a fazer a corrente... o senhor pediu a Deus pra abrir uma porta... tá
trabalhando?...
[José Carlos] tô trabalhando... tem dois meses... [O enunciado muda para: NAÇÃO DOS 318
PASTORES 2ª feira às 7:30, 10h, 12h, 15h, 18h, 20h e 22h Matriz Av. Celso Garcia, 499 -
Brás/SP – escrito sobre uma tarja, cinza e vermelho]
[Bispo] Deus abençoe o senho::r... [Há aplausos e ele sai. A pessoa seguinte da fila se
apresenta]
[O bispo pergunta a próxima fiel] qual o nome da senhora?...
[Fiel] Rosemari...
[Bispo] ficou desempregada quanto tempo?...
[Rosemari] seis anos e meio...
[Bispo] SEIS ANOS?... a senhora trabalha com quê?...
[Rosemari] eu trabalho na enfermagem...
[Bispo] a senhora é enferme::ira e fico::u seis anos parada?...
[Rosemari] seis anos e meio...
[Bispo] a senhora tava parada há seis anos... e agora tá trabalhando no quê?...
[Rosemari] em dois empregos...
92
[Bispo] Deus abenço::e a senho::ra... [Há aplausos e ele sai. A pessoa seguinte, uma fiel
vestindo camisa rosa, não apresenta, por questões de edição, o seu depoimento para o
programa. Outra mulher segue para apresentar o seu testemunho]
[Bispo] quanto tempo desempregado?...
[Fiel] seis meses...
[Bispo] seis meses... e agora?...
[Fiel] trabalhando...
[Retorna-se para o estúdio com a apresentação do bispo Jader] agora eu vou colocar o
depoimento de uma senhora... que ela sai::u de Minas... veio aqui para São Paulo... pensando
que ia se dar bem... o que tem de gente pensando que mudando de estado vai se dar bem... [A
câmera do estúdio abre o foco e aparece o pastor Edson Costa sentado à frente da mesa do
bispo Jadson] pior que a pessoa tá se dando mal aqui em São Paulo pastor Edson...
[Pastor Edson] verdade... ela pensa/pôxa é a maior metrópole dentro do Brasil... [O enunciado
muda para: ESTÁ CANSADO DE MORAR DE FAVOR? LIGUE AGORA: (0**11) 2178-
1177 – escrito sobre uma tarja, cinza e vermelho] então a maior oportunidade... as maiores
fontes né::?... as portas abertas estão lá... [O enunciado muda para: TRABALHA MUITO E
NÃO VÊ RESULTADOS? LIGUE AGORA: (0**11) 2178-1177 – escrito sobre uma tarja,
cinza e vermelho] e a pessoa vem pra cá e não dá certo.. por quê?... se existe uma amarração
na vida da pessoa... ela pode estar em qualquer lugar do mundo... que a porta vai estar fechada
pra ela... e se há a bênção de Deus sobre ela... ela pode estar na menor cidade do mundo... que
ali naquela cidade vai ter porta aberta pra ela...
[Bispo Jader] é/eu não se::i... [O enunciado muda para: NAÇÃO DOS 318 PASTORES 2ª
feira às 7:30, 10h, 12h, 15h, 18h, 20h e 22h Matriz Av. Celso Garcia, 499 - Brás/SP – escrito
sobre uma tarja, cinza e vermelho] se a senhora ou o senhor acredita... como nós falamos que
tem um mal te amarrando... mas não tem outra explicação... ( ) não é possível... sua vida não
vai... sua vida tem tudo pra ir e não sai do lugar.. só anda pra trás... tem uma coisa te
atrapalhando... é essa coisa que nós queremos arrancar segunda-feira... porque se não... vai
passar aí os meses... vai chegar o meio do ano... da qui a pouco final do ano... e esse ano de
dois mil e nove você não saiu do lugar até agora... o/o/olha o depoimento dessa senhora... em
seguida... em seguida... eu vou colocar também o depoimento de um senhor... que graças a
Deus já montou... a/a empresa dele... além... é:: de estar aqui em São Paulo... ele já expandi::u
para o::utro estado do Brasil... e tá crescendo... eu volto em seguida... olha só...
93
[Retorna-se para o ambiente do templo, mais precisamente, na plataforma e perto do púlpito.
O bispo Jader está ao lado de um senhor bem vestido que está ali para dar o seu testemunho.
O bispo pergunta] qual o nome do senhor?...
[Fiel] Márcio...
[Bispo] o senhor chegou... o senhor estava em qual situação?...
[Márcio] a::::... financeiramente:: arrebentado... [O enunciado muda para: TRABALHA
MUITO E NÃO VÊ RESULTADOS? LIGUE AGORA: (0**11) 2178-1177 – escrito sobre
uma tarja, cinza e vermelho]
[Bispo] por exemplo... quais problemas?...
[Márcio] a::... eu tinha muitas dívidas... é::... as dívidas... me faziam não dormir à noite... e::...
eu perdia muitas... muitas noites de sono... [O enunciado muda para: NÃO SABE COMO
QUITAR SUAS DÍVIDAS? LIGUE AGORA: (0**11) 2178-1177 – escrito sobre uma tarja,
cinza e vermelho] ((nesse caso, a tarja com o enunciado se adaptou ao discurso proferido pelo
fiel no depoimento, pois ao expôr sobre os problemas causados pela dívida, a tarja relacionouse
com a temática: dívidas)) muitos desentendimentos familiares... ( ) (...)
[Bispo] tudo por causa dos problemas financeiros...
[Márcio] tudo... meus filhos tava... o convívio na minha casa tava insuportável...
[Bispo] qual foi o pior momento pro senhor?...
[Márcio] a:: foi o momento em que... a minha esposa disse que (iria) embora...
[Bispo] (queria) largar o senhor?...
[Márcio] si::m...
[Bispo] porque é::... a gente:: pensa que... [O enunciado muda para: NÃO CONSEGUE TER
ÊXITO PROFISSIONAL? LIGUE AGORA: (0**11) 2178-1177 – escrito sobre uma tarja,
cinza e vermelho] é::... a vida.. a parte financeira... é::... não tem influência na vida da gente...
mas tem sim...
[Bispo] (você) sentiu isso na pele?...
[Márcio] si::m... senti na pele...
[Bispo] o que que mudou nessa reunião... como é que o senhor tá hoje?... [O enunciado muda
para: NAÇÃO DOS 318 PASTORES 2ª feira às 7:30, 10h, 12h, 15h, 18h, 20h e 22h Matriz
Av. Celso Garcia, 499 - Brás/SP – escrito sobre uma tarja, cinza e vermelho]
[Márcio] é::::... eu tenho uma/eu tenho uma empresa de prestação de serviços... serviço e
segurança... e essa empresa não andava de jeito nenhu::m... é::... eu mandava propo::stas... os
clientes até gostavam da propo::sta... e::... mas na hora de fechar os negócios... não fechava...
[Bispo] depois dessa corrente... o que que mudou?...
94
[Márcio] eu vi a:::: corrente na/pela televisão... e resolvi vir um dia... eu sou de Jundiaí...
então eu vim... inclusive o primeiro dia eu vim aqui... (gestos) nessa igreja... e::::.... (...)
[Bispo] o senhor saiu lá de Jundiaí... e veio aqui pro Brás pra... luta::r pela sua empresa?...
[Márcio] sim... (o que::::...) [O enunciado muda para: ESTÁ CANSADO DE MORAR DE
FAVOR? LIGUE AGORA: (0**11) 2178-1177 – escrito sobre uma tarja, cinza e vermelho]
precisava de um::::/ [O bispo diz: “direção” – e o fiel a menciona] de uma direção... e::... eu
vim até aqui... e:: depois que eu assisti a reunião... eu saí daqui com uma direção... [O
enunciado muda para: NAÇÃO DOS 318 PASTORES 2ª feira às 7:30, 10h, 12h, 15h, 18h,
20h e 22h Matriz Av. Celso Garcia, 499 - Brás/SP – escrito sobre uma tarja, cinza e vermelho]
[Bispo] e como é que está hoje?...
[Márcio] hoje fazem quatro meses que eu estou frequentando todas as segunda-feiras... a::...
eu fechei (algum)/alguns vários negócios... com a graça de Deus... ã::::... abri um escritório
em São Paulo... e há quinze dias nós abrimos uma filial em Curitiba...
[Bispo] (mudou) a situação de miséria para uma vida de prosperidade...
[Márcio] mudou... mudo::u... mudou bastante... nós compramos três veículos... um pra
cada:::... pra cada sede... e em Jundiaí nós temos uma sede agora também... e::... a coisa tá::
fluindo muito bem... graças a Deus...
[Bispo] dormindo agora?...
[Márcio] tô dormindo bem...
[Bispo] Deus abençoe o senhor... [O bispo cumprimenta com risos o fiel]
[Com áudio de suspense ao fundo, a cena muda. Há uma chamada, uma espécie de
propaganda do próprio programa, cujas imagens são sempre emolduradas com um fundo
preto. Aparece a imagem de uma mulher vestida de azul. No alto da tela, lido pelo narrador,
há o enunciado, que, com animação gráfica, aumenta e da cor azul passa para a cor branca: O
QUE VOCÊ FAZ QUANDO O PROBLEMA VEM?] [Em seguida aparece a imagem de um
gráfico na tonalidade amarela. O narrador diz] em um cenário... [A tela muda e aparece um
executivo sentado com as mãos juntas. A imagem o foca apenas do pescoço para baixo e dos
pés para cima] [O narrador faz a leitura do enunciado em tela] de dificuldades financeiras...
[Outra imagem: um casal sentado com um ar de preocupação em uma mesa da casa. O
narrador diz] onde sua família está desestabilizada... [na tela aparece o enunciado:
DESESTABILIZADA] [A imagem seguinte é a repetição da tela em que apareceu um
executivo sentado com as mãos juntas, focando apenas do pescoço para baixo e dos pés para
cima. Aparece em cor branca e caixa alta o enunciado: CONTAS. O narrador diz] as contas
estão chegando... [Outra imagem: mãos segurando uma calculadora. O enunciado em cor
95
branca e caixa alta: DÍVIDAS. O narrador lê] e as dívidas crescendo... [Outra imagem: uma
mão segurando um lápis vermelho que marca uma nota de compras] [Outra imagem: o rosto
de um homem olhando vagamente. Surge o enunciado em cor branca e caixa alta: MEDO DO
FUTURO. O narrador diz] o medo do futuro bate a porta... [Outra imagem: um casal sentado
num sofá, cada um olhando para uma direção. Aparece o enunciado em cor branca e caixa
alta: BRIGAS. O narrador diz] e as brigas se tornam inevitáveis... [O áudio passa a ser de
ação-aventura. Há uma sequência de cenas onde aparece a imagem de uma mulher, loira,
compenetrada, vestindo roupão ou roupas para se usar em casa. A sequência dessas cenas com
essa mulher inclui: um olhar vago para alguma direção e com as mãos ao pescoço; em
seguida, olhando-se no espelho; logo, lendo uma folha na cama; e, finalmente, olhando do
alto da casa para a rua a partir de uma janela azul em cor fosforescente. Aparece em caixa alta
e cor branca o enunciado: MOMENTO DE AFLIÇÃO. A música ganha ritmo e ação para
depois desfechar novamente numa temática de suspense. O narrador continua a dizer] neste
momento de aflição... [Surge outra cena de uma mulher, morena, sentada num sofá, com o
corpo curvado e as mãos no cabelo. Aparece o enunciado em cor branca e caixa alta: NÃO
EXISTE SAÍDA. O narrador diz] onde parece não existir saída... [Surge a imagem do rosto de
uma mulher deitada e com expressão de preocupação. Aparece o enunciado lido pelo
narrador: NÃO DEIXE O MEDO TE DOMINAR] [No áudio há um ataque de chimbal, um
dos elementos da bateria, um instrumento musical, expressando a dinâmica rítmica de ação.
Na sequência sonora há ataques com instrumentos de sopro: trombetas, exprimindo a
investida de um exército em campanha. Tendo a música de ação ao fundo, aparecem cenas,
que pelos recursos de vídeo estão acizentadas, dos cultos na IURD com o templo lotado. As
imagens são animadas graficamente (rotatividade, colorização das imagens que deixam o tom
cinza e recebem a coloração natural] [Há uma sequência de enunciados: ATITUDE CERTA,
SEGUNDA-FEIRA; DIREÇÃO. O narrador diz] tome a atitude certa... venha nesta segunda
receber a direção... [Aparece a imagem de uma mulher com ar de confiança. Surge o
enunciado: ADVERSIDADES. O narrador diz] para vencer as adversidades... [Aparece a
imagem de um jovem com ar de confiança. Surge o enunciado: FORTALECER SEUS
PASSOS. O narrador diz] e fortalecer seus passos... [Há uma luminosidade na tela que surge e
desaparece. A seguir, é destacado uma filmagem sem áudio-ambiente e em slow motion do
bispo Jadson com o microfone na mão, sobre a plataforma de culto, diante da multidão de
fiéis com as mãos dadas e levantadas ao alto. Na tela há enunciado: NAÇÃO DOS 318
PASTORES. O narrador diz] nação dos trezentos e dezoito pastores... unido forças para que
você receba [Aparece a imagem de uma mulher sorrindo e, ao lado, o enunciado: VITÓRIA
96
FINANCEIRA, tendo como pano de fundo o delineamento das cores da bandeira brasileira]
sua vitória financeira... [O áudio muda, mas a música ainda exprime ação-aventura. Aparece a
imagem do templo da IURD, num quadro centralizado, sobreposta sobre dois outros quadros,
um à direita e outro à esquerda, da multidão de fiéis que frequentam as reuniões da igreja. Na
tela aparece o enunciado destacado com letras expressivas na cor azul claro: “Matriz Brás”;
abaixo da anterior, em letras menores na cor branca, há o enunciado: “Av. Celso Garcia, 499
Brás”. O narrador diz] no Brás... avenida Celso Garcia... quatro nove nove (...)
[Retorna-se para o templo novamente num momento durante o culto onde o pastor Jadson faz
perguntas a pessoas que, entre os fiéis sentados, estão em pé para darem os seus depoimentos]
[Aparece o enunciado: NAÇÃO DOS 318 PASTORES 2ª feira às 7:30, 10h, 12h, 15h, 18h,
20h e 22h Matriz Av. Celso Garcia, 499 - Brás/SP – escrito sobre uma tarja, cinza e vermelho]
[Bispo Jadson, estendendo o microfone, pergunta ao primeiro] qual o nome do senhor?...
[Fiel] Roberto...
[Bispo] o senhor chegou aqui como?...
[Roberto] devendo e::... [O enunciado muda para: NÃO SABE COMO QUITAR SUAS
DÍVIDAS? LIGUE AGORA: (0**11) 2178-1177 – escrito sobre uma tarja, cinza e vermelho]
quebrado falido... ((o enunciado se adapta ao depoimento))
[Bispo] e aí?... aconteceu o quê?...
[Roberto] (abriu) uma construtora... e hoje tenho quatro obras...
[Bispo] (quatro)/tá tocando quatro obras?...
[Roberto] quatro obras... [Aparece o enunciado: NAÇÃO DOS 318 PASTORES 2ª feira às
7:30, 10h, 12h, 15h, 18h, 20h e 22h Matriz Av. Celso Garcia, 499 - Brás/SP – escrito sobre
uma tarja, cinza e vermelho]
[Bispo] então mudou a situação?...
[Roberto] completamente...
[Bispo] Deus abençoe o senhor... [E cumprienta o fiel]
[Após um corte pela edição, em outro depoimento no templo, bispo Jadson, estendendo o
microfone, pergunta] qual o nome da senhora?...
[Fiel] Carla...
[Bispo] a senhora chegou aqui como?...
[Carla] desempregada... depois que o senhor pediu o currículo... várias portas começaram a se
abrir... e eu fiquei sem saber qual emprego eu ia trabalhar... começou a vir várias de uma vez
só... [O enunciado muda para: ESTÁ DESEMPREGADO E SEM PERSPECTIVAS? LIGUE
AGORA: (0**11) 2178-1177 – escrito sobre uma tarja, cinza e vermelho]
97
[Bispo] trabalhando?...
[Carla] sim...
[Bispo] Deus abençoe... [E cumprimenta a fiel]
[Após outro corte pela edição, há um casal de fiéis em pé esperando para proferirem os seus
depoimentos. Bispo Jadson pergunta à fiel] qual o nome da senhora?...
[Fiel 1] Cristiane...
[Bispo] e o senhor?...
[Fiel 2] Roberto... [O enunciado muda para: NAÇÃO DOS 318 PASTORES 2ª feira às 7:30,
10h, 12h, 15h, 18h, 20h e 22h Matriz Av. Celso Garcia, 499 - Brás/SP – escrito sobre uma
tarja, cinza e vermelho]
[Bispo, estendendo o microfone para Cristiane] chego aqui tava como?...
[Cristiane] tava destruída... eu não vendia nada... não tinha vontade de trabalhar com ele... não
gostava do ramo... ele me incentivando e eu falava não... não/num quero isso... aí passado
tempo... é::... eu comecei fazer a corre::nte... e aí a::... (veio) (tendo a vontade [gestos] de
trabalhar... vender vender... fui prosperando... fechei grandes negócios... HOJE... a gente tá
vendendo... tamu arrebentando... esse MÊS... nem acabo o mês a gente já vendeu MAIS do
que o mês inteiro... do mês passado... né::... você vê como é engraçado... a semana passa/a
retrasada... o senhor mandou pegar um currículo né::... [O enunciado muda para:
TRABALHA MUITO E NÃO VÊ RESULTADOS? LIGUE AGORA: (0**11) 2178-1177 –
escrito sobre uma tarja, cinza e vermelho] eu não vou pegar... não tenho necessidade... tenho o
próprio negócio... não vou pega:: né::?... quando foi essa semana... me ligaram de uma
empresa... pra mim fazer um trabalho... tá::... de (home base)... uma empresa multinacional...
[O enunciado muda para: NAÇÃO DOS 318 PASTORES 2ª feira às 7:30, 10h, 12h, 15h, 18h,
20h e 22h Matriz Av. Celso Garcia, 499 - Brás/SP – escrito sobre uma tarja, cinza e vermelho]
que eu vou trabalhar em casa... vou ganhar um salário (maravinoso)...com todos os
benefícios... e dá de juntar com o (meu)/com o meu trabalho hoje (...) [O Roberto permaneceu
em pé, ao lado, durante o depoimento de Cristiane. A cena é cortada abruptamente]
[No depoimento seguinte, uma fiel se aproxima até a frente do corredor da igreja. O bispo
Jadson, estendendo o microfone, pergunta] qual o nome da senhora?...
[Fiel] Andréia...
[Bispo] trabalha com quê?...
[Andréia] sou gerente de duas loja...
[Bispo] (comé) que foi esse mês?...
[Andréia] fo::i:: excelente...
98
[Bispo] arrebentou?...
[Andréia] (rrebentou)... tá arrebentando muito muito muito... tem uma loja que a gente
inaugurou agora dia dois... já vendeu mais que::::... que um ano...
[Bispo] quer dizer que:: mesmo na crise a senhora tá arrebentando?...
[Andréia] arrebentando...
[Bispo] Deus abençoe a senhora... [O bispo a cumprimenta e a fiel sai]
[A cena sai da parte interna do templo e é transportada para um local onde os fiéis estão
saindo com seus carros. Uma entrevistadora com microfone em mãos aborda um fiel que está
dentro de seu carro] ((O programa “Saindo da Crise” tem a característica de, em todos os
programas, fazer uma entrevista com um fiel dentro do próprio carro. A entrevistadora se
aproxima do fiel e lhe chama pelo nome, destacando uma preparação para a entrevista)) [A
câmera aproxima e enfoca apenas o fiel na imagem]
[Entrevistadora] seu João Avarenga... antes da nação... que problemas o senhor enfrentou?...
[João Avarenga] be::m eu tive um acidente no ano de dois mil e:: dois... [O enunciado muda
para: ESTÁ PERDENDO TUDO O QUE TEM? LIGUE AGORA: (0**11) 2178-1177 –
escrito sobre uma tarja, cinza e vermelho] no qual eu perdi:: é::... quase todos os
movimentos... desde o ombro direito até o meu punho... eu fui sugado por um caminhão... e
esse qua::se... arrancou meu braço... eu fiquei praticamente com meu braço pendurado pela
pele... e:: o primeiro laudo... é:: a primeira impressão é que teria que ser amputado...
[Entrevistadora] com o acidente... a sua vida econômica ficou de que forma?... [O enunciado
muda para: ESTÁ DESEMPREGADO E SEM PERSPECIVAS? LIQUE AGORA: (0**11)
2178-1177 – escrito sobre uma tarja, cinza e vermelho]
[João Avarenga] totalmente destruída... nenhum plano médico:: cobre::... algumas situações
como a que eu passei::... e::... além disso::... tinha uma posição::... é::/era um executivo de
uma multinacional... eu tinha um excelente salário... tinha uma excele::nte situação de
benefícios... [O enunciado muda para: NÃO CONSEGUE TER ÊXITO PROFISSIONAL?
LIGUE AGORA: (0**11) 2178-1177 – escrito sobre uma tarja, cinza e vermelho] a::... tinha
uma vida vida familiar também que::.... também foi afetada... porque quando a vida
financeira é:: afetada... tudo se transforma... ma::s com perseverança a gente nunca deve
desistir::(...) eu tenho uma grande facilidade de idiomas... eu... [O enunciado muda para:
NAÇÃO DOS 318 PASTORES 2ª feira às 7:30, 10h, 12h, 15h, 18h, 20h e 22h Matriz Av.
Celso Garcia, 499 - Brás/SP – escrito sobre uma tarja, cinza e vermelho] falo alguns idiomas...
e::... isso acaba sendo uma ferramenta de trabalho... para que eu po::ssa... seguir em frente...
[Entrevistadora] agora... a sua vida profissional e econômica hoje... aprendendo na nação...
99
[João Avarenga] totalmente diferente::... e CADA vez tenho que aprender mais... porque::...
uma coisa tenho consciência... a gen-te nun-ca po-de pa-rar de aprender... aquele que pá::ra...
tem um pouquinho de pregui::ça em aprender... sempre vai ficar pra trás... então... eu acho que
a gente tem que estar sempre aprendendo...
[Entrevistadora] como que é a sua vida hoje?... fisicamente... economicamente...
[João Avarenga] tudo::: está bem melhor... graças a Deus... eu:: posso dizer que eu superei
todas essas situaçõ::es adve::rsas...
[Entrevistadora] o trabalho como é que está?...
[João Avarenga] eu trabalho com traduções... com recursos humanos... treinamento de
pessoal... (acompanhamentos) de executivos... é:: um serviço personalizado a executivos...
desde::... é::... por exemplo... no caso quando uma empresa quer trazer um executivo
estrangeiro pro Brasil... desde a obtenção de documentação... até a locação de ca::sa... escola
pra fi::lhos... enfim... todo esse trabalho que é um trabalho personalizado e dirigido para
executivos... ((há um corte pela edição e o assunto retoma ao do interesse da programação)) e
na nação e::u... venho::... eu/eu acho que antes de mais nada... o principal... independente da
parte... é::... financeira... que isso é uma consequência... mas principalmente... uma maior
ligação com Deus... o verdadeiro Deus está presente na nação... ((De um modo interessante, o
fiel retoma, de modo até desconectado na frase, o assunto financeiro que disse ser a parte
principal)) financeiro... carro novo... via::gem... não tenho nenhum problema... graças a
Deus... [A câmera afasta o carro e enquadra na imagem a apresentadora]
[Entrevistadora] mora bem?... [sorrindo]
[João Avarenga] moro bem...
[Entrevistadora] e qualidade de vida...
[João Avarenga] e qualidade de vida... restaurantes... tudo de bom... graças a Deus...
[Entrevistadora] obrigado pela participação do senhor... [A imagem sai do fiel e enquadra a
apresentadora que fala para a câmera e fala] você também pode viver o melhor... a nação
acontece às segundas-feiras...
[Retorna-se para o estúdio] [Bispo Jader] PARE DE FICAR chora::ando... lamenta::ndo...
reclamando da vida... procure um horário segunda-feira agora... tem sete horários... anote o
endereço... nós queremos só te ajudar... só isso... se a senhora deixar... se o senhor deixar...
nós vamos lutar juntos... hoje você tá chorando... amanhã nós vamos sorrir juntos... como
essas pessoas que deram o/os depoimentos nessa última segunda-feira... chegaram
quebradas... chegaram mal... viveram o que a senhora o que senhor está vivendo... mas deram
a volta por cima... tá bom?... agora eu queria aproveitar esses minutos finais do programa...
100
e/eu vou colocar uma chamada... e eu vou voltar falando... a respeito dessa quarta-feira da
salvação... [O enunciado muda para: A NOITE DA SALVAÇÃO QUARTA-FEIRA (25/03) –
ÀS 19h Matriz Av. Celso Garcia, 499 - Brás/SP – escrito sobre uma tarja, cinza e vermelho]
eu não vejo a hora de chegar sete da noite... porque nós vamos te::r... uma reunião MAIS do
que especial... acompanhe essa chamada (eu) já volto...
[Com um som vagaroso de suspense, a chamada inicia com uma imagem no fundo preto e
num círculo cinza contendo o enunciado lido pelo narrador: UM FATO. Aparece alguém
numa cama de emergência. Em seguida, a cena mostra uma ambulância em movimento. Há
mais uma imagem contendo o enunciado lido pelo narrador: O ÚLTIMO SUSPIRO. Aparece
cenas de um filme onde um jovem diz] tente ficar acordado... tente ficar com a gente... [Na
imagem seguinte em fundo preto, há o enunciado: FIM É SÓ O INÍCIO DE TUDO, sendo
que FIM está apresenta letras grandes, bem maiores que o restante da frase. Há uma música
de ação e aventura. O narrador diz] o fim... é só o início de tudo... [Na cena seguinte, há uma
pessoa sendo levantada aos céus. Aparece o enunciado lido pelo narrador: E VOCÊ, ESTÁ
PREPARADO? Com um fundo preto e um círculo que se movimenta da esquerda para a
direita sobre a frase, está o enunciado lido pelo narrador: ACREDITA EM VIDA APÓS A
MORTE? Segue-se uma imagem de alguém correndo, talvez fugindo, por um túnel com um
facho de luz ao fundo, no seu fim. Aparece uma nova cena e uma imagem num fundo preto,
contendo um círculo cinza com o enunciado: NÃO HÁ TEMPO A PERDER. O narrador lê]
então... não há tempo a perder... [A cena seguinte apresenta-se com um fundo preto e um
círculo que vai crescendo contendo o enunciado: QUARTA-FEIRA DIA 25 DE MARÇO,
sendo que QUARTA-FEIRA está escrito em letras garrafais em branco. O narrador diz] dia
vinte e cinco de março... quarta-feira... [Aparece uma nova tela com a cor terrosa e o
enunciado em branco: NOITE DA SALVAÇÃO 19 HORAS. O narrador diz] a grande noite
da salvação... às dezenove horas...
[Aparece, através de animação gráfica, a imagem do templo da IURD, num quadro
centralizado, sobreposta sobre dois outros quadros, um à direita e outro à esquerda, da
multidão de fiéis que frequentam as reuniões da igreja. Na tela aparece o enunciado destacado
com letras expressivas na cor azul claro: “Matriz Brás”; abaixo da anterior, em letras menores
na cor branca, há o enunciado: “Av. Celso Garcia, 499 Brás”. O narrador diz] na matriz do
Brás... avenida Celso Garcia... quatro nove nove... [Aparece em outra cena, outro templo da
IURD num quadro centralizado, sobreposta sobre dois outros quadros, um à direita e outro à
esquerda, da multidão de fiéis que frequentam as reuniões da igreja. Há o enunciado:
TEMPLO MAIOR Av. João Dias, 1800 Santo Amaro. O narrador diz] no templo maior...
101
avenida João Dias... mil e oitocentos... Santo Amaro... [Aparece o símbolo da IURD, um
coração vermelho sobreposto por um pássaro branco e a sua sombra vermelha. Há o
enunciado escrito em caracteres góticos: “Universal” “Igreja do Reino de Deus”. O narrador
diz ao longo desta imagem] e em todas as igrejas universal do reino de Deus...
[Retorna-se ao estúdio e o bispo Jader salienta] [Na tela há, no canto esquerdo embaixo, o
enunciado: A NOITE DA SALVAÇÃO QUARTA-FEIRA (25/03) – ÀS 19h Matriz Av. Celso
Garcia, 499 - Brás/SP – escrito sobre uma tarja, cinza e vermelho] eu sei que muitas pessoas...
pensam que para morrer... a pessoa tem que ser velha... ou então estar doente... e/isso não é
verdade... [O bispo Jader se reposiciona e a câmera passa a enquadrar o pastor Edson na
imagem, que está sentado à frente da mesa onde está o bispo Jader] para morrer a pessoa basta
tá viva... e/e muita gente não se preocupa com o que vem após da morte... (ela) tá preocupada
com os problemas de ago::ra... só que:: se a pessoa morrer sem a salvação ela tá perdida... ela
vai viver eternamente no inferno... e há quem não se preocupa com isso... deveria se
preocupar muito né pastor Edson?...
[Pastor Edson] é verdade... há aqueles que não acreditam assi::m que a alma da pessoa vai...
para o inferno como o senhor diz... há pessoas que dizem pô-xa... se Deus é amo::r... como
que ele vai permitir que uma pessoa sofra eternamente... então surgiram várias teorias a
respeito disso... a teoria:: é::... do purgató::rio... a teoria da reencarnaçã::o... a teoria do céu e
inferno... mas o que que a BÍBLIA... o que DEUS fala sobre a vida após a morte?... é isso que
nós vamos estar comentando...
[Bispo Jadson] sete horas da noite nessa quarta-feira...faça de tudo para estar conosco aqui no
Brás... será uma reunião especial... que pode salvar a sua alma... tá bom?... Um forte abraço...
e até o nosso próximo encontro...
[Inicia-se uma música com piano e vídeos seqüenciados]. Alguns deles: uma flor e uma
abelha; mais flores; trigo. Aparece a imagem de Jesus nas nuvens e uma música interpretada
por uma voz feminina com o texto legendado na tela: “Por sobre as nuvens com glória e
poder”. A imagem é a mesma, mas a letra segue: “Ele no céu aparecerá”. A imagem muda:
apresenta um pôr do sol e na voz, música e legenda: “Ele no céu aparecerá”. A imagem, a
seguir, é a de uma grande cachoeira e na voz, música e legenda: “Maravilhoso e tremendo vai
ser”. A imagem passa a ser, na seqüência, de flores, de plantas e a de um beija-flor; e, na
legenda: “o dia em que Cristo voltar”, porém a música foi cantada apenas até “o dia em que
Cristo” ((Esta é a única referência ao nome de Cristo em todo o programa)). Houve a
interrupção do programa e a entrada dos comerciais televisivos da Rede Record.



WESLEY KNOCHENHAUER CARVALHO



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